Estávamos todos desesperados por ser salvos por Carlos Abreu Amorim. Carlos Abreu Amorim não é um pássaro. Nem é o super-homem. É um porta-aviões. Que estacionou ao largo da nossa democracia, ali por alturas de Angeiras, e está prontinho para nos resgatar. Há políticos com espessura. Carlos Abreu Amorim tem volume. Há políticos com sentido de estado. Calos Abreu Amorim é um estradista. Meu Deus, os quilómetros que este homem não terá feito entre Viana onde foi eleito deputado e Gaia onde se candidata a já nãoseibemoquê. Há políticos abrangentes. Carlos Abreu Amorim é espaçoso. Há políticos com faro. Carlos Abreu Amorim tem tacto. E eu sou um piano de cauda. Há animais políticos. E há Carlos Abreu Amorim. Se Carlos Abreu Amorim podia ter prolongado uma enormíssima carreira em alguma das menos prestigiadas instituições universitárias do país? Se podia ter guardado a exclusividade da sua inigualável veia de contorcionista para as águas profundas de um escritório de advogados tripeiro, fazendo ouvir, esporadicamente, a sua voz tronitruante na barra de um Tribunal de Paredes ou de Gondomar? Podia. E seria exactamente a mesma coisa. Na academia, na barra ou até num ancoradouro. Carlos Abreu Amorim seria igual a si próprio, variando conforme as circunstâncias, sempre com a mesma convicção, falando de cátedra sobre o estilicídio, o produto interno bruto (não podia ser outro) do município de Móstoles nos arredores de Madrid ou um par de botas e respectivos cordões. Hoje com o tiroliroliro, amanhã com o tiroliroló, sempre a bombar na concertina. Estávamos desesperadamente a precisar de ser salvos por Carlos Abreu Amorim. O problema é que não sabíamos e continuamos a não saber. Desgraçadamente, a oportunidade vai perder-se por falta de colaboração da nossa parte. É sempre assim neste país. Agora, só há uma possibilidade de Carlos Abreu Amorim cumprir o seu fabuloso destino. Pode sempre doar a coluna vertebral à ciência e as cordas vocais à coerência.
Precisávamos tanto de ser salvos e o melhor que arranjámos foi o Carlos Abreu Amorim
Rui Rocha,

Fabuloso, Rui. É assim mesmo.
CAA tornou-se em pouco tempo, de excelente jurista e comentador aceitável, em mais um “produto” introduzido na nossa vida política por essa magnífica troika (agora órfã do inefável Relvas) que o País conheceu graças ao desconcertante trabalho de um certo comentador televisivo com sotaque entre o 8eme arrondissement ” e as docas de Valência.
Dos esgrouviados da esquerda(só medram no cheiro a sangue)aos campos de relva sintética borrifados pelo robot gasparino:o país político é um imenso pilriteiro.
Que esperar?
Continuemos a aguardar. Mais tarde ou mais cedo, lá virá um José Lello para nos salvar.
Lello!Isso,isso,um passado de estudo da nossa coisa,obra feita.Até o nome.Como pudemos esquecer?Eça!Eça!
Sim, sobretudo da coisa feita.
Teve muito bom gosto sr. Rocha.O seu escolhido é um cavalheiro,um verdadeiro gentleman,especialmente com modos diferentes de entender a política.E(louvemos a Natureza)canta!
O texto está fantástico mas, caramba, Rui, não faças isto quando eu ando a tentar arranjar descaramento para votar no homem…
É nestas alturas que um tipo encontra certas vantagens no facto de viver em Braga.
Dizem as más-línguas (não euzinho, Deus me livre) que produzir críticas como as que ele produziu é uma condição para se passar a fazer parte do governo. Essa candidatura a nãoseibemoquê, se calhar, está a estorvar.
É, mais uma destas e ainda temos o Amorim a ministro das fianças.
Cruzes canhoto! 🙂
Pronto, das faianças.
Ministro das Fianças? das Faianças, ou das Finanças?
Eu sei que é tudo parecido, mas é só para saber…
Não há nada como um partido que tem sempre alguém que rouba os punchlines da oposição.
– Estás a ver Tózé, o CAA pediu a demissão do Gaspar e do Rosalindo, logo a seguir ao “sucesso” da emissão de dívida. Se são os partidos do governo a fazerem oposição ao governo, para que serves, ó Tózé?
Até o PCP ficou meio atarantado…
Porque quando isto toca a ir às Pensões, há um largo consenso que vai do Filipe Pinhal à Heloísa Apolónia.
Aguardo o final do conselho de ministros extraordinários para lhe responder, da Maia. Pode vir a ser das faianças partidas.