Também tu, salário mínimo?


Rui Rocha,

1 – De acordo com o site oficial do Governo de Portugal, o Conselho de Ministros de 23 de Dezembro aprovou a actualização do salário mínimo para 2011, de forma faseada, sendo fixada em 485 euros a partir de 1 de Janeiro de 2011, e, posteriormente, sujeita a duas fases de avaliação, nos meses de Maio e de Setembro, com o objectivo de ser atingido o montante de 500 euros após o segundo momento de avaliação. O Governo legislará nesse sentido imediatamente a seguir. A concretização desta medida significa um acréscimo de 33,4% da remuneração mínima nacional, em termos nominais, face ao seu valor de 2005. Ou seja, nos últimos 6 anos a retribuição mínima mensal garantida aumentou 125 euros.

 

2 – Também de acordo com documentos oficiais do Governo de Portugal, é muito improvável que o salário mínimo venha a aumentar para 500€ durante o ano de 2011.

 

Tudo isto poderia parecer contraditório caso não se tratasse do Governo de Portugal. Tratando-se do Governo de Portugal devemos concluir que é absolutamente normal. Espantoso mesmo seria que um compromisso assumido pela Companhia de Irresponsabilidade Ilimitada liderada por José Sócrates fosse cumprido.

O princípio activo da credibilidade e da confiança


Rui Rocha,

24 de Fevereiro de 2011 – “é um dado seguro que em Abril os medicamentos vão ficar mais baratos” (Óscar Gaspar, Secretário de Estado da Saúde).

 

16 de Março de 2011 – “a revisão dos preços dos medicamentos está suspensa até final de 2012. O acordo com a Indústria Farmacêutica  é bom  para o Estado e para as pessoas, uma vez que permite cumprir com as metas do Orçamento de 2011 e alcançar uma poupança adicional de 100 milhões de euros” (Ana Jorge, Ministra da Saúde).

Como é que eu não tinha pensado nisto…


Rui Rocha,

Perante muitas dúvidas e inquietações, Texeira dos Santos esclareceu o funcionamento do mecanismo de poupança automática previsto no PEC IV:

“Pode ser através de um produto financeiro, por exemplo através do banco. Sempre que o ordenado cai na conta, parte vai directamente para uma conta poupança. Isso é um mecanismo de poupança automática”.

Estou embasbacado. É mesmo um privilégio ser governado por gente com esta visão. E nem sequer é preciso carregar num botão!

Assalto cívico: um comentário do ex-Presidente Mário Soares


Rui Rocha,

“O ex-presidente da República Mário Soares considera que Portugal está «à rasca» e que é importante agir antes que seja tarde demais. Num artigo de opinião publicado no Diário de Notícias, Soares disse ainda que apesar dos esforços do Governo, o melhor será mesmo antecipar as eleições.

O antigo presidente da República referiu que «é preciso informar completamente os portugueses da situação em que estamos, para os poder mobilizar».

Para o histórico socialista, apesar de o primeiro-ministro esforçar-se «na resolução da crise, com um zelo patriótico e uma energia pessoal absolutamente excepcionais, cometeu erros graves» pelo facto de não ter informado os portugueses quanto à situação real do país.

A isso junta-se ainda o facto de José Sócrates não ter informado o Presidente da República, Cavaco Silva, da negociação do PEC IV. Soares afirmou que «foram esquecimentos imperdoáveis ou actos inúteis, que irão custar-lhe caro”.

