Vamos lá, rapaziada


Rui Rocha,

Momento 1:

 

Publicação no TAF da seguinte nota:

 

Leio hoje no Público: “Em vésperas de extinção Gaianima faz ajustes directos de 130 mil euros.” “Os contratos foram feitos com as empresas NextPower Comunicação Lda e com a Boston Media Comunicação Imagem SA”.

Conheço relativamente pouco as máquinas partidárias, mesmo a do PSD, mas nesta notícia (além do relato preocupante de um ajuste directo numa empresa municipal) o nome da empresa “NextPower” soou-me familiar e fui investigar. Confirmou-se. Segundo o seu perfil do LinkedIn, Fernando Moreira de Sá (julgo que militante do PSD), um activo apoiante de Luís Filipe Menezes e de Carlos Abreu Amorim, é CEO da NextPower e de outra empresa chamada Comunicatessen. Constatei também que os domínios oficiais na Internet das campanhas para o Porto e para Gaia foram registados em nome da Comunicatessen. Daí que surja naturalmente a pergunta: é afinal a Gaianima (empresa municipal de Gaia presidida por Ricardo Almeida, também presidente da Concelhia do PSD/Porto) que está a pagar as campanhas de Menezes e de Amorim?

 

Momento 2:

 

Miguel Noronha faz eco no Insurgente da nota publicada no TAF.

 

Momento 3:

 

Fernando Moreira de Sá responde no post de Miguel Noronha.

 

Com especial interesse, sublinhem-se

 

3. A Nextpower não trabalha a campanha de Carlos Amorim que, aliás, nem tem nenhuma empresa de comunicação a trabalhar com ele mas sim um assessor de imprensa que nunca trabalhou em agências…

 

11. Por último, deixo uma pergunta: acham que seria assim tão estúpido para fazer tudo às claras se existisse alguma coisa a esconder? Não acham, no mínimo, estranho?

 

Extremamente interessantes são também alguns dos comentários feitos por leitores do post do Miguel Noronha. Quanto ao ponto 3 da resposta de Fernando Moreira de Sá, importa ter em conta o que se dirá no Momento 4. Já no que diz respeito ao ponto 11, devo desde já salientar que é um argumento tão imbecil que dificilmente se compreende que seja utilizado por alguém que faz da comunicação e da mensagem a sua profissão. 

 

Momento 4:

 

Leitor do post de Miguel Noronha, perante a afirmação do ponto 3 da resposta de Fernando Moreira de Sá recorda que aqui está a time-lapse final da apresentação do candidato Carlos Abreu Amorim (Gaia não pode Parar). Um trabalho que nos orgulha.” – NextPower Norte.


Momento 5:

 

Este vosso servidor tenta contribuir modestamente com a transcrição de uma passagem que encontrou por aí e que também pode ter o seu interesse no esclarecimento do ponto 3 da resposta de Fernando Moreira de Sá:

 

A equipa de comunicação digital da candidatura de Carlos Abreu Amorim/Gaia Não Pode Parar lançou a primeira time-lapse de um evento de apresentação de uma candidatura autárquica em Portugal nas redes sociais.


Publicada na página Vimeo da candidatura e mais tarde partilhada na respetiva página de facebook e twitter, este vídeo resumo em pouco mais de 30 segundos as duas horas e meia do evento realizado no passado sábado nas Caves Ferreira, em Vila Nova de Gaia.

Segundo os seus criadores, a SpinFilmes/Nextpower Norte, a mesma foi filmada com duas diferentes câmaras GoPro (GoPro Hero2 e a mais recente GoPro Hero3) colocadas em dois locais específicos do espaço.

Segundo os autores deste trabalho, “a aposta nas redes sociais permite, de forma mais económica, conseguir passar a mensagem a milhares de pessoas. Estas serão as primeiras eleições autárquicas em Portugal onde o digital e em especial as redes sociais, vão ter um papel muito especial”.

A Spinfilmes/Nextpower Norte, segundo dados da empresa, está a gerir, em termos de comunicação digital, mais de uma dezena de perfis de facebook relacionados com as próximas eleições autárquicas.

 

Conclusão preliminar: 

 

Sim, podíamos investir o nosso tempo discorrendo longamente sobre o momento e a oportunidade em que estas coisas surgem, trazendo ao caso máximas populares sobre comadres e as suas zangas ou aproveitando para salientar que é incrível como se escreve mal em certas actividades de “comunicação”. Exacerbadamente rigorosos que fôssemos e até bateríamos no peito com indignação arengando sobre a utilização do dinheiro dos nossos impostos, as funções sociais do Estado ou a taxa de solidariedade imposta aos pensionistas. Claro que nada disto vale a pena. Resta-nos emigrar para longe desta porra toda ou ficar, fazermo-nos de parvos, e cantar com o Emanuel. Vamos lá, rapaziada:

 

 

 

Recuar mais para a frente


Rui Rocha,

Não, não e não. O CDS não recuou. Vejamos. Paulo Portas afirmou que havia uma linha que não podia ser ultrapassada. Isto é, no momento em que fez tal afirmação, Portas estava antes da linha. E não queria passar para além dela. Ora, se agora admite, a título absolutamente excepcional, uma vez sem exemplo, é só desta e não se fala mais nisso, é porque avançou e não porque recuou. Vamos lá. No limite dos limites, posso admitir que tenha recuado mais para a frente. Ou, eventualmente, que tenha avançado lá para trás.

