Mais uma zorrice do Zorrinho. São os ares da Azaruja, onde estas palermices são paridas ao fim-de-semana, depois da viagenzinha de ida e volta no A5 pago com a ajuda da Mme Merkell.
sê bem-vinda a este país de história, tradição, glória e conquista. Obrigado pelo trabalho que tens feito. Pela primeira vez nos últimos trinta anos este povo galvanizou-se e começou a entender que a história, tradição, glória e conquista tem de ser re-equacionada . Obrigado por nos fazeres a quase todos pobres, porque tenho a expectativa que os pobres também deixarão de ser forretas. Obrigado por nos ajudares a ver que a nossa dita elite é vazia de projectos, pobre em soluções, fraca nas atitudes e paupérrima a empreender. Obrigado por desconjuntares os nossos fracos alicerces e obrigar-nos a edificar uma sociedade mais virada para o Outro que para nós mesmos. Obrigado por mostrares a cada um de nós que o Sol não gira em torno de nosso umbigo. Obrigado por transformares os obesos banqueiros em pedintes, ainda que estes entendam que os outros pedintes têm a obrigação de manter seus caprichos; esta merda está mal e também vai mudar. Aqui não te agradeço em nada. Obrigado por nos teres feito calar a boca ao teu anterior púpilo e por nos teres mobilizado contra os actuais. Muito te tenho a agradecer, restando-me agora pedir-te que pagues as despesas dos F16 que colocámos nos ares para tua protecção, que nos compenses pelos transtornos que tua visita causou à produção nacional, que pagues os gastos com a polícia e com as refeições que para ti e tua comitiva confeccionámos. Peço-te também que passes pelo Banco Alimentar e deixes umas peças de vitela para serem distribuídas pelas elites deste país, porque nós os pobres contentamo-nos com sardinhas em lata. Em tudo o mais que não tens feito não te agradeço nada.
Tornou-se num lugar tão comum dizer mal da chanceler alemã, que vou ensaiar o contrário: elencar razões para dizer bem dela. Não para aqueles que, como Louçã, num momento de demagogia que só lhe fica mal, a tratam por assaltante; menos ainda para os que a comparam com Hitler (num branqueamento inacreditável do líder nazi). Apenas me dirijo aos que, como eu, desconfiam de tudo o que parece demasiado simples. Que não acreditam que a culpa de todos os males resida numa pessoa.
Omito propositadamente o que ela tem feito mal (da obstinação da austeridade ao enviesamento com que vê a cultura dos países do Sul). Sublinharei apenas os seus aspetos positivos. Ei-los:
Está a defender o Euro e, ao contrário do que o seu próprio eleitorado pretendia, não empurrou a Grécia (os próximos seríamos nós) para fora da moeda única; não ensaiou, ao contrário do que defenderam muitos economistas do Norte da Europa, a ideia de duas moedas distintas dentro da zona Euro (uma para os países de economia forte e outra para os de fraca); tem travado e mantido nos mínimos, dentro do seu país, a extrema-direita xenófoba que tem singrado noutras latitudes europeias, da Finlândia à Holanda, da Áustria à Suécia; tem recuado em diversas matérias a que começou por se opor, nomeadamente no papel do BCE ou na possibilidade de Eurobonds. Apesar de atacada por ter fragilizado a economia alemã com a defesa da unidade europeia, mantém esse rumo.
Merkel desempenha um papel que qualquer chanceler alemão obrigado a submeter-se a votos desempenharia. O seu eleitorado (e o eleitorado do SPD, não nos esqueçamos que foram os socialistas finlandeses que colocaram em causa o auxílio a Portugal) pretende penalizações muito maiores para o Sul. Os tabloides alemães, os comentadores, aqueles que intervêm nos fóruns da Internet fazem Merkel parecer uma amante da Grécia, Portugal, Espanha e Itália.
É fácil chamar-lhe nomes. Difícil é o princípio da tolerância: tentarmos ver as coisas do seu ponto de vista, e depois interrogarmo-nos como se faria substancialmente diferente.
Tudo menos um Clio, caso para o Zorrinho pintar a cara de preto.
Deus nos livre, Ana.
Mais uma zorrice do Zorrinho. São os ares da Azaruja, onde estas palermices são paridas ao fim-de-semana, depois da viagenzinha de ida e volta no A5 pago com a ajuda da Mme Merkell.
