Pamela Anderson recusa banho gelado porque na investigação para a cura da ELA são realizados estudos experimentais com animais.
A ética na pós-modernidade
Rui Rocha,
Pamela Anderson recusa banho gelado porque na investigação para a cura da ELA são realizados estudos experimentais com animais.
Costa e Seguro trouxeram a lama.
A tal coisa da borboleta que bate as asas e provoca um furacão nos nossos bolsos.
Se é verdade que a “festa brava” é fundamental para evitar a extinção do “touro de lide”, já começávamos a tourear linces da malcata.
Em Santa Marta de Ribaterme, no concello de As Neves (Pontevedra), sai à rua, a cada 29 de Julho, uma procissão em que desfilam caixões com pessoas vivas lá dentro. Trata-se de crentes que estiveram às portas da morte e que, por suposta intervenção de Santa Marta, terão trocado as voltas a um desfecho funesto mais do que previsível. Agradecidos, os familiares carregam os caixões e os respectivos inquilinos durante mais de uma hora. Entretanto, os ex-futuros defuntos, deitados no féretro, acenam regularmente para demonstrarem que estão bem. Ou abanam os leques para suportarem o calor. No percurso, os participantes entoam um cântico de agradecimento que dá ainda mais solenidade ao momento: Virgem de Santa Marta, estrela do norte, trazemos-te os que viram a morte. Estranho ritual dirão alguns. Pois não, a verdade é que não é tão estranho assim se o compararmos com tradições enraízadas noutras paragens. Em Braga, por exemplo, mortos de morte morrida ou matada, com certidão de óbito passada e reconhecida, têm já as quotas em dia e, acredita-se, depois de participarem nas eleições da Distrital, tudo farão para não perderem a possibilidade de votar nas primárias do PS a 28 de Setembro. Se num sufrágio normal os eleitores votam em urna, pelo visto nas eleições internas do PS levantam-se das urnas para irem votar. E o caso é que, de acordo com o artigo 3º do Regulamento Eleitoral, nas primárias do PS, para ter direito a voto, não é preciso estar vivo. Basta ser militante ou simpatizante.
Isto ainda não é a Santa Casa da Misericórdia.
Numa eleição presidencial em que que os candidatos fossem Santana Lopes e Guterres, votaria contra Santana Lopes.
Por vezes, são as horas que demoram a passar.
Vivemos, portanto, num tempo em que todas as atenções se viram para as minorias. Só isso pode justificar que se dedique tanto tempo ao lince da Malcata e se descure o estudo do cabrão lusitano, espécie que prima pela sua abundância. Não admira, pois, que reconheçamos de imediato um lince quando o vemos e que tenhamos, em contrapartida, tanta dificuldade em identificar um cabrão à primeira vista. A integral compreensão da problemática do cabrão obriga-nos a distinguir entre o aspirante a cabrão e o cabrão de pleno direito: o aspirante tem todas as competências necessárias para afirmar-se como cabrão, mas a vida ainda não lhe proporcionou o momento adequado para as colocar em prática. Não se trata, como se vê, de uma questão de idade ou de falta de experiência, mas de oportunidade. Daí que não seja inteiramente correcto afirmar que a oportunidade faz o cabrão. A oportunidade apenas permite transformar a potência em acto, dar a conhecer ao mundo o efeito do cabrão que já estava feito. Os actos praticados são assim a única forma de o cabrão se dar a conhecer ao mundo cabrão como é. Entendamo-nos neste ponto fundamental. Ao contrário do que defendem certas correntes que se debruçam sobre estas matérias, é impossível reconhecer um cabrão pelo seu aspecto, pelo olhar, pelo sorriso ou pela forma como fala. Os actos e só os actos definem o cabrão. Não há ninguém que tenha cara de cabrão. Ou nariz e orelhas de cabrão. Se quisermos identificar um cabrão, temos que avaliar actos praticados de forma objectiva e imparcial. Da mesma forma, o cabrão lusitano, como espécie autóctone, encontra-se distribuído de forma regular por todas as regiões, níveis de formação, estratos sociais, raças, credos, religiões ou profissões. Em vão procuraremos isolar características sociais ou outras que permitam confinar os cabrões a uma população com características determinadas. Aliás, esta natureza adaptativa do cabrão é, em boa medida, a razão principal do seu sucesso. Mas, se é verdade que há cabrões em todo o lado, também é certo que o cabrão é condicionado pelo contexto em que se insere. Existindo um substrato comum nos actos praticados pelos cabrões, é óbvio que o cabrão que exerce no Bairro do Lagarteiro tem um repertório de acções diferenciado daquele outro que tem a sua base operacional numa mansão do Restelo. Não admira por isso que se fale, em alguns estudos, do cabrão e da sua circunstância. Por último, importa sublinhar um aspecto fundamental que resulta inequívocamente de milhares de horas de observação. Os verdadeiros cabrões nunca deixam de o ser. O fim da vida activa de cabrão só seria possível por via do arrependimento sincero. E um cabrão, por definição, não se arrepende, jamais se reforma. Pelo contrário. O cabrão, mesmo depois de descoberto, depois de ver avaliados os seus actos e o seu percurso, invocará invariavelmente como desígnio último da sua vida a reposição da honra e da dignidade perdidas. Se for verdadeiramente cabrão, daqueles de papel passado pelo notário, falará ainda da sua famíla para puxar a lágrima. É isso, em última instância que, apesar de todo o esforço que fazem para não serem reconhecidos, nos permitirá identificá-los. Na dúvida, em todo o caso, recorra-se a um método infalível: coloque-se um pouco de honra e diginidade no seu caminho. Apesar de todo o discurso e parangonas, o verdadeiro cabrão, porque nunca as viu, será incapaz de reconhecê-las.
