40 horas


Rui Rocha,

De entre todos os sacrifícios pedidos e suportados nos últimos anos, este de aumentar o horário de trabalho da função pública para 40 horas de trabalho semanais parece ser dos mais suportáveis. Trabalhar mais tempo pode não ser agradável mas, nos tempos que correm, é o menor dos males. Para além disso, é uma solução difícil de contestar tendo presente o princípio constitucional da igualdade tantas vezes invocado nos últimos tempos. Mais, se até agora alguns acusavam os funcionários públicos de viverm numa realidade à parte e de não serem solidários, por exemplo, com as centenas de milhares de trabalhadores do sector privado que foram empurrados para o desemprego, isso agora mudou. De facto, nunca se ouviram tantas declarações de servidores públicos e seus representantes tão genuinamente preocupados com o desemprego como as que, a propósito deste aumento de horário, foram proferidas nos últimos dias. 

5 comentários em “40 horas”

  1. 1.- Função Pública são aqueles que dependem da hierarquia, encabeçado pelo Ministro.
    *
    2.- Nessa sede muito funcionário não tem equivalente no privado; exemplo: a polícia.
    *
    3. Há função pública que é o próprio Estado sob pena de este ruír; policia, diplomacia, exército, marinha, força aérea, cobradores de impostos.
    *
    4. A Função Pública é a própra Administração Pública, excluindo-se assim outra entidade soberana: os Tribunais.
    *
    5. A maior ou menor quantidade de “função pública” depende da estrutura administrativa que queremos e que podemos. Com mais ou menos “social” temos funcionários. Agora ninguém dispensará a polícia, ou diplomatas de carreira. Não há equivalentes no privado e por isso a sua formação é cara nem têm que ter “solidariedade” com privados porque inexistem.
    *
    6. Não saber isto, e mandar bitaites como tudo fosse igual não é ser só ignorante…

    1. Amigo Monge Silésio , haja o que houver, os funcionários do Estado, públicos, autárquicos, das forças da ordem, etc., estão inconstitucionalmente beneficiados com a semana de trabalho de 35 horas, reforma aos 60 mas média de 50 anos, o ordenado médio de 1.200 €. E isto porque desde o 25A , o poder político se vendeu ao poder dos sindicatos do funcionalismo público, trocando os seus votos por benefícios. Veja-se como o Sócrates foi pela última vez eleito: a quinze dias de eleições aumentou o ordenado dos funcionários do Estado.

      1. Nem todas as empresas privadas trabalham 8h/dia. E a pré-reforma é coisa de privado. Os casos a que se refere são casos de funcionários que (antigamente foi assim) começaram a trabalhar muito cedo, atingindo antes dos 60anos, 40anos de serviço. O que as regras consideravam como necessário para se reformar.
        Comparar a média de ordenado é absurdo. Sabe que o estado neste momento está quase reduzido a técnicos superiores? Os serviços de limpeza, de vigilância, áreas técnicas e até administrativas são adjudicadas a empresas externas? Quer comparar os vencimentos de 100 juízes com 100 operários numa fábrica têxtil do vale do Ave? Vão comparar também objectivos? Estamos a caminhar para um estado ainda mais corrupto e incompetente digno do 3º mundo. Qualquer dia vamos pagar para ter uma senha de atendimento numa qualquer repartição do estado ou Segurança Social, como acontece em alguns países africanos. É esse o estado que queremos…

    2. Diplomatas, cobradores de impostos, juízes, etc, etc, trabalharem como trabalha quem depende de um patrão que não o Estado é OFENSIVO. Isto no mínimo.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *