Nota I: Eu adoro Tim Burton.
Nota II: Sim, eu não conheço todos os filmes desta lista.
Felizmente, na escola onde eu andei, os filmes sempre foram incluidos no currículo. É claro que é importante que toda a gente veja um filmes de Hitchcock, Tim Burton ou Charlie Chaplin. No entanto, porque não usar filmes que explicam ou apoiam algo que os meninos estejam a aprender em filosofia ou história? Porque não integrar em vez de somar? Sim, temos o Romeu e Julieta. Mas o que é que os meninos vão andar a estudar quando virem o Eduardo Mãos de Tesoura? O meu problema não são os filmes escolhidos…com certeza serão todos fantásticos.Mas porque não escolheram o Matrix que tão bem se integra na Alegoria da Caverna de Platão e possibilita uma análise profunda e inesperada? Este é apenas um exemplo.
Consultem a lista aqui: http://www.publico.pt/Cultura/os-filmes-que-os-alunos-vao-ver—1563990.

Cláudia,
encontra em mim, antiga aluna do 4º Agrupamento – Humanidades, ano lectivo 1999/2000 – alguém que, nas aulas de Filosofia (12º ano), assistiu, na sala de aula, ao filme Matrix, justamente na perspectiva em que refere.
Esta Senhora Professora, passou ainda nas suas aulas, o filme Azul, e falou-nos sobre o Branco e Vermelho.
Este ano, encontrei-a, e tive a grata oportunidade de lhe agradecer. 🙂
Mais uma daquelas medidas que não tem sentido. Não é obrigando os alunos a ver os filmes que este plano impõe que os vai fazer gostar mais de cinema. Nos dias que correm atrever-me-ia a dizer que o cinema faz parte tácita das actividades lectivas. Quem é que nunca passou um filme aos seu alunos que tenha a ver com o programa? Os meus alunos de alemão só vêem filmes alemães e corre sempre muito bem. E agora, vou ter de optar pelos filmes que verdadeiramente tenham a ver com as disciplinas e os currículos para mostrar estes aos meus alunos?
Vi muitos dos filmes que estão na lista, mas sinceramente parece-me que poderiam ter optado por escolher filmes um pouco mais recentes. Duvido que os miúdos tenham grande interesse naqueles filmes de 1900 e troca o passo.
Já nem eu tenho para alguns, quanto mais os miúdos.
A pior maneira de tratar o cinema é pô-lo a ilustrar outra coisa qualquer. Ninguém se lembra de ler “Os Lusíadas” nas aulas de História para descrever os Descobrimentos. O cinema é para ser visto como cinema – parece uma tautologia mas não é. Este plano, embora desenhado por alguém que é prof e cinéfila, fica a meio caminho. É “táctico” aqui, e cinematográfico ali, fica entre a muleta e o gosto, o que o leva a ter escolhas cinematograficamente pobres e pedagogicamente intrigantes. Perde-se a oportunidade de, como se fez com a leitura, aperfeiçoar o gosto pelo cinema e mostrar como se vê cinema.
O ‘pedagogicamente intrigante’ é que me preocupa. Mais uma para cumprir programa sem efeito prático nenhum.
Achei bastante bem a visualização do “Persépolis“, sem dúvida alguma uma mais valia. Pena é não acrescentarem alguns documentários, mesmo que experimentais, como os de Ron Fricke: “Baraka” (http://www.youtube.com/watch?v=XO1nSVy8 q8I) ou o “Chronos” (http://www.youtube.com/watch?v=cEF2sB2L g8g), onde há um destaque sociológico entre culturas deveras deslumbrante.