A vossa atenção, por favor: o Sandy também passou no Haiti


Rui Rocha,

Sandy, Sandy e mais Sandy. Sandy nos Estados Unidos, entenda-se. Em Nova Iorque, em Manhattan ou em Wall Street. Temos os directos, os testemunhos, as vítimas e os prejuízos materiais. Pergunta-se se o Sandy é de esquerda ou de direita, se ajuda Obama ou se ajuda Mitt. Como se não tivesse havido Sandy antes de chegar ali. Como se não tivessem morrido 52 só no Haiti. Como se a juntar à doença, à fome e à desgraça que os haitianos já carregavam o Sandy, esse mesmo Sandy, não tivesse trazido mais 200.000 casas afectadas, mais estradas interrompidas e pontes caídas. E mais doença, mais fome e mais desgraça. Entendamo-nos. A notícia não está onde os factos acontecem. A notícia está apenas onde os nossos olhos e ouvidos chegam, ali onde os jornalistas fazem e acontecem. Antes de ser de esquerda ou de direita, o Sandy foi dos de baixo e só depois dos de cima. Os Nadies de Galeano, os Ninguém que jamais figurarão na história universal das primeiras páginas e das crónicas assinadas de última página, moram por estes dias no Haiti.

15 comentários em “A vossa atenção, por favor: o Sandy também passou no Haiti”

  1. Os desgraçados

    Sonham as pulgas em comprar um cão,
    e sonham os desgraçados em ser ricos,
    que em dia afortunado,
    boa sorte vai chover,
    e cântaros dela vão encher;
    mas boa sorte não cai do céu, nem ontem, nem hoje, nem amanha, nem nunca
    nem chuviscas disso cai deste céu,
    Não interessa que rezem por ela,
    ou que a alcancem com vossa mão esquerda,
    que se levantem com o com o pé direito,
    e comessem o ano com uma vassoura nova.

    Os desgraçados, os filhos de ninguém,
    os donos de nada,
    infelizes desprezados,
    que correm como coelhos, matando a vida, estão condenados

    Que não são, mas são.
    Que não sabem línguas, mas dialectos.
    Que não professam a religião, mas a superstição.
    Que não são artistas, mas artesãos.
    Que não praticam cultura, mas folclore.
    Que não são seres, mas recursos humanos.
    Que não tem rosto, mas tem braços.
    Que não tem nome, mas numero.
    Que não figuram na Historia Universal, mas aparecem nos relatórios de crimes do jornal.
    Os desgraçados,
    os que custam menos que a bala que os mata.

  2. O que é a perda de vidas humanas comparada com o encerramento do metro de Nova Iorque por 2 dias??

    São os valores da sociedade moderna, se bem que ainda existam os resistentes.

  3. Nada de novo, também se fala muito no 11 de Setembro de 2001 e do ataque assassino a NY e esquece-se completamente do 11 de Setembro de 1973 e do ataque assassino dos USA em Santiago do Chile, mas isto é o resultado daquilo que muitos defendem embora agora andem a tentar parecer o contrário.

    Cumprimentos

  4. Vou já avisar, se esse filho da puta passar à minha porta amandoli um pontapé no olho qu´até o furaco-o todo. E só não me vou a ele agora porque estou a ser agarrado.

  5. Pensei exactamente a mesma coisa!! No Jornal da Noite da SIC foi uma enxurrada de peças sobre o Sandy e apercebi-me que só o sofrimento dos norte-americanos é que conta.
    Aliás, em todas as tragédias naturais, quanto mais norte-americanos e europeus estiverem entre as vítimas, maior é o sofrimento. Enfim…

      1. A maioria das vítimas no Haiti deve-se às condições miseráveis e degradantes em que a população vive, sendo severamente fustigados quando fenómenos deste tipo ocorre.

        Já relativamente aos americanos, a maioria dos estragos é resultado da pura estupidez, que continuam a construir casas pré-fabricadas essencialmente à base de madeira em zonas normalmente atingidas por tempestades, quando já se provou que zonas com construções de betão têm menores danos, ou seja, ainda que existam danos em Nova Iorque, poucas vítimas houve.

        É caso para questionar como é que um povo tão estúpido assim pode ser tão desenvolvido tecnologicamente.

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