de momento


claudiakover,

Se não fosse o momento, morreria de tédio na espera pelo futuro. Na verdade, vivo o instante como se, se não o vivesse, este morresse também ele vítima do tempo.

 

Olho os sonhos a curto prazo, sem nunca pensar que um sonho, se chama sonho, por não estar na realidade.

 

Sou paixão. Não sei viver se não apaixonada. Por vezes, apaixonada por alguém. Sem paixão seria um corpo sem alma, um vagabundo sem rua, um poeta sem palavras.

 

Somos todos nós vítimas do momento: os que não o sentem, os que dele fogem, os que nele se afogam. Para todos, o mais doloroso será um dia saber que este momento terminou, sem nos ter avisado.

10 comentários em “de momento”

      1. Há momentos para esquecer, outros para recordar. Infelizmente, isto não acontece. Deste modo adaptei-me à minha impertinente memória: Eu tenho orgulho dos meus bons e maus momentos porque sei que ambos definem aquilo que eu sou. Conviver sem o sucesso, pode ser tão mau como viver sem o fracasso e vice-versa. 🙂

  1. Cláudia, há muito tempo a minha mãe, mulher sábia, disse-me que dantes era apaixonada e que depois passou a viver sem expectativas. Na altura, pensei: espero não chegar aí. Não cheguei ainda, mas cada vez mais percebo o que ela queria dizer. Bj e bom fim de semana

  2. Cara Cláudia,

    apesar de “morrermos” a cada instante, de guardarmos para nós um bocadinho desses instantes, numa pequena arrecadação desarrumada a que chamamos “memória”, nunca tivemos medo de a cada instante deixar morrer o passado, e aceitar o futuro.
    Nunca tivemos medo de aceitar o que somos – um fluido presente.
    Não somos fotografia, somos música… e a música não existe sem o tempo que a extingue a cada momento, para se cumprir até ao fim.

    A questão é esta… poderíamos voltar ao passado que nos interessa, só a nós?
    Que tamanha injustiça seria para todos os outros, não acha?
    Talvez possamos regressar ao passado, quando todos os que tiverem contribuído para ele também nos possam acompanhar… e até talvez tenhamos que trocar de papéis… caso contrário, seria apenas uma bela ilusão egoísta, não acha?

    Abraços!

    1. Agradeço desde já a leitura e o comentário. Concordo, não somos fotografia – somos música. No entanto, gosto de reviver os meus momentos em fotografia, na minha cabeça. Uma fotografia com cheiros e sentimentos.
      Talvez se voltássemos a um passado que pertence só a nós, estaríamos a deixar os restante no presente. Ou mesmo, no passado que estes quereriam visitar. Isto se o tempo for uma massa que nos deixa fluir um-a-um, sem termos de todos regressar a um local.
      Porquê trocar de papeis? Não compreendi, por isso pergunto 🙂

  3. Cláudia, belo texto. Quase um poema. E por isso, e a propósito, não resisto a citar a nossa magnífica Sophia com este poema igualmente magnífico (um dos meus favoritos dela, com que me identifico totalmente):

    Pudera eu não ter laços nem limites
    Ó vida de mil faces transbordantes!
    Para poder responder aos teus convites
    Suspensos na surpresa dos instantes.

    1. Olá Ana,

      muito obrigada pela atenção e simpatia (como sempre). Esse poema é lindíssimo! é engraçado não ter palavras para descrever um poema. Irónico mesmo.

      Um grande beijinho

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