Dar palavras a quem não se quer é prostituição emocional. A alma – se é que esta é a definição mais apropriada – pode por momentos abandonar o corpo quando sofre. Mas a alma não se descola das palavras, a não ser que esta seja corrompida, separando a expressão do sentimento real. O que fazer a estas palavras sem alma? O que fazer aos sentimentos reais que ficaram sem palavras? Por vezes, a ligação entre ambas perde-se por completo na mentira e no fingimento, sem nunca mais se encontrarem. É aí que a alma se separa da outra coisa, aquela que diz as coisas sem sentir.
A coisa sem palavras
claudiakover,

As vezes, as minhas próprias palavras atraiçoam-me. Já me aconteceu desencontrar-me por palavras que saíram da minha boca.
(gosto muito destas crónicas literárias.)
Obrigada Bruno, uma vez mais, pela leitura atenta. Sim, acho que coloquei tudo isto em extremos. Provavelmente todos nós vivemos no intermédio.
Fico muito contente por me acompanhar e lisonjeada pelo comentário.
A uma carta que lhe fora enviada por uma criança, perguntado se os cientistas também rezavam, Einstein respondeu o seguinte: “Respondo à tua pergunta do modo mais simples. Esta é a minha resposta. A pesquisa científica baseia-se sobre a ideia de que cada coisa que acontece é regulada pelas leis da natureza e isto vale, também, para as acções das pessoas. Por esta razão, um cientista será dificilmente inclinado a crer que um evento possa ser influenciado pela oração, por exemplo, por uma aspiração endereçada a um Ser supra-natural. Todavia, deve admitir-se que o nosso actual conhecimento destas leis é, apenas, imperfeito e fragmentário, assim sendo, realmente, a crença na existência de leis fundamentais e omnicompreensivas na natureza permanece, ela própria, como uma espécie de fé. Mas esta última é largamente justificada pelo sucesso da investigação científica. No entanto, de um outro ponto de vista, quem quer que esteja seriamente empenhado na pesquisa científica convence-se de que há muito espírito que se manifesta nas leis do Universo. Um espírito muito superior ao do homem, um espírito perante o qual, com as nossas modestas possibilidades, apenas podemos experimentar um sentido de humildade. Deste modo, a investigação científica conduz a um sentimento religioso de tipo especial que é, na verdade, bastante diferente da religiosidade de alguém mais ingénuo”.
Então, parece-me lícito retomar a questão anterior: até que ponto podemos compreender a interligação e a complementaridade, de duas coisas que à partida se nos apresentam estranhas e herméticamente incompatíveis?
;))
Não sei se essa estranheza conduz à incompatibilidade. Eu concordo com este texto. Há palavras estranhas, fingidas que levam a desencontros. Mas a sinceridade e honestidade não poderão fazer o mesmo? Scarlett O’Hara e o Butler não teriam um amor tão forte que nenhuma crueza seria capaz de o abalar? As leis do amor respeitam o princípio da mecânica quântica , e não o princípio uma Lei Universal.