No tempo de D. Carlos, por muito menos que isto Mário Soares teria sido deportado


Rui Rocha,

 

 

Deixando de lado considerações sobre a clarividência  actual (ou falta dela) de Mário Soares, talvez seja oportuno recordar que afirmações deste teor, se proferidas na fase final do reinado de D. Carlos a propósito dos responsáveis políticos de então,  teriam como consequência mais provável, nos termos do Decreto de 30 de Janeiro de 1908, a expulsão ou a deportação para alguma das colónias:

 

No dia 30 de Janeiro, o ministro Teixeira de Abreu foi a Vila Viçosa submeter à referenda régia um decreto que previa a expulsão do País ou a deportação para as colónias de África e Timor dos alegados implicados em conspirações ou delitos contra a segurança do Estado, «quando os interesses superiores do Estado assim o aconselharem». “O ministro regressou no dia 1 de Fevereiro, de madrugada. O decreto foi logo impresso; circulava pouco depois, entrando logo em vigor.” (in História do Regimen Republicano em Portugal) Com este decreto, obtém o governo de João Franco do rei um instrumento de violenta repressão administrativa sobre os seus opositores.

Já por aqui se vê o despropósito da comparação e o profundo desrespeito pela instituições democráticas que o proclamado paizinho do regime insiste em revelar. O facto de a passagem transcrita ter sido encontrada no site da Fundação Mário Soares é apenas um pormenor sem especial relevância.



27 comentários em “No tempo de D. Carlos, por muito menos que isto Mário Soares teria sido deportado”

  1. Conselheiro de Estado ou cangalheiro da Nação? Com as responsabilidades institucionais que protagonizou e pela condição de senador que ainda detém, este pirómano assumido não devia ser preso e julgado por comportamento terrorista que atenta contra princípios elementares de um Estado de Direito?

  2. Falta referir que nesse mesmo dia 01 de Fevereiro de 1908, às 17h30, morriam em Lisboa o Rei D. Carlos e o Príncipe Real, Luís Filipe (morreram também Manuel Buíça e Alfredo Costa)…

  3. Enfim, que dizer?
    Não vá por aí!
    A comparação que faz é uma falácia e tem um nome: Cherry picking: consiste em apontar um caso particularíssimo para querer ilacionar algo de geral.
    Acontece que a legislação que cita se referia a actos de terrorismo ou subversão do sistema parlamentar – como existe agora…
    Se quer comparar o caso de Soares, compare com o “Caçador Simão”, o poema do Guerra Junqueiro em que este apelou ao assassinato do Rei: nada lhe sucedeu.

    E sobre liberdade, não vale a pena tentar comparações: o parlamentarismo monárquico de 1834 a 1910 foi o regime mais livre de que há memória em Portugal, com liberdade de expressão e liberdade política: não havia qualquer censura e o partido republicano tinha os seus deputados no parlamento. Quanto à liberdade de expressão, as Farpas de Eça e Ramalho aí estão para prova plena.

    Pelo contrário, quem fez censura e perseguiu por motivos de opinião, políticos e religiosos foram a I e II repúblicas portuguesas (de 1910 a 1974). E sobre censura estamos todos lembrados do bem recente caso de Manuela Moura Relvas já na III república.

    Sobre o desterro: a república francesa também conhecia-o bem (assim como qualquer país com colónias) – era uma medida penal do tempo. Todavia, e ao contrário de França no Portugal de D. Luís I ou de D, Carlos I nunca houve nenhum Caso Dreyfuss.
    Os tribunais eram respeitados: Camilo, já célebre, esteve preso – teve menos sorte que o Isaltino.

    1. Isto para não falar já do “Marquês da Bacalhoa” livro em que a Família Real era vilipendiada da forma mais torpe ( uma enormidade tal que o autor, do seu leito de morte escreveu a pedir desculpa à Rainha, já então no exílio).
      A única coisa que se fez em relação a esse livro foi a sua apreensão, por ofensivo – direito que assiste a casa um de nós – mas depois de editado e vendido quase na totalidade!