Assalto cívico: o contexto


Rui Rocha,

Durante mais de 6 anos, confiámos a Sócrates um veículo que é nosso. O Primeiro-Ministro conduziu-o com a prepotência, o deslumbramento e a auto-suficiência que constituem o alicerce fundamental da incompetência. Ao longo do percurso, foi provocando acidentes. Uma chapa amolgada ali, um farol partido, uns riscos na pintura. Nos últimos anos, o contexto tornou-se mais exigente. Sócrates, desafiado pelos momentos difíceis, fez aquilo que qualquer irresponsável faria no lugar dele. Acelerou. Esqueceu-se, todavia, que a viatura já não estava em boas condições depois dos sucessivos embates que tinha sofrido. E desprezou na análise uma constante: a sua incompetência. Com o veículo descontrolado, Sócrates foi provocando acidentes sucessivos, cada vez mais graves. A cada novo acidente, a necessidade de uma conserto mais ou menos profundo. Na gíria do desastre, essas reparações chamam-se PECS. Nos PECS anteriores, o acidente foi participado ao seguro (PSD – partido dos seguros democráticos)  e às autoridades (Presidente da República). Que deram cobertura à intervenção e não autuaram o infractor. No PEC IV, Sócrates decidiu combinar a reparação directamente com a Oficina da Merkel, sem dar Cavaco a mais ninguém. Acertado o arranjinho, Sócrates chamou o Seguro (não o Tozé, mas o PSD) e queria activar a apólice. Perante a recusa do Partido dos Seguros Democráticos, Sócrates, o mau condutor, o infractor, o reincidente, decidiu colocar-se no meio da estrada a berrar  que a culpa é da Companhia de Seguros. E que se esta não activar a cobertura, o carro vai para a sucata. Em geral, a designação adequada ao comportamento deste tipo de condutores anda à volta das ideias de irresponsabilidade e trafulhice. No quadro da  relação com os donos do veículo, podemos dizer que estamos a assistir a um assalto cívico. Sócrates habituou-se a um eleitorado iludido pelos seus malabarismos, a um PS ajoelhado, a uma oposição desorientada e complacente e a uma Presidência da República enredada no tacticismo. Infelizmente para ele, o mundo mudou e todos sabemos o que José Sócrates fez nos PECS passados.

 

A confissão de Sócrates (confissão de dívida)


Rui Rocha,

“Aqui, diante do fim, eu, PECcador, me confesso de ser assim como sou. Eu professo a incompetência com que dirijo o leme da nau, nesta deriva em que vou. Me confesso possesso das dívidas, dos défices e de outras trapalhadas mais, e dos juros mortais, cujas taxas ascendem a 7, quando o mercado não repete que ascendem a mais. Me confesso de ser charco e lama do charco à mistura. De ser a corda do arco que atira setas fiscais acima e abaixo, em qualquer altura. Me confesso de ter hipotecado tudo o que possa nascer em mim. De ter a credibilidade no chão, de ser essa a minha condição. Me confesso de ser dos boys e das parcerias impúdico-privadas e de outras mordomias que integram o festim. De ser um anjo caído do Portugal que a minha mão governa, de ser um monstro saído do buraco mais fundo da caverna. Me confesso de ser eu. Eu, tal e qual como vim, para dizer que sou eu aqui, diante do fim!”

 

Uma leitura das consequências do discurso de Cavaco Silva


Rui Rocha,

O discurso de posse de Cavaco Silva tem um contexto. O de um país gravemente doente, preso numa espiral de deterioração das contas públicas e numa expectativa de crescimento anémico ou negativo. Perante este cenário, o Presidente da República foi claro no diagnóstico, vago no tratamento proposto e omisso quanto à convalescença. É pois a partir do único ponto em que Cavaco Silva não deixou margem para dúvidas (o diagnóstico) que se pode tentar adivinhar as suas intenções relativamente aos dois pontos restantes. Ora, o diagnóstico tem uma cor de fundo e um rosto.  A cor é negra e o rosto é o de José Sócrates. Assim sendo, a terapia que Cavaco Silva tem em mente só pode ser a do isolamento e extirpação daquele que considera o agente causador da doença. A partir de hoje, Sócrates deve saber que o seu governo está no corredor da morte política e que o cumprimento da sentença é uma questão de tempo. Aliás, em bom rigor, a dúvida que permanece é a de saber como é possível o governo manter-se em funções por mais um dia que seja no contexto do cenário devastador descrito por Cavaco Silva. Sobra pois a questão da convalescença necessária à recuperação do doente. O tom e o conteúdo do discurso permitem adivinhar que o Presidente da República não resistirá à tentação de ser parte activa da solução. Desenganem-se, portanto, aqueles que pensam que a queda de Sócrates desembocará inevitavelmente num processo eleitoral em que Cavaco Silva prescinda de exercer a sua influência. Se for este o caminho, depois de protagonizar uma cooperação táctica e tolerante com o governo, Cavaco Silva incorrerá em novo erro com graves consequências. O bloqueio actual do sistema político português não pode ser resolvido no quadro de uma Assembleia da República que já não é representativa do eleitorado. Como diria Sócrates, o mundo mudou. E a sucessão de factos ocorridos desde Setembro de 2009 obriga a uma renovação da legitimidade parlamentar.

