A Liga de Clubes continua a sua cruzada contra José Sócrates


Rui Rocha,

A Liga de Clubes não devia imiscuir-se em questões políticas. Mas a verdade é que já não tenho qualquer dúvida de que o faz e, o que é pior, de forma deliberada. Confesso que já na semana passada me tinha cheirado a esturro. Comentei com amigos: esta coisa de marcar o Benfica-Sporting para a hora a que o Sócrates faz comentário político na RTP não é inocente. Que não, que lá estás tu com as teorias da conspiração, que vês fantasmas em todo o lado, disseram-me. Pois muito bem. Esta semana, a cena repete-se. Para a hora do comentário está marcado um trepidante Académica-Moreirense. Ora toma. Tudo clarinho como água. E agora? Se as audiências de Sócrates voltarem a cair, continuará a Liga de Clubes a negar as suas intenções? E, mais do que isso, assumirá finalmente as suas responsabilidades nesta inqualificável tentativa de silenciamento?

Com senso?


Rui Rocha,

Quando o governo defende o consenso com o PS, pretende obtê-lo

 

a) relativamente à posição dos ministros que defendem cortes significativos nos salários e nas pensões, conduzindo uma parte significativa da população à miséria e a economia ao desastre,  enquanto Portugal continua com mais de trezentos municípios, universidades e politécnicos com cursos duplicados, triplicados e pentuplicados, apoios a fundações completamente injustificados, observatórios e institutos que acompanham a evolução de um par de botas e respectivos cordões, o sector da energia a defender com unhas e dentes as rendas que extorquiu, viaturas topo de gama para secretários de estados e ministros como se o país não estivesse na bancarrota, tudo isto só para dar alguns poucos exemplos,

ou

b) relativamente à posição daqueles outros ministros que defendem que os cortes não podem ser tão brutais, para que Portugal possa continuar, sem dar demasiado nas vistas, a ter mais de trezentos municípios, universidades e politécnicos com cursos duplicados, triplicados e pentuplicados, apoios a fundações completamente injustificados, observatórios e institutos que acompanham a evolução de um par de botas e respectivos cordões, o sector da energia a defender com unhas e dentes as rendas que extorquiu, viaturas topo de gama para secretários de estados e ministros como se o país não estivesse na bancarrota, tudo isto só para dar alguns poucos exemplos?

Abram alas pró Nódoa


Rui Rocha,

 

Quando se pensa um pouco nisso, o Congresso do PS bem pode ser uma versão piorada de uma conhecida série infantil. Ana Gomes é a Macaca Marta, sempre desbocada e pronta a pregar partidas. A Maria de Belém fica bem o papel de Ursa Teresa, muita amiguinha de Seguro e de Sócrates e deste e daquele e daqueloutro. Edite Estrela é a Gata Rosa, sim, um nadinha vaidosa. O Mafarrico desta vez não apareceu, embora haja quem diga que o viu a espreitar atrás dos arbustos. Deve estar a preparar o comentário de amanhã, na televisão. O Sonso, Pedro Silva Pereira, é que não faltou. Vi-o ainda há pouco a conversar com aquele que é agora o melhor amigo do líder, nem mais nem menos do que António Costa, que acabou por aceitar o papel de Orelhas. Por casa ficou o paquiderme Senhor Volumoso, o paizinho do regime. Nos últimos tempos tem andado de trombas. O Turbulento, João Galamba, não pára um segundo. Ele é entrevistas, é twitter, é o camandro. Andou apagadote por alturas da visita do Krugman a Lisboa, mas já se recuperou e agora é um virote. Em termos de declarações de João Galamba, está na hora de estimular a procura pois vivemos tempos de excesso de oferta. O Urso Rechonchudo, Francisco Assis, estava ainda agora sentado ao lado de Carlos Zorrinho, o Senhor Sempre em Pé, e de Almeida Santos, o Rato Relojoeiro. Todos ficaram muito animados quando ouviram falar o Tó Zé, o boneco de madeira. No fim, cantaram a plenos pulmões o Abram Alas pró Nódoa. Depois, entraram no seu carro amarelo. O Nódoa é o taxista de serviço. Enquanto for abanando o guizo, vão deixá-lo conduzi-los até ao poder. Mas, no fundo, cada um deles tem o seu próprio destino. O PS é isto. E Portugal é a cidade dos brinquedos.

