Há alguma razão para o PSD e o CDS terem chumbado hoje os pedidos de audição na Assembleia da República sobre a alegada, ó bela palavra, pressão de Miguel Relvas ao jornal Público?
Quem não deve não teme
cronicasnofeminino,
Há alguma razão para o PSD e o CDS terem chumbado hoje os pedidos de audição na Assembleia da República sobre a alegada, ó bela palavra, pressão de Miguel Relvas ao jornal Público?
O Miguel Relvas sabe muito.
Os portugueses também querem saber. Têm esse direito.
Uma vez escrevi um texto sobre um homem muito perigoso, o homem que conhece todas as sopeiras de Lisboa. Não será este o motivo do Miguel Relvas ter costas largas?
Bruno, o problema é quando chegam ao governo passam todos a ter as costas largas e a encobrir-se uns aos outros. Nada de novo debaixo do sol
Deviam ter aprendido com os erros de Sócrates e não apregoar transparência em vez de a pôr em prática.
O poder informal tem muito peso. Eu digo que um país também mede-se pela qualidade dos seus segredos.
E das suas trapalhadas, acrescento eu, mas trapalhadas todos os países têm, a diferença talvez estará na forma de lidar com eles e do respeito para com os eleitores e cidadãos dos países.
É verdade. Mas porque será que neste país se sabe tanto sobre tanta coisa, não se saiba o essencial, que seria por o país na bitola certa?
A ida de Relvas para o governo foi um erro de que Passos Coelho se há-de arrepender amargamente. Mas as cumplicidades da juventude têm destas coisas e há pessoas que não sabem, e pelos vistos o 1º ministro não sabe, quando devem separar o “serviço do conhaque”.
Não querendo minimamente desculpar o ministro Relvas do que quer que seja, acho no entanto que o Publico não merece o beneficio da duvida, por um lado pelo modo muito dubio como toda esta historia se desenrolou, e por outro porque não me esqueço do papel que o Publico teve na saida de Antonio Vitorino do governo do Guterres, onde por coincidencia tambem era o nº 2, e o que realmente esteve por tràs dessa historia.
A ideia de que tudo isto se resume à ameaça que Relvas terá eventualmente feito à jornalista do Publico, de que ia contar a sua vida sentimental na net, parece-me um pouco ingenua.
Não sei se o Público merece o benefício da dúvida, Alexnadre, sei que hoje em dia se pode confiar pouco nos jornais, spinning é o que mais há por aí, mas uma vez instalada a dúvida ela deve ser esclarecida para o bem de todos. Trata-se de um ministro, não da porteira do lote c à conversa com a Miquelina do 2º esquerdo. É grave, muito grave e deve ser esclarecido. O próprio PSD devia ter interesse nisso, se respeitasse o eleitorado.
Eu não subsumo o Público aos “jornais” e dou-lhe, sim, Leonor, o benefício da dúvida. Só não a dou também a Relvas porque arranjou maneira de não ir, por medo e talvez vergonha, ao Parlamento. Relvas tem medo. E aparentemente também vergonha.
Ele tem vergonha de ir ao Parlamento, ou não tem vergonha na cara para não ir?
Sempre me intrigou o facto de um grande empresario portugues como Belmiro de Azevedo continuar a investir num jornal que lhe dá ano após ano, segundo ele próprio tem afirmado, milhões de euros de prejuizo. Deve ter um grande amor à liberdade de informação.
Medo, Fernando? Relvas só tem de enfrentar a realidade: ou admite o que fez e demite-se ou prova que é mentira e tudo continuará mais ou menos como antes. Não vejo outro caminho. Ele esteve mal, o PSD e o CDS/PP estiveram mal.
Precisamente, Leonor. Como quem não deve não tem teme, ou não deve temer, não ir ao Parlamento equivale num caso como este ao reconhecimento do que afinal deve e teme, logo ao medo. Mas devemos estar a dizer o mesmo.
Estamos sim, mas hoje deu-me para a presunção da inocência, Fernando :))))
Demite-se???Ainda não chegamos à filandia, ou um sitio assim…fino!Pois não…?
Podemos começar pela Alemanha. Depois de suspeitas de pressão do Presidente da República sobre um órgão de comunicação, ele demitiu-se. Isto é a versão abreviada evidentemente.
Estou de acordo que é do interesse do PSD, do governo e principalmente do 1º ministro que este assunto se esclareça tão breve quanto possivel. Mas tem de se esclarecer a acção do ministro, e a acção do jornal, porque andaram ambos muito mal.
Que se esclareça tudo. O ‘Público’ é só um jornal, Relvas é Ministro-Adjunto do Primeiro-ministro e dos Assuntos Parlamentares. Não lhe parece muita responsabilidade, Alexandre? É que o povo não elegeu o ‘Público’ para estar à frente dos desígnios do país.
