Sou um animal de duas cabeças que matam a fome em pratos diferentes. Quando as lágrimas me caem ao peito não sei qual rosto consolar, pois penso com o coração. Sempre que o raciocínio sobe até um dos seus cérebros perco momentaneamente a claridade na visão. Gatinho às escuras até encontrar novamente a sabedoria de que todos nós somos dois, três ou quatro num só corpo pesado e de que a beleza só nasce quando abraçamos a nossa multiplicidade.
Sou um animal de duas cabeças
claudiakover,

Gosto deste blogue. Não gosto de ver escrito “caiem”.
Verbo Cair – Presente do Indicativo, 3ª pessoa do plural: eles caem.
Verbo Sair – eles saem
Verbo Trair – eles traem
…
Espero que não me leve a mal.
Agradeço a correcção da gralha e não levo a mal, mas não havia necessidade de revermos a “tabuada” completa. 😉
Experienciando a 4ª dimensão, Cláudia?!
Gostei desta prosa. Eu, por vezes, até tenho três cabeças. A do coração, a da razão e a do impulso imediato que é uma mistura das duas anteriores…
Difícil viver com estas multiplicidades!
Obrigada Helena! 🙂 Fico muito feliz por ter gostado. Tive muita pena de não me ter sido possível ir ao almoço para a conhecer pessoalmente e conversar com todos vós. A multiplicidade é, realmente, uma batalha interior constante, mas claramente uma virtude.
Há outro erro: “consolar” e não “consular”, a não ser que uma das cabeças pertença ao corpo diplomático…
ai credo, isto hoje é só gralhas! perdoem-me!
Eis um texto difícil e complexo, pela subjetividade que apresenta. (Risos)
Mas concordo com a sua ideia de “multiplicidade”. Às vezes, sinto que sou mais ou menos eu – umas vezes mais, outras vezes menos! (Bolas, isto tem mesmo muito que se lhe diga.)
Por outro lado, costumo dividir o “meu eu” em duas partes: uma racional e uma emocional (fifty fifty :)) O problema está quando não equilíbrio entre elas.
Bem, penso que não há certo nem errado nestas coisas, apenas diferentes formas de ser. 🙂
N.B.: Ainda tenho que aprofundar melhor esta minha teoria. 😉
Cristina Silva
Obrigada Cristina! Irei com certeza voltar a abordar o tema! 😉
“Cada alma é por si só uma sociedade secreta”, dizia Jouhandeau e digo eu, que o sinto tantas vezes. Gostei de ler-te, Cláudia.
Obrigada Ana! Um grande beijinho*
Deixando as gralhas para os escribas profissionais, gostei do entrançado da sua multiplicidade.
Raios! Ora, um post nas margens da blogosfera! E um post perfeito! Podes não escrever mais durante dois meses! E não te incomodes que te procure todos os dias. Parabéns.