Encerramento da discussão da proposta de Orçamento de Estado para 2013. Carlos Abreu Amorim intervém pelo PSD. Arranca destemido. Passa por Marx com apenas uma mão no volante. Saca peão e com os pneus a chiarem cita, e passas a reproduzir por ordem alfabética para não ferir susceptibilidades, Acemoglu & Robinson (estes, note-se, a propósito de obra ainda não publicada entre nós), Arendt, De Soto, Landes (ah pois é), Fuckyouama, ou lá o que é, e Weber. Pensas que é o fim da história. Mas não, ainda há mais. Já sem as mãos no volante e com os quatro piscas ligados, o grande Amorim acelera para concluir afirmando, com todas as letras, que só assim, assim exactamente como ele diz, será possível “frustrar as expectativas escatológicas daqueles que querem que todos percam a esperança”. Embasbacado, soltas um àfodasse, pensando de ti para ti que “frustrar as expectativas escatológicas” é a forma mais elegante que, em toda a tua vida, ouviste usada para designar a prisão de ventre. És, todavia, suficientemente humilde para, vergado pela tua insignificância cultural e ontológica, confirmar no dicionário Priberam se não há ali rabo escondido com gato de fora. E é nesse momento que percebes que não é certo, mas é muito provável, que o grande Amorim estivesse a referir-se não à prisão de ventre, mas ao fim do mundo. Agora, já só te sobra a palidez de um sorriso amarelo, apenas perceptível na comissura dos lábios ainda levemente entreabertos. Era, de facto, demasiado bom para ser verdade. Em todo o caso, se contado não acreditas, podes confirmar tudo isto aqui. Isto e o incrível preço do Dacia Duster.
Atentos que “frustrar as expectativas escatológicas” pode não ser uma alusão à prisão de ventre
Rui Rocha,

Há dias, quando escrevi sobre um certo desencanto com a bloga, a minha memória traiu-me quando apontei algumas excepções. É que o Rui é um dos bloggers que mais aprecio. E este post é um monumento e um apontamento humorístico delicioso.
Obrigado, Samuel. Mais uma vez. Pelas palavras e pelos destaques.
Os ricos odeiam-no (ao Dacia Duster).
Não é mesmo?!
Confesso que embora não concordando com uma gota do dito, sempre é um bálsamo ouvir um discurso bem escrito, supreendentemente bem lido e com alguma erudição, mesmo que “in your face”. Refresca dos zorrinhos da vida. Lembrei-me da orquestra do Titanic.
Concedo. Perdi algum tempo a ouvir diversas intervenções. Uma pobreza franciscana, há que dizê-lo. Se o termo de comparação são os zorrinhos (e, de facto são), custa-me admitir que a intervenção seja um bálsamo, mas posso chegar a considerá-la um razoável calicida.
OK exagerei com o “bálsamo”…
Temos uma plataforma de entendimento.
O Rui Rocha hoje estava, de facto, inspirado. Só espero é que o Amorim não fique zangado, pois tem cara de quem sabe conduzir bem.
Pelo sim, pelo não, só vou atravessar a rua em passadeiras.
Não seria estocástica? É que às vezes confundem escatológico com estocástico.
Escreve-se Fukuyama. Mas será que ninguém percebeu que o fim da história era um título irónico? O problema do fim da história é marxista (ou de quem veja a história como um processo). Para qualquer conservador a questão não faz muito sentido.
Mas voltando ao escatológico, pode apenas estar a referir ao intento último, ao que, a final (assim seperado), desejamos para o país. Podia ser isso.
Tudo dito:
LIBERDADE PARA MICHEL, que deu a Portugal a 1ª estrela Michelin!
E há quem confunda estocástica com esgrima.
àfodasse!
Exacto.
Então tá bem. Escatologicamente falando, o fim do mundo chegou pelas mãos do Amorim. Mas eu pensava que o Messias tinha outro nome.
Se vir bem há qualquer coisa no Amorim que evoca as profecias Mayas.
Delicioso. Se a Britcom te apanha…
Agora imagina como será se apanhar o Amorim…