A propósito das eleições na Grécia


enlil,

Em 1998, contra o aviso de opiniantes encartados, de politólogos televisivamente encadeirados e mesmo de pollsters munidos da sua estatística ciência, o povo do nórdico Minnesota, gente conhecida pela moderação e nada atreita a fantasias, elegeu para Governador do seu gélido estado o Sr. Jesse Ventura.

Jesse, the Body, assim era conhecido até que na campanha virou a sua alcunha para Jesse, the Mind. Concorreu contra os partidos clássicos e seus soporíferos candidatos. Tanto o democrata como o republicano, mais vírgula menos vírgula, ambos debitavam semelhantes vacuidades, seguros do bom senso dos seus eleitores. Todavia, o bom senso destes resolveu-se pelo mote eleitoral de Ventura, “don’t vote for politics as usual” e acabou elegendo um absoluto marginal da política, ex-Navy SEAL e de fama nacional como wrestler da WWF – donde o prévio cognome de Jesse, the Body.

Nos meses seguintes às eleições proliferou nos pára-choques dos automóveis como matrícula do Minnesota o auto-colante: “My governor can beat up your governor” – teve graça.

Entrou o governo em colapso? Os despautérios verbais de Ventura comprometeram o Estado? Foram postas em marcha políticas extravagantes? Pois nada, tudo ficou mais ou menos na mesma. Só os lobbyistas passaram por um mau bocado, por não conhecerem de todo o novo pessoal político que se instalou na mansão do governador.  

Em 2003 Jesse Ventura desistiu de se recandidatar e o Minnesota regressou ao seu normal estado de hibernação.

Às vezes é preciso pregar-lhes um susto.

 

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