      Quem dissesse da Barroso ou da Cavaco e dos respectivos o que o autor do Marquês da Bacalhoa disse da Rainha de Portugal e do Rei D. Carlos I não teria a vida fácil em Portugal, a julgar pelos exemplos mais recentes e pelo estado da justiça portuguesa, que atravessa um dos seus piores momentos.

      1. As coisas precipitaram-se a partir de 1906 com João Franco e não só .
        Situações várias (questão dos tabacos , dissolução do parlamento sem as consequentes eleições , questão dos adiantamentos ,a entrevista ao “Le Temps) não ajudaram nada .

        E até que ponto o atentado teve a ver com algumas deportações que se adivinhavam ainda está , e porventura ficará , por esclarecer .

        Mário Soares passa assim mais um atestado de incultura geral à rapaziada cá do burgo ao fazer comparações destas .

    2. Em geral estou de acordo com o fgh, mas acho que se tem vindo a exagerar da “liberdade” na Monarquia, por oposição à repressão que se seguiu, na 1ª e 2ª Repúblicas.

      Enfim, coisas de Macavencos…
      http://expresso.sapo.pt/a-sociedade-secreta-dos-makavenkos=f561905

      … e depois vejam lá se reconhecem o símbolo do PS com o punho fechado, à laia de “bater punho”, mas com bom vinho e gajas à discrição, na boa tradição da probidade maçónica.
      E quem disto mal pensar, que bata punho…

  4. Não fala das benesses e mordomias que ainda tem. O problema é só um: foram-lhe aos bolsos, vidé reformas e fundação. Mesmo assim +e um priveligiado e nunca ouvi a voz deste hipocrita contra as pensões miseráveis de 200 e poucos euros.HIPOCRISIA

  5. E, apesar de felizmente termos liberdade de expressão, quer-me parecer que as destrambelhadas afirmações do patarouco não andam longe do incitamento à violência.

  6. Não é neologismo, nem Acordo Ortográfico. É asneira.
    a cerca de: perto de, aproximadamente, à volta de
    acerca de: sobre, a respeito de, relativamente a, quanto a
    há cerca de: existem perto de, faz aproximadamente

  7. Nem a idade refreia este sr. Muito controverso e altivo devia primar pela discrição, tendo em conta, leia-se: portadaloja.blogspot.com/7 de Dez.2012.

  8. A Falácia dum troca tintas … só em 1984!!!

    -” A imprensa portuguesa ainda não se habituou suficientemente à democracia e é completamente irresponsável. Ela dá uma imagem completamente falsa”
    Der Spiegel, 21 Abril /84

    “ANUNCIÁMOS MEDIDAS DE RIGOR E DISSEMOS EM QUE CONSISTIA A POLITICA DE AUSTERIDADE, DURA MAS NECESSÁRIA, PARA READQUIRIRMOS OS DÉFICES E NOS PORMOS AO ABRIGO DE HUMILHANTES DEPENDÊNCIAS EXTERIORES, SEM QUE O PAÍS CAMINHARIA, NECESSARIAMENTE PARA A BANCARROTA E O DESASTRE”
    RTP – 1 de Junho 1984

    — ” Os problemas económicos em Portugal são fáceis de explicar e a única coisa a fazer é apertar o cinto”…
    DN 27 de Maio 1984

    ” Quem vê do estrangeiro, este esforço e a coragem com que estamos a aplicar as medidas impopulares aprecia e louva o esforço feito por este governo”

    JN 28 de Abril 1984

    — Fomos obrigados a fazer, sem contemplações, o diagnóstico dos nossos males colectivos e a indicar a terapêutica possível”
    RTP, 1 Junho 84

    – Portugal habituara-se a viver, demasiado tempo, acima dos seus meios e recursos”

