Má sorte não se chamarem Ricciardi
Rui Rocha,
Concluído o acto eleitoral, esgota-se o tempo dos campos opostos, das soluções que se excluem, das costas voltadas entre os partidários de causas diferentes. Reeleito, tem agora Obama a responsabilidade de fazer um esforço sério para unir a nação e tornar-se efectivamente o Presidente não só dos que o apoiaram, como Cristiano Ronaldo, mas também de todos os outros portugueses.
Partilha connosco as tuas previsões para as eleições americanas relativamente aos seguintes dados:
– Composição do colégio eleitoral (total de 538 eleitores: cfr. distribuição na imagem que compara a contribuição de cada Estado em 2012 – censo de 2010 – com a das duas eleições anteriores – censo de 2000): Obama X / Romney Y
– Percentagem do voto popular: Obama X% / Romney Y%.
O leitor que se aproximar mais dos resultados finais terá direito a um post do José Gomes André com a análise dos resultados eleitorais (espero). Como não somos de criar divisões, todos os outros também.
(as previsões dos pundits, politólogos e analistas encartados podem ver-se aqui).
Nate Silver, FiveThirtyEight:Obama 303, Romney 235.
Sam Wang, Princeton Election Consortium: Obama 303, Romney 235.
Drew Linzer, Emory University: Obama 326, Romney 212
Michael Barone, The Examiner: Romney 315, Obama 223.
Ezra Klein, The Washington Post: Obama 290, Romney 248.
Larry Sabato, UVA Center for Politics: Obama 290, Romney 248.
Josh Putnam, Davidson College: Obama 332, Romney 206.
Jay Cost, Weekly Standard: Romney victory.
Philip Klein, The Examiner: Obama 277, Romney 261.
Ross Douthat, New York Times: Obama 271, Romney 267.
Simon Jackman, Stanford University: Obama 332, Romney 206.
Kenneth Bickers, University of Colorado and Kevin Berry, CU-Denver: Romney 330, Obama 208.
Jamelle Bouie, The American Prospect: Obama 303, Romney 235.
George Will, The Washington Post: Romney 321, Obama 217.
Ben Domenech, The Transom: Romney 278, Obama 260.
Markos Moulitsas: Obama 332, Romney 206.
Karl Rove: Romney 285, Obama 253.
Xu Cheng, Moodys’ Analytics: Obama 303, Romney 235.
James Pethokoukis: Romney 301, Obama 227.
Joe Trippi, Democratic consultant, Obama 303, Romney 235.
Dick Morris, FoxNews: Romney 325, Obama 213.
Jim Cramer, CNBC: Obama 440, Romney 98.
Dean Chambers, UnskewedPolls.com: Romney 275, Obama 263.
Cristiano Ronaldo, Real Madrid e Selecção de Portugal (futebol): Obama.
Previsões para todos os gostos. Estas, com excepção da última, foram recolhidas aqui. No fim, ganha o Obama.
Pode um pacato cidadão ter dois-furos-dois em pneus diferentes, uma tentativa de assalto à viatura com quebra de vidro e sem outros prejuízos (pudera, não havia nada de jeito para levar) e um acidente de viação em que não teve qualquer culpa, tudo isto em apenas dois-dias-dois? Pode. Aconteceu-me entre ontem e hoje. E o dia ainda não acabou. Pelo sim, pelo não, tão cedo não volto a dizer mal do Seguro.
Tó Zé Seguro é como a primeira fatia do pão de forma: ninguém a quer mas o certo é que ela está lá.
Caro Tó Zé,
Como sabes, a situação do Estado Social é muito grave. É urgente promover a refundação do Memorando de Entendimento. Para isso, é necessário assegurar uma ampla base de apoio às reformas necessárias. Peço-te para reenviares esta carta a dez amigos na próxima hora. Todavia, se quebrares a corrente, o Estado Social morrerá. Sou quem sabes, Pedro.