Tudo indica que o Sporting terá em breve dois jogadores sob alçada disciplinar para cada posição.
Mas a única situação em que se magoou a sério foi quando caiu em si.
Do sofá ao frigorífico em 11 segundos. Mais 493 kcal.
De acordo com o Jornal de Notícias, a PSP de Ovar identificou duas mulheres, de 31 e 35 anos, que se faziam passar por videntes, por suspeita da prática do crime de burla. Na sequência de uma denúncia de uma alegada vítima, agentes policiais abordaram as duas mulheres e uma das suspeitas deixou cair no chão um carrinho de linhas, um artigo que, segundo a PSP, é utilizado pelos autores deste tipo de crime para ludibriarem as vítimas e fazê-las crer que são videntes. As mulheres foram conduzidas à esquadra policial e, após revista, foram-lhes apreendidos três anéis, cinco brincos, uma medalha de um signo, um frasco de perfume, dois carrinhos de linhas, 11 dentes de alho, seis pontas de alecrim seco, uma caixa de palitos e cerca de um metro de papel higiénico. Pois no que me toca, digo que a existência de todo este material que foi apreendido me inspira uma certa confiança no trabalho destas videntes. Há em tudo isto uma preocupação genuína de respeito pelos cânones da actividade, uma nota de profissionalimo, uma dimensão quase deontológica. Confesso que Marques Mendes pareceria mais credível se se apresentasse aos Sábados com um carrinho de linhas, uma ponta de alecrim seco na lapela e um molho de alhos ao pescoço. E que estaria muito mais desconfiado se, em vez de um metro de papel higiénico, as suspeitas fossem portadoras de papel comercial do BES.
É Paul de Saint-Victor que nos conta o episódio num dos seus ensaios. Benvenuto Cellini, um dos expoentes máximos do Renascimento, tinha cinco anos quando, numa tarde de inverno, o seu pai, que tocava viola perto da lareira, acreditou ver um animal semelhante a um lagarto a dançar vivo nas chamas. Ordenou à criança que se aproximasse e deu-lhe uma violenta bofetada que o fez romper em lágrimas. Acto seguido, o pai enxugou-as com ternura. “Meu querido”, disse-lhe, “não te bato para punir-te, mas somente para que recordes ao longo de toda a tua vida que este lagarto que vês aqui no fogo é uma salamandra, animal que ainda não foi visto por nenhum homem vivo sobre a terra’”. Pois isso. Que se perceba que a ida do Barrosito para o Departamento de Supervisão Prudencial do Banco de Portugal, sem concurso prévio, está inscrita na mesma técnica de provocar a dor para desencadear memórias inapagáveis que foi utilizada pelo pai de Cellini. Não há sofrimento mais incisivo para o brio profissional de quem o tiver do que esse que resulta de entrar para uma Instituição pela porta do cavalo. Só o carinho insuperável de um pai, de um padrinho, permite uma visão tão abrangente que troque a provação presente pela prazenteira memória futura provocada por uma tal vergonha. O Barrosito, esse certamente não esquecerá. E, tal como Cellini, perceberá mais tarde a que profundidade pode descer o amor exacerbado de um padrinho, de um pai.
Um olho no burro e outro no Salgado.
Se Granadeiro favoreceu realmente o BES, estamos perante um caso típico de Henriquecimento sem causa.
Caríssimo S. Pedro,
Compreendo que com tanta diversidade de línguas, gentes e geografias não seja fácil que te mantenhas actualizado em matéria toponímica. Em todo o caso, gostaria de esclarecer que, apesar de Braga ser considerada como a cidade mais religiosa do país, com abundância de igrejas, padres e missinhas, não temos por aqui qualquer relação especial com os Espírito Santo. E se é até certo ponto compreensível que queiras fazer justiça com a própria meteorologia, castigando os infractores e não deixando tudo nas mãos dos nossos diligentes tribunais, parece-me que seria ponto de mandar chover e fazer descer a temperatura no local adequado. Isto é, o normal seria que houvesse sol em Braga e chuva na Comporta, se é que me entendes. E trovoada, raio e coriscos se tanto for justificado pela tua ira implacável. O que já não se admite é o contrário, como tem acontecido.
Despeço-me sem ressentimentos, pois que erros todos cometemos (veja-se, sem irmos mais longe e para nos mantermos em matéria bancária, o que aconteceu no Banco do Vaticano) e o mais importante é saber corrigi-los rapidamente.
Abraço,
RR