Estes segredos parecem coisa do Bolhão, ou doutros mercados. Farão parte da agenda de cumprimento da Troika?
Para ser apenas fumaça, é espectáculo mal conseguido, e o público, para além do Público, já está farto destes truques de cartas. Já percebeu que o mago usa dois baralhos… só vai aguentando porque a assistente é boa dançarina.
Não faço ideia. Pode ser fumaça, mas que se esclareça.
Já saiu o extintor para a fumaça:
– “pressão” da jornalista para resposta em 30 min. justifica reacção tempestiva do ministro.
O ministro passa de pressionante a pressionado…
E quanto à questão das “informações pessoais”, nada foi dito, apenas desmentido, mas avanço uma resposta futura. O ministro terá dito – a propósito da sua agenda apertada:
– Isto é sobre informações pessoais, quer que eu as publique na internet?
A jornalista terá pensado que ele queria publicar as informações pessoais dela na internet, enquanto que o ministro apenas falava da sua agenda pessoal que não a colocaria na internet.
Que tal?
Portanto, tudo passa facilmente a mero equívoco, e o ministro esteve este tempo todo calado, por falha dos criativos da retórica, ou dos controladores – que parece que estão em greve.
É uma boa pergunta, Leonor. Acho que fizeram mal em chumbar os pedidos. Mas quanto à “alegada pressão” é melhor ir devagar. Ignoro o que aconteceu, mas se alguma coisa sei é que pressões há todos os dias nas redacções dos jornais. Por parte de políticos, de empresários, de dirigentes de futebol, etc. O ideal seria que não houvesse, mas não vale a pena iludir a questão, sempre foi assim e assim será. Tudo para te dizer que há pressões e pressões. Relvas nunca granjeou grandes simpatias, por isso mesmo verifica-se uma enorme predisposição para o condenar sumariamente. Gosto, sobretudo quando estão na berlinda figuras impopulares, de não me precipitar. A ver vamos, como dizia o ceguinho.
Ora aí está, Teresa, eu escrevi ‘alegada’ pressão, mesmo me irritando este exagero no uso da palavra globalmente falando e não pressão. Mas que se averigúe a verdade. Não vejo razão nenhuma para Relvas não ir à Assembleia da República. Nenhuma. Como digo no título ‘quem não deve não teme’ e em caso de dúvida ele deve essa explicação ao país. E mais, se de facto não pressionou ninguém é do interesse do PSD que tudo isto se esclareça sob pena do governo ficar mais uma vez manchado por uma conduta duvidosa.
Certo.
Leonor, o Relvas não se recusou a ir ao parlamento. Disse que só lá ia depois de concluido o processo da ERC, o que é diferente. Eu não tenho duvidas que tudo isto se vai esclarecer, afinal trata-se da 2ª figura do governo, mas se calhar ainda vamos ter algumas surpresas.
Sim, o Relvas hoje já disse que está disponível para ir ao Parlamento, mas ontem o PSD e CDS/PP chumbaram a ida dele ao Parlamento. Espero que tudo se esclareça também, Alexandre, é exactamente disso que se trata. Sou a favor da transparência, nós, portugueses, merecemos pelo menos isso.
“O ministro ligou [pelo menos] três vezes
A primeira chamada caiu no voicemail da directora do Público, Bárbara Reis. Passavam alguns minutos das 4 da tarde de quarta-feira dia 16. Várias outras se seguiram, sem êxito. Relvas dera indicações ao seu assessor para responder, por e-mail, a uma pergunta da jornalista daquele diário, Maria José Oliveira: “Todos os esclarecimentos foram oportunamente prestados em sede própria, ou seja, na 1ª Comissão Parlamentar”.
A pergunta era esta: O ministro afirmou lembrar-se da primeira notícia que recebeu no clipping diário de imprensa: ‘Lembro-me que a primeira era: George W. Bush visita México. Fonte: Reuters’, afirmou. Esta mensagem foi recebida em que altura?”
Maria José Oliveira confrontava, assim, o ministro com a sua própria afirmação, feita na véspera, na AR, sobre a sua relação com o ex-director do Serviço de Informações Estratégicas e de Defesa, Jorge Silva Carvalho. No Parlamento, Relvas admitira ter recebido e-mails e sms do ‘superespião’, mas foi taxativo: apenas conheceu Silva Carvalho depois de ser secretário-geral do PSD, em Março de 2010.
Maria José Oliveira encontrou nessas declarasções, uma contradição. Se Relvas e Silva Carvalho só se conheceram depois de março de 2010, como é que o primeiro e-mail de que o ministro se recordava, remetido pelo espião, relata uma visita de Bush ao México que se realizou em 2007?”.
O resto continua na Visão…; talvez tenhas aí uma parte das respostas, Leonor.
Vamos ver, Sérgio.