Caro Pedro,
Já não acredito nesse tipo de corrente desde que o Vieira da Silva me explicou o modelo de financiamento da Segurança Social. Por isso, não vou dar seguimento à que me enviaste. Em todo o caso, fica sabendo que o PS tem alternativas. Assim, partilho contigo uma outra solução que o Galamba estudou na Alfama Business School e que pelo visto já deu muitos e bons resultados. Estou certo de que este modelo, se for correctamente aplicado, permitirá angariar as receitas necessárias para que possas adoptar políticas de crescimento. Por favor, toma nota das instruções que te envio tal e qual como o Galamba mas transmitiu, com exemplos e tudo para perceberes bem:
ETAPA 1:
Deposita imediatamente 1€ na conta das pessoas que constam da seguinte lista:
1º J. Lello
2º J. P. de Sousa
3º A. Vara
4º P. Campos
5º J. Coelho
6º R. Salgado
Nota: repara que os nomes não estão completos para preservar a privacidade de cada um e manter o princípio de fazer o bem sem olhar a quem.
Nota adicional: no caso do Paulo Campos, porra, digo, do P. Campos, não te admires se a conta destino for a dos pais dele.
ETAPA 2: Agora, tira o primeiro nome da lista e faz subir todos os outros uma posição. Por exemplo, o Sócrates, porra, digo, o P. de Sousa, passa para primeiro e assim sucessivamente. Em 6º lugar coloca os dados da Tesouraria da Fazenda Pública (atenção à questão da confidencialidade; podes pôr, por exemplo, FP para ninguém perceber).
ETAPA 3: Envia por e-mail a, pelo menos, duzentas pessoas e faz seguir também as instruções. Lembra-te, em todo o caso, que quantos mais mails mandares mais hipóteses tem o Estado de ganhar dinheiro.
Sou quem sabes, Tó Zé.
Quais os pratos confeccionados pelo Chef Michel nos jantares da Maçonaria servidos nas Grandes Lojas da Gebalis?
(se orientas a tua vida pela busca permanente do conhecimento mas não consegues descobrir a solução, podes encontrá-la na caixa de comentários à qual só deves todavia aceder se fores capaz de guardar segredo).
Afinal, a maça não era quebrada, nem sovada, nem fresca, nem de letras. Era maça de pedreiro. Já as lojas, bem, as lojas, pelo visto, não eram da GOL nem de outra organização de comércio qualquer. Eram da Gebalis. E com rendas sociais. Quanto aos motivo para tal enquadramento, ninguém sabe dizer. Aqui de longe, todavia, intui-se uma explicação. O Chef Michel devia estar a executar uma qualquer meritória e de público interesse miçon.
Encerramento da discussão da proposta de Orçamento de Estado para 2013. Carlos Abreu Amorim intervém pelo PSD. Arranca destemido. Passa por Marx com apenas uma mão no volante. Saca peão e com os pneus a chiarem cita, e passas a reproduzir por ordem alfabética para não ferir susceptibilidades, Acemoglu & Robinson (estes, note-se, a propósito de obra ainda não publicada entre nós), Arendt, De Soto, Landes (ah pois é), Fuckyouama, ou lá o que é, e Weber. Pensas que é o fim da história. Mas não, ainda há mais. Já sem as mãos no volante e com os quatro piscas ligados, o grande Amorim acelera para concluir afirmando, com todas as letras, que só assim, assim exactamente como ele diz, será possível “frustrar as expectativas escatológicas daqueles que querem que todos percam a esperança”. Embasbacado, soltas um àfodasse, pensando de ti para ti que “frustrar as expectativas escatológicas” é a forma mais elegante que, em toda a tua vida, ouviste usada para designar a prisão de ventre. És, todavia, suficientemente humilde para, vergado pela tua insignificância cultural e ontológica, confirmar no dicionário Priberam se não há ali rabo escondido com gato de fora. E é nesse momento que percebes que não é certo, mas é muito provável, que o grande Amorim estivesse a referir-se não à prisão de ventre, mas ao fim do mundo. Agora, já só te sobra a palidez de um sorriso amarelo, apenas perceptível na comissura dos lábios ainda levemente entreabertos. Era, de facto, demasiado bom para ser verdade. Em todo o caso, se contado não acreditas, podes confirmar tudo isto aqui. Isto e o incrível preço do Dacia Duster.
