Bem-vindo a Além do Défice, Dr. Sampaio


Rui Rocha,

Jorge Sampaio foi seguramente o Presidente que proferiu os discursos menos inteligíveis da história da democracia. Todavia, foi muito claro quando afirmou que há vida para além do défice. E tinha razão. Devia era ter acrescentado que viver acima das possibilidades implica, a médio prazo, uma vida com determinadas características. Ontem, uns bons anos depois de ter proferido a célebre frase, sacudiu a modorra para nos explicar que tipo de vida é essa:

“A insustentável acumulação da dívida externa, privada e pública, o insuficiente desempenho da economia, o aumento do desemprego, a estagnação e mesmo diminuição do nível de vida dos portugueses, com cerca de 18% da população em risco de pobreza e grandes desigualdades de rendimento, fazem com que Portugal – permitam-me a expressão – esteja em apuros”,

É um excelente diagnóstico. Todavia, peca por tardio. Os portugueses já tinham percebido. Há uns meses largos que sabem exactamente o que é viver nessa terra prometida.  E têm já uma ideia muito nítida de como será o futuro próximo aqui em Além do Défice. Por isso, importa dizer ao Dr. Sampaio que o país prescinde de diagnósticos e soluções requentadas (“plataforma de entendimento sim, eleições não” é o novo slogan do Dr. Sampaio) propostas, com uma lágrima de comoção ao canto do olho, por quem patrocinou a jornada em direcção a Além do Défice.

Ich bin ein Hamburger, liebe Angela


Rui Rocha,

Em Berlim, juntaram-se hoje a fome e a vontade de comer. Apesar de serem muito diferentes, Sócrates e Merkel partilham uma circunstância. A erosão da base de apoio interna. Merkel acaba de perder o Ministro zu Guttenberg, o seu braço direito. Sofreu uma derrota eleitoral estrondosa nas eleições estaduais de Hamburgo. E prepara-se para ser igualmente derrotada em próximas eleições estaduais. Sócrates está como sabemos. Para além disso, tem os mercados à perna. Esta conjuntura juntou-os. A análise do significado do encontro pode, todavia, prescindir da consideração dos interesses de uma das partes. Dos fracos não reza esta história e o mais forte dita a sua lei. Entre Merkel e Sócrates não há dúvida sobre quem, apesar de tudo, tem uma posição de força. Merkel tinha dois objectivos. O primeiro era obter apoio para o pacto de competitividade. Para tal, não podia criticar Sócrates. Isso empurraria Portugal para o resgate imediato e Sócrates perderia o estímulo que o faz manter-se ao lado de Merkel. O segundo era evitar aparecer à opinião pública alemã como salvadora dos preguiçosos e desregrados do sul da Europa (é esta a visão que os alemães têm de nós). Para alcançar esse objectivo, não podia elogiar Sócrates em demasia (“é preciso aprofundar as medidas”). Era isto que Merkel queria e foi o que conseguiu. Sócrates não obteve nada de relevante para Portugal. A nossa situação mantém-se inalterada. No limiar da sobrevivência. Mas, ofereceu ao seu ego meia dúzia de minutos de palco. Para isso, teve que figurar como comparsa de Merkel. E, por uma vez, foi capaz de falar correctamente em língua estrangeira: ich bin ein Hamburger, liebe Angela. Em português escorreito diz-se carne picada. Para o canhão de um bombardeiro alemão.

Se a Alemanha quer contratar engenheiros portugueses…


Rui Rocha,

José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa (Vilar de Maçada, Alijó, 6 de Setembro de 1957) é um político português. É o actual primeiro-ministro de Portugal desde 12 de Março de 2005, e secretário-geral do Partido Socialista desde Setembro de 2004. Durante o segundo semestre de 2007 assumiu, por inerência, a presidência rotativa do Conselho da União Europeia.

José Sócrates é licenciado em Engenharia Civil pela extinta Universidade Independente (Lisboa, 1996) e frequentou, sem concluir, o mestrado em gestão de empresas do ISCTE (Lisboa, 2005).

Novo modelo de mobilidade para a Polícia de Segurança Pública


Rui Rocha,

Afinal, não há problema que o Ministro Rui Pereira não consiga resolver. Depois de completamente esclarecidos  assuntos como a utilização do cartão de eleitor/cartão de cidadão nas últimas Presidencias, as divergências dos cadernos eleitorais e a compra dos blindados, Rui Pereira também encontrou uma solução que permite aos agentes da PSP manterem total mobilidade mesmo perante a falta de combustível.

Com a segurança não se brinca


Rui Rocha,

Estão a circular notícias de acordo com as quais a PSP não terá dinheiro para combustíveis. Esta é uma situação de extrema gravidade. Todas as discussões sobre o papel do Estado são admissíveis e devem ser promovidas. A segurança, todavia, constitui uma das áreas de actuação pública inquestionável. Notícias como esta colocam o Estado de Direito da República Portuguesa ao nível de um bananal. Em questões de segurança, a pantomina paga-se caro. Com criminalidade, violência e prejuízo patrimonial e pessoal dos cidadãos. Uma sociedade que não afecta recursos à manutenção da segurança está a caminho da desagregação. A Direcção Nacional da PSP terá assegurado que as “medidas de controlo do parque automóvel não sofreram alteração e que se mantêm há dácadas”. Ora o que a sociedade precisa de saber não é há quanto tempo as medidas existem. A resposta só pode ser: sim, a PSP tem os recursos necessários e suficientes para cumprir adequadamente a sua missão ou não, os recursos disponibilizados não são suficientes. Até porque as medidas podem ter décadas e estar erradas. E as exigências de segurança de décadas passadas não são as do presente. E, já agora, os custos dos combustíveis não são os mesmos de há décadas. É pois imperativo que se tome uma posição clara e frontal sobre o assunto. E que o Senhor Ministro da Administração Interna venha esclarecer os cidadãos e assumir as suas responsabilidades. Em matéria desta natureza, não pode permanecer qualquer dúvida sobre as prioridades da governação. E seria muito estranho que o país que acabou de comprar blindados em circunstâncias anedóticas se torne ele próprio uma anedota por ter carros-patrulha estacionados na garagem.

