O rigor jornalístico (por ordem decrescente)
Rui Rocha,
Chanceler ou chancelerina?
Disse.
– Origem?
– Berlim.
– Nome?
– Merkel.
– Ocupação?
– Não. Desta vez estou só de visita.
A Roda dos Alimentos, essa infernal maquinação concebida com o único objectivo de manipular as massas incautas e de as impedir de comer bife todos os dias.
Alimentação diária com Cereais e derivados, tubérculos – 28%, Hortícolas – 23%; Fruta – 20%; Lacticínios – 18%; Carnes, pescado e ovos – 5%; Leguminosas – 4%; Gorduras e óleos – 2%? E água? Água? Bah! Isto não pode ficar assim. Bora fazer a petição?
Julgava eu que vivíamos numa sociedade capitalista. E que uma das características das sociedades capitalistas era o consumo desenfreado concretizado na compra indiscriminada induzida pelo marketing, pela propaganda e pela publicidade, formas estas de manipulação de massas indefesas. E que só esse consumismo exacerbado permitiria ao capitalismo retroalimentar-se, sempre numa busca incessante e voraz de novas vítimas do modelo de exploração. A inovação, a vertigem tecnológica, o lançamento de novas séries, o re-styling, os ciclos cada vez mais curtos de obsolescência, tudo isto teria, supunha eu, uma lógica capitalista subjacente. Com a consequente maximização do lucro das empresas à custa de todos quantos, seduzidos pelo bombardeamento de apelos à compra do desnecessário, do supérfluo, do redundante, acabariam por funcionar como uma enorme e proletarizada população de ratinhos que teria como única missão impulsionar com as respectivas patinhas a giganteca roda da exploração. Mais, estava convencido de que tudo isto teria um nexo de causalidade com o aquecimento global, a escassez de recursos não renováveis, a poluição, a acumulação de lixos oceânicos e todo um vasto conjunto de ameaças e desastres naturais. E que, no final da estrada deste capitalismo sem freio estaria a proletarização e o empobrecimento dos iludidos, subjugados à força pelo consumismo e pelo engodo do crédito fácil concedido por banqueiros ávidos, e o esgotamento dos recursos. Pobre de mim, pensava que consumir acima das possibilidades individuais e colectivas eram a essência mesma e a sustentação do modo de ser capitalista, ainda que fossem também a semente da sua própria destruição, uma e outra vez anunciada. E que a crítica ao modelo era um património reclamado por uma certa esquerda. Depois, ouvi Isabel Jonet dizer umas tontices sobre consumismo exacerbado e a necessidade de fechar a torneira quando se lava os dentes que, se virmos bem, reproduzem esse diagnóstico dos vícios e desvios do sistema capitalista. E vi gente que se proclama de esquerda a esquartejá-la sem piedade, atirando-se-lhe aos bofes como ela se atirou aos bifes. Concluo, portanto, que Portugal é uma ilha. Que num mundo que consome como se não houvesse amanhã, fomos capazes de nos manter puros e contidos, frugais e amigos do ambiente, apesar da cupidez dos banqueiros e da codícia dos grandes grupos empresariais. E que todos aqueles que passaram anos a criticar uma sociedade consumista e desumanizada estavam afinal enganados. Tudo está bem quando acaba bem.
(…)
Urge por isso permitir que grupos e movimentos de cidadãos tenham a capacidade e a possibilidade de estarem representados na Assembleia da República, fora do âmbito tradicional dos partidos, já que estes candidatos trarão à função de deputado uma nova dinâmica e responsabilidade políticas, pelo seu envolvimento em causas especificas e não partidárias. Esta mudança manteria a Constituição da República Portuguesa a par da mudança social a que o país assistiu nos últimos 30 anos e, estamos certos, contribuiria para aumentar a participação cívica em Portugal
Assim, os portugueses abaixo-assinados, ao abrigo do direito de petição, solicitam que os deputados à Assembleia da República, aquando da abertura do próximo processo de revisão constitucional:
Proponham a alteração do n.º 1 do artigo 151º da Constituição da República Portuguesa de modo a que este passe a permitir a candidatura de grupos de cidadãos independentes à Assembleia da República.
Os interessados em consultar o texto integral e em subscrever podem fazê-lo aqui.
Não. Pelo contrário. Já não há nostalgia como havia antigamente.