Fernando Ulrich aconselha os que não quiserem pão a pedirem Brioches, por Deus.
Ah, que saudade. Lembram-se… quando éramos meninos e íamos de casa em casa, disfarçados de monstros ou de zombies, e gritávamos doçura ou travessura? Lembram-se da ansiedade? Do silêncio que fazíamos à espera de um ruído que indiciasse a abertura iminente da porta. Dos olhos a brilhar de excitação? Dos corações que palpitavam, das mãos que se entendiam na ânsia de agarrar o tesouro que nos ofereciam? Pois. Eu também não.
a) Juntar ao caderninho das notas que deves consultar se mais alguma vez te passar pela cabeça votar no PSD:
– Relvas nos Dragões de Ouro;
– Candidatura de Luís Filipe Menezes aprovada por unanimidade pelo PSD/Porto;
– Carlos Abreu Amorim faz intervenção de encerramento do debate sobre a proposta de Orçamento para 2013.
b) Comprar praí mais duzentos caderninhos.
Domingo – Clara Ferreira Alves estica o pescoço em diferido. Marcelo Rebelo de Sousa pede a remodelação do governo pela 4ª (quarta) vez em 10 (dez) minutos. O Sporting faz uma exibição miserável em Fornos de Algodres.
2ª feira – Mário Soares diz do governo o que João Miranda não disse dos impostos de Sócrates. Vítor Gaspar inicia, a meio da tarde, a 3ª (terceira) explicação da progressividade reforçada do imposto sobre o rendimento. Medina Carreira anuncia o fim dos tempos pela 140ª (centésima quadragésima) vez.
3ª feira – João Miranda descobre as vantagens redentoras do aumento da carga fiscal. João Galamba apresenta o perfil da dívida pública na segunda metade da primeira década do século XXI (expurgada dos efeitos do incentivo ao abate de veículos). Manuel Alegre declama um poema sobre o estado de conservação dos dentes dos credores.
4ª feira – Tó Zé Seguro proclama intransigência na defesa do Estado Social. Vítor Gaspar conclui a explicação da progressividade reforçada do imposto sobre o rendimento. Jorge Sampaio pigarreia. Pedro Santos Guerreiro publica um artigo notável no Jornal de Negócios em que usa a adversativa pelo menos 13 (treze) vezes.
5ª feira – O Jornal de Negócios publica uma entrevista de Fernando Ulrich. O Sporting faz uma exibição miserável, agora na Liga Europa. Pacheco Pereira põe as mãos sobre a barriga, António Costa sorri e faz boquinha e Lobo Xavier tenta encontrar posição mais confortável na cadeira. O Jornal de Negócios abre o acesso à entrevista de Fernando Ulrich na edição online.
6ª feira – Paulo Campos dá entrevista exclusiva a canal de televisão. D. Januário recupera em directo da sinusite minutos antes de Vítor Ramalho desfiar, na cara de Mário Crespo, as virtudes da ética republicana. Enquanto assistes de olhos esbugalhados, lembras-te que perdeste a única emissão radiofónica do Governo Sombra que passa a horas cristãs.
Sábado – um membro do governo diz uma patacoada qualquer sobre as fábulas de Esopo ou sobre a indumentária dos comentadores. A CGTP promove uma manifestação multitudinária. Na RTP 1 (um) o Chefe Cordeiro resmunga contra a consistência do bacalhau confitado em cama de alface frisada e espuma de rabanete no preciso momento em que uma das crianças muda para o Gosto Disto.