Antevisão de mais um clássico


Rui Rocha,

Trata-se, evidentemente, de uma luta desigual. De um dos lados, diversidade de recursos, grande experiência e uma abordagem muito mais alegre e variada que cativa o espectador. Os defeitos, que evidentemente existem (propensão especulativa e posicionamento pouco consistente) acabam por ser disfarçados pelo elevado ritmo imposto. Do outro lado, em contrapartida, um estilo repetitivo, por vezes muito irritante, preso a modelos passados e com gritantes lacunas tácticas em diversos momentos, contribui para uma notória falta de entusiasmo mesmo dos apoiantes mais empedernidos. Tudo ponderado, creio que a coisa terminará com uma nova goleada.

Depois de Boston, um voto de confiança na humanidade


Rui Rocha,

Boston. Fucking horrible. 

I remember, when 9/11 went down, my reaction was, “Well, I’ve had it with humanity.”

But I was wrong. I don’t know what’s going to be revealed to be behind all of this mayhem. One human insect or a poisonous mass of broken sociopaths. 

But here’s what I DO know. If it’s one person or a HUNDRED people, that number is not even a fraction of a fraction of a fraction of a percent of the population on this planet. You watch the videos of the carnage and there are people running TOWARDS the destruction to help out. (Thanks FAKE Gallery founder and owner Paul Kozlowski for pointing this out to me). This is a giant planet and we’re lucky to live on it but there are prices and penalties incurred for the daily miracle of existence. One of them is, every once in awhile, the wiring of a tiny sliver of the species gets snarled and they’re pointed towards darkness. 

But the vast majority stands against that darkness and, like white blood cells attacking a virus, they dilute and weaken and eventually wash away the evil doers and, more importantly, the damage they wreak. This is beyond religion or creed or nation. We would not be here if humanity were inherently evil. We’d have eaten ourselves alive long ago. 

So when you spot violence, or bigotry, or intolerance or fear or just garden-variety misogyny, hatred or ignorance, just look it in the eye and think, “The good outnumber you, and we always will.”

 

Patton Oswalt no Facebook.

Más notícias para a ficção de produção nacional


Rui Rocha,

O programa de José Sócrates na RTP1 atingiu ontem, dia 14 de Abril, 757 mil espectadores, uma queda em relação aos 978 mil da emissão inaugural da semana anterior e aos 1,6 milhões da sua entrevista de 27 de Março. (via Insurgente)


Mais umas semanas e ainda vai parar às manhãs de Domingo da RTP para tentar fazer concorrência à aposta da SIC em Rex – O Cão Polícia. 

Os guardiões da cultura democrática


Rui Rocha,

Ao contrário do que pretendem, prestam um bom serviço a Passos Coelho todos os guardiões da cultura democrática que têm investido o seu tempo a sublinhar os vários pontos em que os novos membros do governo manifestaram discordância com o primeiro-ministro. Com todos os seus muitos defeitos, Passos tem revelado, nesse particular, que está a uma enorme distância daqueles outros auto-proclamados democratas que, inchados, demonstram  sempre  infinita abertura, compreensão e tolerância apenas e só para toda a sorte de genuflexões que lhes são dirigidas. E é só isso que os tais atarefadíssimos guardiões acabam por sublinhar.

No tempo de D. Carlos, por muito menos que isto Mário Soares teria sido deportado


Rui Rocha,

 

 

Deixando de lado considerações sobre a clarividência  actual (ou falta dela) de Mário Soares, talvez seja oportuno recordar que afirmações deste teor, se proferidas na fase final do reinado de D. Carlos a propósito dos responsáveis políticos de então,  teriam como consequência mais provável, nos termos do Decreto de 30 de Janeiro de 1908, a expulsão ou a deportação para alguma das colónias:

 

No dia 30 de Janeiro, o ministro Teixeira de Abreu foi a Vila Viçosa submeter à referenda régia um decreto que previa a expulsão do País ou a deportação para as colónias de África e Timor dos alegados implicados em conspirações ou delitos contra a segurança do Estado, «quando os interesses superiores do Estado assim o aconselharem». “O ministro regressou no dia 1 de Fevereiro, de madrugada. O decreto foi logo impresso; circulava pouco depois, entrando logo em vigor.” (in História do Regimen Republicano em Portugal) Com este decreto, obtém o governo de João Franco do rei um instrumento de violenta repressão administrativa sobre os seus opositores.

Já por aqui se vê o despropósito da comparação e o profundo desrespeito pela instituições democráticas que o proclamado paizinho do regime insiste em revelar. O facto de a passagem transcrita ter sido encontrada no site da Fundação Mário Soares é apenas um pormenor sem especial relevância.