A fome e a vontade de comer


Rui Rocha,

Correia de Campos já foi, como se sabe, ministro das Parcerias Público-Privadas da área da Saúde (a bem dizer, da falta dela). Agora, entre outros múltiplos afazeres, exerce também como colunista. Tal actividade pressupõe que tenha uma coluna. E isso é coisa que Correia de Campos, pelos vistos, tem. No caso, aquela que o Económico, com aparente irregularidade, lhe disponibiliza para actuar como trompeteiro das gestas de José Sócrates. Trata-se, por isso, de uma coluna torneada e retorcida. Trabalhada em baixo relevo. É certo que lhe falta a imersão na realidade, ela própria já submersa. Mas, sobra-lhe a alucinação de um país que não conhecemos, situado algures na Socratosfera.  No último artigo, para além de celebrar mais uma homilia pela ressurreição semanal do menino, o escriba insurge-se contra objectos devoradores não identificados que diz estarem “desejosos de aceder ao banquete do poder, atiçados pela fome prolongada de cargos e prebendas“. Isto é, a crítica não se dirige ao banquete do poder, nem aos cargos e às prebendas propriamente ditos. O que parece incomodar Correia de Campos é que outros, que não os actuais convivas, queiram servir-se. Ora, sendo este tipo de fome sempre criticável, independentemente das bocas e dos estômagos que a experimentam, a análise séria implicaria que Correia de Campos escrevesse alguma coisa sobre o grau de saciedade dos que estão, neste momento, sentados à mesa. Não o tendo feito, teremos de concluir que a crítica da fome é feita em representação de todos aqueles que têm ainda muita vontade de comer.

Sócrates pode contar comigo


Rui Rocha,

O Primeiro-Ministro tem sido alvo de vários ataques pessoais e políticos. Não tenho dúvidas de que nos próximos dias vamos assistir à intensificação de movimentações com o objectivo de o desacreditar. Por isso, este é  o momento adequado para dizer publicamente, sem qualquer dúvida ou hesitação, que Sócrates tem realizado uma governação de coragem e competência. Os nossos parceiros europeus reconhecem que o governo de Portugal está a fazer um trabalho difícil mas adequado. E agora que a agitação social mais truculenta ameaça pôr em causa o progresso que a governação socialista tem trazido ao nosso país, o olhar intranquilo dos Portugueses deve voltar-se para aqueles que já conhece e que sabe que servem Portugal sem ambição mesquinha. Certamente com erros e angústias, mas sem lhe apresentarem um caminho inçado de desigualdades e de negocismo. A confiança no olhar só se reafirma se as políticas austeras continuarem, na linha da rudeza socialmente temperada, cortando na gordura para deixar o músculo liberto. É esse o caminho de Sócrates e é exactamente esse que devemos apoiar.

 

Adenda às 22h20: Bom Carnaval!!! A propósito, boa parte do texto foi copiada deste artigo publicado por Correia de Campos no Económico. É incrível o que esta gente escreve, não é? E nem sequer estão fantasiados…

Operação Carnaval


Rui Rocha,

Dizem-me que:

– a PSP apresentou uma lista de quase mil excepções à ordem do Governo para reduzir as graduações e fazer cumprir o plano de austeridade e que, em média, os vencimentos em causa podem subir 300 euros;

– o Governo tentou esconder o buraco do BPN, mas a UE não aceitou;

– a falta de recursos adia operações;

– os mercados estão a reagir mal à vitória dos Homens da Luta no Festival da Canção;

– a gasolina e o gasóleo aumentam para preços recorde, mas o Governo e o Ministro Mendonça têm um plano.