Ajoelhou?


Rui Rocha,

 

É provável que o Benfica tenha perdido o campeonato. Mas, ao contrário do que se possa pensar, o mais certo é que o contributo decisivo para esse desfecho resulte não da derrota de hoje, mas da vitória que averbou no jogo contra o Sporting. Ganhando como ganhou, de forma injusta e imerecida, o Benfica convenceu-se que acabaria por ser campeão em qualquer circunstância, apesar de tudo e contra todos, sem necessidade de fazer por isso. Para isso muito contribuiu o seu treinador que, com a fanfarronice que o caracteriza, afirmou que o triunfo da sua equipa foi “limpinho”, passando a mensagem errada para o seu balneário. Hoje ajoelhou aos 93.38″. Mas já antes se tinha posto de cócoras quando optou por colocar Roderick em jogo numa clara manifestação de insegurança e medo perante o adversário. Em todo o caso, agora que ajoelhou vai ter de rezar.


* publicado originalmente aqui.

 

Mantenho-me alerta e conto-vos se houver novos desenvolvimentos


Rui Rocha,

Desde que chegou a casa, ontem ao fim da tarde, mantive-me atento e vigilante. Até ver, nada.  E isso ainda me perturba mais. Será esta aparente normalidade um sinal de que algo de muito grave se passa? Que terríveis consequências estarão a desenvolver-se enquanto a alegria, a vivacidade, o entusiasmo, o brilho nos olhos, esse mesmo de sempre, tudo isso se mantém. O próprio beijo que me deu à noite pareceu tão igual aos da semana passada. Não sei, confesso que não sei. Entretanto, temo e tremo. Enquanto redobro a atenção. Se isto continuar assim, sem que nada aconteça, levo-a ao médico. Afinal de contas, já passaram mais de vinte e quatro horas desde que a Leonor fez o exame de Matemática do 4º ano. E todos sabemos que isso só pode ter provocado sequelas traumáticas. 

Precisávamos tanto de ser salvos e o melhor que arranjámos foi o Carlos Abreu Amorim


Rui Rocha,

Estávamos todos desesperados por ser salvos por Carlos Abreu Amorim. Carlos Abreu Amorim não é um pássaro. Nem é o super-homem. É um porta-aviões. Que estacionou ao largo da nossa democracia, ali por alturas de Angeiras, e está prontinho para nos resgatar. Há políticos com espessura. Carlos Abreu Amorim tem volume. Há políticos com sentido de estado. Calos Abreu Amorim é um estradista. Meu Deus, os quilómetros que este homem não terá feito entre Viana onde foi eleito deputado e Gaia onde se candidata a já nãoseibemoquê. Há políticos abrangentes. Carlos Abreu Amorim é espaçoso. Há  políticos com faro. Carlos Abreu Amorim tem tacto. E eu sou um piano de cauda. Há animais políticos. E há Carlos Abreu Amorim. Se Carlos Abreu Amorim  podia ter prolongado uma enormíssima carreira em alguma das menos prestigiadas instituições universitárias do país? Se podia ter guardado a exclusividade da sua inigualável veia de contorcionista para as águas profundas de um escritório de advogados tripeiro, fazendo ouvir, esporadicamente, a sua voz tronitruante na barra de um Tribunal de Paredes ou de Gondomar? Podia. E seria exactamente a mesma coisa. Na academia, na barra ou até num ancoradouro. Carlos Abreu Amorim seria igual a si próprio, variando conforme as circunstâncias, sempre com a mesma convicção, falando de cátedra sobre o estilicídio, o produto interno bruto (não podia ser outro) do município de Móstoles nos arredores de Madrid ou um par de botas e respectivos cordões. Hoje com o tiroliroliro, amanhã com o tiroliroló, sempre a bombar na concertina. Estávamos desesperadamente a precisar de ser salvos por Carlos Abreu Amorim. O problema é que não sabíamos e continuamos a não saber. Desgraçadamente, a oportunidade vai perder-se por falta de colaboração da nossa parte. É sempre assim neste país. Agora, só há uma possibilidade de Carlos Abreu Amorim cumprir o seu fabuloso destino. Pode sempre doar a coluna vertebral à ciência e as cordas vocais à coerência.

O caminho mais curto entre um tacho passado e um tacho futuro pode também ser uma parábola


Rui Rocha,

O actual primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, convidou António Nogueira Leite para ser o presidente executivo da CGD e uma semana depois cancelou o convite sem dar qualquer justificação.