    RTP ,1 Junho 84

    — O importante é saber se invertemos ou não a corrida para o abismo em que nos instalámos irresponsavelmente”

    RTP, Junho 84

    (!!!!) – ” PEDI COM IMAGINAÇÃO E CAPACIDADE CRIADORA O MINISTÉRIO DAS FINANÇAS CRIASSE UM NOVO TIPO DE RECEITAS…(!!!!!) DAÍ SURGIRAM ESTES NOVOS IMPOSTOS”
    1ª. Pagina – 6 Dezembro 83

    — ” A CGTP concentra-se em reivindicações politicas com menosprezo dos interesses dos trabalhadores que pretende representar”

    RTP, 1 Junho 84

    ….” DENTRO DE SEIS MESES O PAÍS VAI CONSIDERAR-ME UM HERÓI”

    RTP 1 Junho 84

    — Há mais … e mais degradantes!

    1. aposto que se lhe forem mostrar as imagens ou os jornais diz que são montagens !

      enfim …

      A “Ponerologia” explica !

      🙂

      1. Só mais 3 ” preciosidades”, que definem bem o carácter do “herói ” : –

        – ” Quando nos reunimos com os macroeconomistas todos reconhecem com gradações subtis ou simples nuances que a politica que está a ser seguida é a necessária para Portugal”
        JN 28 Abril 94

        ” A terapêutica de choque não é diferente, aliás, da que estão a aplicar outros países da Europa bem mais ricos do que nós”
        RTP, 1 Junho 84

        ” Não se fazem omeletas sem ovos. Evidentemente teremos de partir alguns”

        DN, 1 Maio 84

        Esta não resisto… Meu … Brigadeiro Vasco Lourenço:

        ” A Associação 25 de Abril é qualquer coisa que não devia ser permitida a militares em serviço”

        La Republica, 28 de Abril 1984

  9. Rebate de consciência…

    ” Depois da doença, Soares fez as pazes com Manuel Alegre” …

    Pediu perdão ao “amigo” Rui Mateus… e “pôs uma pedra” sobre o famigerado caso Eumadio!!

    Só não perdoa ao Gaspar o corte nas Fundações da família…

  10. Queria apenas agradecer a todos os que intervieram por terem demonstrado com factos históricos a falta de princípios e coerência de um dos homens que mais poder teve em Portugal na III republica
    Para mim que sou um “jovem” ter conhecimento destas declarações e factos históricos só demonstra o quão longo e difícil é o caminho que há a percorrer.
    Sinceramente agradecido

  11. E não se tratou de uma “morte” qualquer. Foi antes um REGICÍDIO, o que significa ASSASSÍNIO.

    Por muito menos, há malucos internados no Júlio de Matos.

  12. A única dúvida que subsiste é facto de como se pode matar alguém que já está morto. Passos & Cia. Lda., à semelhança do seu antecessor e patrocinador, Sócrates, conduziram uma política de morte neste país. À medida que espalhavam o veneno esqueceram que tal produto inquinava as águas que bebiam.
    Dando-se conta disso, e não tendo antídoto, divertem-se com manobras que fazem lembrar os cadáveres que eram enterrados com um cordel atado ao dedo do pé e a um sino que ficava no exterior da tumba (daí o termo salvo pelo sino). Só que desta vez os cadáveres não terão quem lhes abra o túmulo. Os movimentos que lhes vemos não passam de espasmos musculares. Deixai que os mortos enterrem seus mortos.

      1. Você o disse. Só que desta vez quem constrói o muro é a Merkel, e a dita URSS juntou-se à muralha da China, que é bam mais difícil de demolir que qualquer murozeco.
        Mas os pantomineiros que andam por esta Europa, por usarem ainda cueiros, não se dão conta que seus discursos e acções não passam de fraldas mijadas. Quando chegar a hora de verter a água do banho todos se darão conta que a criança a acompanha (à água).

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