Homens da Luta vs. Duo da Bancarrota: descubra as diferenças


Rui Rocha,

Gel & Falâncio

Sócrates & Teixeira dos Santos

  • São uma boys band

  • São uma boys band

  • Foram escolhidos em votação

  • Foram escolhidos em votação

  • Não sabem cantar

  • Não sabem governar

  • Representam Portugal em instâncias internacionais

  • Representam Portugal em instâncias internacionais

  • Vão fazer Portugal passar vergonhas na Alemanha

  • Fizeram Portugal passar vergonhas na Alemanha

  • Utilizam um megafone para fazer barulho

  • Utilizam um megafone os abrantes para fazer barulho

  • Vão obter um péssimo resultado na próxima votação

  • Vão obter um péssimo resultado na próxima votação

  • Fazem intervenção política de baixa qualidade

  • Fazem intervenção política de baixa qualidade

  • São uma consequência da crise

  • São a causa da crise

O Património Cultural Imaterial de Portugal


Rui Rocha,

Pelo visto, o ministro das Finanças e a ministra da Cultura constituíram, há cerca de um ano, um Grupo de Trabalho com o objectivo de realizar  um levantamento do património cultural imaterial português. De acordo com as notícias postas a circular, os membros do Grupo de Trabalho, para além de realizarem uma reunião e de receberem 209 mil euros, não fizeram rigorosamente mais nada. Perante isto, imagino que se terá levantado já um coro de condenação. Parece-me uma reacção apressada e injusta. Creio, na verdade, que estamos na presença de patriotas. Explico-me. O objectivo do trabalho era extremamente difícil de concretizar. Se o próprio património material, tal como o país, está em ruínas, não se vendo forma de o reerguer, imagine-se a dificuldade de levantar o património imaterial com todo o peso que ele deve ter. Não há costas que aguentem. Perante isto, o Grupo de Trabalho encontrou uma solução que considero genial. Sendo o âmbito do trabalho «as tradições», «as manifestações de carácter performativo» e «as práticas sociais, rituais e eventos festivos», não existe em Portugal nada mais representativo destas realidades do que o compadrio e o regabofe. Perante esta evidência, os membros do Grupo de Trabalho decidiram receber sem nada fazer, oferecendo ao país um exemplo vivo desses elementos fundamentais do nosso património cultural imaterial. Um testemunho inesquecível, sistemático e tendencialmente exaustivo que cumpre integralmente os objectivos traçados pelos Senhores Ministros.

Cessação de vigência (II)


