![image[1].jpg](https://delito.brucke-multimedia.com/images/2019/21622054_esMIY.jpeg)
Ao contrário do que muitos supõem, o maior desporto nacional não é o futebol: é a inveja. Pura e dura.
Como os comentários lidos e ouvidos nas últimas 24 horas sobre a ida de José Mourinho para o Tottenham confirmam, uma vez mais.
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Ao contrário do que muitos supõem, o maior desporto nacional não é o futebol: é a inveja. Pura e dura.
Como os comentários lidos e ouvidos nas últimas 24 horas sobre a ida de José Mourinho para o Tottenham confirmam, uma vez mais.
Apesar de ter feito análise vários anos e de considerar que ela me ajudou muito a perceber-me e a escutar os sinais que o corpo e a alma me dão para antecipar futuros efeitos funestos, a verdade é que existem algumas pequenas janelas que conseguiram escapar àquele processo.
Sou daquelas que se envaidecem quase tanto com os sucessos dos portugueses, como se seus fossem. Não são. Pertencem aos próprios e ao país que, esse sim, é nosso. Deles e meu.
A frase é de José Mourinho. E retoma uma linha de argumentação muito comum de gente do futebol que exerce a sua profissão em Espanha. Trata-se de afirmar que ali têm um preconceito contra jogadores e treinadores portugueses. Que é muito difícil ser português em Espanha. Ora ananases. Com o dinheiro e o poder que esta gente tem? O que é fodido é ser português em Portugal. Com desemprego, precariedade, salários miseráveis, pobreza para dois ou três milhões de habitantes, presente de angústia e futuro de miséria.
Verdes Anos, uma excelente reportagem exibida ontem pela RTP – com assinatura de Alexandre Santos, Tiago Passos e Pedro Pessoa – demonstra bem as raízes do fracasso no Sporting: Inácio, que acabara de conduzir a equipa ao título após 18 anos de jejum, foi corrido pela direcção leonina, sob pressão de meia-dúzia de energúmenos. A mesma direcção, insegura e timorata, que cedeu perante o berreiro de três ou quatro basbaques filmados em directo pelas televisões aos gritos “Mourinho nunca!” Segundo o mesmo documentário, aquele que muitos consideram o melhor treinador do mundo terá estado duas horas ao leme da equipa leonina – o que talvez mereça figurar num recorde do livro Guinness.
Despedido no mesmo dia em que foi recrutado para Alvalade, e rumando de imediato a outros destinos onde souberam reconhecer-lhe valor, também José Mourinho experimentou na pele o desgoverno errante da barca sportinguista. Não sei se escreva banca em vez de barca, mas o resultado é o mesmo: quase década e meia de pesadelo. Pela cupidez danosa de alguns, pela incompetente gestão de muitos e pela confrangedora mediocridade de quase todos quantos ascenderam ao poder no clube ao longo deste período negro. Mas também pela cegueira de tantos adeptos, pelo fanatismo inepto da chamada “voz da rua”, bem simbolizada naqueles gritos estridentes “Mourinho nunca!”
Quem berrava assim naquela conferência de imprensa tristemente memorável, espumando de ódio contra o mérito alheio perante o embaraço frustre de Luís Duque, dizia afinal pretender um Sporting para sempre arredado dos títulos e das glórias passadas, condenando à presente irrelevância competitiva e ao descalabro financeiro o clube português que ainda mais triunfa no campeonato do ecletismo e da formação de atletas.
Verdes Anos é um retrato fidedigno da realidade leonina – e, por extrapolação, da própria realidade nacional, onde impera uma espécie de alergia ao sucesso que Mourinho personifica. Um retrato que todos os sportinguistas devem ver e rever. Para evitarmos repetir hoje os graves erros de ontem, tão bem documentados neste filme que funciona como um murro no estômago de qualquer de nós.
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A conferência de imprensa de José Mourinho no fim do Barcelona-Real Madrid desta noite foi uma aula, uma lição de como levar cinco olés na casa do maior rival, virar a situação e terminar como se fosse o grande vencedor da noite. Sem nunca se exaltar, sem nunca cair nas escorregadias perguntas dos jornalistas sedentos de sangue, ainda terminou a refrescar os rostos frustrados com o recente Barcelona-Inter de Milão.
Se dúvidas houvesse e mesmo na noite em que levou cinco em Barcelona, Mou mostrou porque é Mou, um dos grandes treinadores da história do futebol mundial. Quanto à La Liga não tenham ilusões, podiam ter sido 10, o Real Madrid está lá na corrida para dar e durar.
PS. Nota lamentável fica na posse de Nuno Luz (jornalista da SIC) que, quando teve o privilégio de fazer uma pergunta, pediu para Mourinho traduzir para português a resposta que tinha dado à primeira pergunta. Quem assistiu, ouviu Mourinho falar um “portunhol” básico e não resistiu a vilipendiar o jornalista. Não hão-de os espanhóis gozar avidamente connosco…