A informação é revelada pelo próprio Nogueira Leite em entrevista ao PÚBLICO, disponível na edição impressa deste domingo, e na qual reconhece: “Cometi um erro [ao aceitar integrar a administração da CGD, como vice-presidente].”


O economista explica ainda as razões que o levaram, no final de 2012, a pedir a demissão a meio do mandato, deixando assim a equipa de José Matos, que Passos Coelho foi buscar ao Banco de Portugal para presidir ao banco público. “Sou um profissional e não queria ter a minha reputação profissional arruinada por estar numa situação difícil e com um accionista [a Direcção-Geral do Tesouro/Finanças] que não sabia o que queria.”


Nogueira Leite tece ainda elogios a António José Seguro, o líder socialista, por considerar que ele tem “ maturidade democrática” para alcançar um consenso mínimo que dê sustentabilidade ao programa de ajustamento e culpa o Governo pela actual falta de consenso, “pois não tem ouvido ninguém.”

40 horas


Rui Rocha,

De entre todos os sacrifícios pedidos e suportados nos últimos anos, este de aumentar o horário de trabalho da função pública para 40 horas de trabalho semanais parece ser dos mais suportáveis. Trabalhar mais tempo pode não ser agradável mas, nos tempos que correm, é o menor dos males. Para além disso, é uma solução difícil de contestar tendo presente o princípio constitucional da igualdade tantas vezes invocado nos últimos tempos. Mais, se até agora alguns acusavam os funcionários públicos de viverm numa realidade à parte e de não serem solidários, por exemplo, com as centenas de milhares de trabalhadores do sector privado que foram empurrados para o desemprego, isso agora mudou. De facto, nunca se ouviram tantas declarações de servidores públicos e seus representantes tão genuinamente preocupados com o desemprego como as que, a propósito deste aumento de horário, foram proferidas nos últimos dias. 

À atenção do Senhor primeiro-ministro


Rui Rocha,

 

Da outra vez foi o Paulo de Carvalho e a Nini. Hoje também não faltam opções na Grande Lisboa para o caso de ter vontade de ir cantar depois da comunicação ao país. Então e o que é que vai ser? O dos Deolinda para entoar a Parva Que Eu Sou, a Fon Fon Fon e a Um Contra o Outro a plenos pulmões? Ou o do Homem de Marte & Os Invasores? Talvez o do Capitão Fantasma + Corpus Christi + Atentado? Ou será mais apropriado o do Mick Trovoada? Em todo o caso, atenção que o dos Tortoise foi cancelado.

Mais um a fazer o percurso do costume


Rui Rocha,

Primeiro dizem na campanha eleitoral o contrário daquilo que acabam por fazer quando são eleitos. Uns tempos depois, estão a fazer comunicações ao país à hora do telejornal. Mais cedo ou mais tarde, se tivermos sorte, acabam numa instituição internacional, numa empresa de construção ou numa farmacêutica na américa do sul. Com azar, apanhamo-los em horário nobre a comentar a situação do país.

1º de Maio


Rui Rocha,

 

A tragédia do Bangladesh não nos deveria deixar indiferentes. Desde logo, pelas mais de 400 pessoas que morreram em condições absolutamente inaceitáveis e pelas suas famílias. E isso é, evidentemente, o aspecto mais dramático da situação. Mas, também, porque esse acontecimento representa a ponta do icebergue de um desastre de repercussões mais vastas. As centenas de milhares de desempregados portugueses e de milhões de desempregados em toda a europa são, em parte, vítimas das condições de trabalho desumanas praticadas no Bangladesh e noutras paragens. A globalização selvagem a que assistimos tem um pé apoiado na exploração da miséria no mundo em desenvolvimento e outro no desemprego assustador que se vive em várias zonas do mundo dito desenvolvido. A imagem deste 1º de Maio não pode ser outra que a de um edifício que desabou sobre 400 trabalhadores a milhares de quilómetros daqui. E a resposta não pode ser a que Matt Yglesias subscreve neste post miserável. Nem a cumplicidade das multinacionais ocidentais que condenam as condições de trabalho desumanas apenas e quando estas são praticadas pela concorrência do oriente mas que as incentivam ou admitem quando estas são postas ao serviço dos seus interesses. A resposta está na afirmação de que há valores mínimos de dignidade que são válidos em qualquer parte do mundo e para todas as pessoas. Foi também essa a mensagem de hoje do Papa Francisco. Qualquer outra posição mais não é do que a admissão da escravatura.

“Em Espanha há gente que me odeia”


Rui Rocha,

A frase é de José Mourinho. E retoma uma linha de argumentação muito comum de gente do futebol que exerce a sua profissão em Espanha. Trata-se de afirmar que ali têm um preconceito contra jogadores e treinadores portugueses. Que é muito difícil ser português em Espanha. Ora ananases. Com o dinheiro e o poder que esta gente tem? O que é fodido é ser português em Portugal. Com desemprego, precariedade, salários miseráveis, pobreza para dois ou três milhões de habitantes, presente de angústia e futuro de miséria.