Rui Rocha,

Acordei outra vez com fortes sintomas de cessação de vigência. Perante o agravar da situação, decidi dirigir-me ao exemplar de parceria impúdico-privada que trata da saúde dos contribuintes da minha zona de residência fiscal. Creio que em tempos lhe chamaram hospital. Antes de sair da fonte de IMI (parece-me que há uns anos atrás se chamava casa), muni-me de toda a paciência necessária para enfrentar a sessão de relaxamento (penso que em tempos se dizia horas de espera) na sala onde os impacientes se encontram divididos em dois grupos. O dos que já atingiram a situação de extrema pobreza e o dos que estão a caminho. Os primeiros ainda não pagam taxas demolidoras. Os segundos ainda não pagam imposto de saúde. Após três horas e meia que incluíram massagem à paciência e banho de imersão em tudo quanto foram espirros, muco e perdigotos dos que tossiam em redor, eis-me a caminho da minha reunião com o médico cubano de turno. Mal me pôs a Buena Vista em cima, tratou-me como se fosse de família. Bien venido a este Social Club, saudou-me com a cordialidade própria das gentes que beneficiam do regime que Habana. Gracias, doctor Numerus Clausus. Veo que está usted con cessação de vigência, continuou com Fidelidade às boas práticas de diagnóstico. Sim, é isso doutor Lobby, respondi. Y la EVT, perguntou-me. Fiz análises há pouco tempo e continuava com duplicação de docência, sussurrei envergonhado.  Y los índices de tolerância a la Merkel? Suspirei: continuam muitíssimo elevados, doutor Ordem dos Médicos. Veio pronta a prescrição: Le voy a recetar un PEC. Cantei de fio a pavio uma música dos Deolinda antes de opôr: mas, já é o quarto que faço! Com a calma própria dos habitantes da ilha do regime QueNuncaMaisCai, perguntou-me: acaso prefiere usted un tratamiento invasivo? Le puedo poner un FMI! Levantei-me com toda a dignidade que o peso de  oito séculos de independência às costas permite e nem lhe respondi. Carreguei a minha  cessação de vigência para casa decidido a preencher a declaração de IRS em papel. Recicalado. Afinal de contas, que se lixe a saúde. Os impostos estão primeiro. Antes disso, porém, decidi ler o jornal para me inspirar para esse esforço criativo. Foi então que vi o Dr. Bagão Félix a defender, com um papagaio no ombro, uma solução PSD, PP, PCP para o país. Para além de uma crise de cessação de vigência, agora também tenho sintomas agudos de CayoCoco.

Cessação de vigência


Rui Rocha,

Há momentos em que sinto, caríssimo leitor, um vazio, uma angústia, uma incredulidade, um desconforto e até uma certa raiva ou azedume. Até ontem, não conhecia a designação adequada a esta moléstia. Sei agora que lhe posso chamar cessação de vigência. Imaginará o leitor que lhe falo da circunstância de uma simpática escritora de novelas juvenis inspirada por Enid Blyton exercer como Ministra da Educação deste país à beira do FMI plantado. É verdade que disso lhe falo também. Como lhe poderia falar da estreitíssima, porém profunda, linha que separa a inspiração do plágio. Fique sabendo, leitor, que de  inspiração se fala quando aquilo que se expira não poderia existir sem a inspiração, mas constitui, apesar disso, algo radicalmente original. Isto é, ali onde tinha entrado oxigénio sai, por via de transformação criativa, dióxido de carbono. Já no plágio, o que sai é igual ao que entra. É como se, entrando oxigénio no sistema respiratório, oxigénio voltasse a sair. Inspiração disse. E mantenho. Pois se até o nome do cão é diferente! E o mesmo sucede, Tim Tim por Tim Tim, a cada nova aventura. Esclarecido este ponto, com proveito evidente para o leitor ao qual, ademais, não cobro um cêntimo pelo serviço, continuo dizendo que esta cessação de vigência que me atormenta tem evidente relação com o facto de a original e cândida Ministra (sim, porque sinistra era a outra) defender com unhas tratadas e dentes escovados a reorganização curricular. Não pelo seu mérito intrínseco, mas pela enxurrada de milhões que permitiria poupar ao Teixeira dos Santos. Esse pobre que tem, coitado, os bolsos em pior estado do que a integridade física de um jogador do Nacional depois de uma aparição do Jesus. Mas, cessação de vigência sinto também quando a oposição se une para chumbar (em se tratando de educação melhor diria reter, não vá a reorganização curricular ficar com algum trauma para toda a vida) uma lei que permitiria acabar com aventuras em casas assombradas pelo eduquês mais vernáculo. Ficaremos então com as três da vida airada (Área de Projecto, Estudo Acompanhado e os dois professores de Evêtê). E à necessária diminuição do número de alunos por turma, ao encerramento de escolas a eito interior fora (ou dentro), à evidente necessidade de separar os átomos da Química dos da Física, atribuindo-lhes a importância que realmente merecem, a tudo isto diremos nada? Sim, leitor, sinto uma profunda e desesperada cessação de vigência que é inclusiva nas suas causas. Encontro-as na Ministra da Educação e na sua (dela) oposição. E também no canastrão deslumbrado que foi a Berlim certificar-nos a evidência de que já só a dívida é soberana.