Toda a carta é, como diria… um belo naco de prosa.
Ó Zorrinho, um Clio de tonami Hollande é que não é coisa que a xuxialice aprecie.
O modelo tonami é muito confortável e espaçoso.
… salvo seja!
Querida Merkel,
sê bem-vinda a este país de história, tradição, glória e conquista.
Obrigado pelo trabalho que tens feito. Pela primeira vez nos últimos trinta anos este povo galvanizou-se e começou a entender que a história, tradição, glória e conquista tem de ser re-equacionada .
Obrigado por nos fazeres a quase todos pobres, porque tenho a expectativa que os pobres também deixarão de ser forretas.
Obrigado por nos ajudares a ver que a nossa dita elite é vazia de projectos, pobre em soluções, fraca nas atitudes e paupérrima a empreender.
Obrigado por desconjuntares os nossos fracos alicerces e obrigar-nos a edificar uma sociedade mais virada para o Outro que para nós mesmos.
Obrigado por mostrares a cada um de nós que o Sol não gira em torno de nosso umbigo.
Obrigado por transformares os obesos banqueiros em pedintes, ainda que estes entendam que os outros pedintes têm a obrigação de manter seus caprichos; esta merda está mal e também vai mudar. Aqui não te agradeço em nada.
Obrigado por nos teres feito calar a boca ao teu anterior púpilo e por nos teres mobilizado contra os actuais.
Muito te tenho a agradecer, restando-me agora pedir-te que pagues as despesas dos F16 que colocámos nos ares para tua protecção, que nos compenses pelos transtornos que tua visita causou à produção nacional, que pagues os gastos com a polícia e com as refeições que para ti e tua comitiva confeccionámos. Peço-te também que passes pelo Banco Alimentar e deixes umas peças de vitela para serem distribuídas pelas elites deste país, porque nós os pobres contentamo-nos com sardinhas em lata.
Em tudo o mais que não tens feito não te agradeço nada.
Mais do que suficiente para envergonhar o Zorrinho.
Tornou-se num lugar tão comum dizer mal da chanceler alemã, que vou ensaiar o contrário: elencar razões para dizer bem dela. Não para aqueles que, como Louçã, num momento de demagogia que só lhe fica mal, a tratam por assaltante; menos ainda para os que a comparam com Hitler (num branqueamento inacreditável do líder nazi). Apenas me dirijo aos que, como eu, desconfiam de tudo o que parece demasiado simples. Que não acreditam que a culpa de todos os males resida numa pessoa.
Omito propositadamente o que ela tem feito mal (da obstinação da austeridade ao enviesamento com que vê a cultura dos países do Sul). Sublinharei apenas os seus aspetos positivos. Ei-los:
Está a defender o Euro e, ao contrário do que o seu próprio eleitorado pretendia, não empurrou a Grécia (os próximos seríamos nós) para fora da moeda única; não ensaiou, ao contrário do que defenderam muitos economistas do Norte da Europa, a ideia de duas moedas distintas dentro da zona Euro (uma para os países de economia forte e outra para os de fraca); tem travado e mantido nos mínimos, dentro do seu país, a extrema-direita xenófoba que tem singrado noutras latitudes europeias, da Finlândia à Holanda, da Áustria à Suécia; tem recuado em diversas matérias a que começou por se opor, nomeadamente no papel do BCE ou na possibilidade de Eurobonds. Apesar de atacada por ter fragilizado a economia alemã com a defesa da unidade europeia, mantém esse rumo.
Merkel desempenha um papel que qualquer chanceler alemão obrigado a submeter-se a votos desempenharia. O seu eleitorado (e o eleitorado do SPD, não nos esqueçamos que foram os socialistas finlandeses que colocaram em causa o auxílio a Portugal) pretende penalizações muito maiores para o Sul. Os tabloides alemães, os comentadores, aqueles que intervêm nos fóruns da Internet fazem Merkel parecer uma amante da Grécia, Portugal, Espanha e Itália.
É fácil chamar-lhe nomes. Difícil é o princípio da tolerância: tentarmos ver as coisas do seu ponto de vista, e depois interrogarmo-nos como se faria substancialmente diferente.
Nem mais: a senhora tem que agir de forma tal, que não ponha em causa a sua reeleição. Não ver isto, não é ser cego, é não querer ver…