Fujam: Teixeira dos Santos está desesperado


Rui Rocha,

Teixeira dos Santos decidiu que hoje é o dia certo para disparar em todas as direcções. A sanha do Ministro dirigiu-se a vários alvos. Não escaparam a UE, a quem pretende endossar a responsabilidade do buraco em que nos meteu, a Banca que quer comprometer com soluções de credibilização em que já ninguém acredita e os contribuintes a quem já vai ameaçando com novos ataques. Como pano de fundo, a permanência dos juros da dívida a 5 e 10 anos bem acima do limiar de 7% e a reunião de 4ª feira próxima em que Sócrates se apresentará a Ângela Merkel de bibe e calções. Sim, perante tal desespero fica bem claro que a situação está controlada.

Os Óscares da realidade


Rui Rocha,

A noite dos Óscares não surpreendeu. Consagrou um filme que executa o papel de contar uma história apoiado em excelentes interpretações. Nem mais, nem menos. Uma noite assim, consensual, sem rasgo, polémica ou desastre que a ilumine não ficará  na história da cinematografia. Parece-me uma cerimónia adequada aos tempos que vivemos. Alguém definiu o Homem como o animal que vai ao cinema. O fascínio da sétima arte terá explicação na existência de um conjunto de neurónios (os neurónios-espelho) em que se encontra a chave da empatia. Essa que nos permite vivermos como se fossem nossas as angústias, as derrotas e os sonhos de outros seres humanos. Estes são tempos em que a realidade nos proporciona histórias que superam em muito a ficção. Vivamos então uns momentos da história de Abdul. Aquele que  vendia no Cairo o pão que o Diabo amassou. Ou de Salim, esse que está pronto para atirar uma pedra a uma das últimas fotografias de Kadafi. Um e outro, tal como Fhatima, em Tunis, têm agora uma ilusão de liberdade que também pode ser nossa se a quisermos compartilhar. Por uns tempos, as epopeias da ficção podem esperar. E Hollywood não quis sobrepor-se à narrativa da realidade. Depois, quando aqueles sonhos se cumprirem, se frustrarem ou forem esmagados, lá daremos de novo protagonismo ao cinema. Em busca da vertigem, do drama ou de heróis em luta pela liberdade. E é possível que encontremos, na primeira fila, os cínicos, os cépticos e os democratas de aquário. Esses incansáveis defensores de toda a liberdade que se projecta nas imediações do sofá em que se sentam. Todos temos momentos em que exercitamos os nossos neurónios-espelho. Alguns fazem-no apenas protegidos pelo escurinho de uma sala de cinema. É nesses momentos que revelam, na empatia que experimentam, a raiz mais profunda da sua humanidade.

A Moção de Sócrates: copy, paste, delete


Rui Rocha,

José Sócrates apresentou ontem as linhas gerais da sua Moção ao Congresso do PS. De acordo com a informação disponível, a fórmula que traduz esta proposta política é: José Sócrates = a proposta anterior – regionalização. Trata-se, portanto, de uma sequela. Em geral, as sequelas têm como objectivo explorar uma fórmula comercial de sucesso. Em regra, não conseguem alcançar esse objectivo. O problema com a Moção de Sócrates é mais grave. A sequela proposta pretende reproduzir um insucesso. Trata-se da sequela de uma mazela. A visão de Sócrates para o país não funcionou. Mas, perante esta evidência, o ainda Primeiro-Ministro não propõe nada de novo. Sendo este o texto, importa ainda apreciar o contexto. E esse é dado pela intervenção de Sócrates. Aqui, sublinha o apelo à continuidade e à estabilidade. Ora, a estabilidade e a continuidade são coisas que se desejam para fórmulas de sucesso. O que Sócrates quer oferecer ao país é a estabilidade de um programa que conduziu  à derrapagem das contas públicas, à perda do poder de compra por via de cortes de salários e aumento da inflação, à subida dos juros da dívida para níveis incomportáveis, ou à tendência de crescimento do desemprego? O mínimo que se podia exigir a Sócrates é que apresentasse ao PS e a Portugal um desejo de mudança. Que começasse nele próprio. Um acto de contrição, um balanço crítico e um projecto de renovação. Optar por propor mais do mesmo revela um estado de contentamento consigo próprio que não tem justificação na situação real. A continuidade e a estabilidade propostas por Sócrates não podem entender-se, neste contexto, como um projecto colectivo. Pelo contrário, são um programa unipessoal de permanência no poder contra toda a evidência. Constatada a  falta de comparência ao debate das alternativas que existem dentro do PS, a única forma de lhe pôr termo é a crise política que deverá ser aberta logo que os factos (as contas públicas e a intervenção externa directa ou encapotada) certificarem a inustentabilidade da situação. A teimosia é de Sócrates. Mas, a cabeça que bate na parede é a do país. Ao copy/paste proposto por Sócrates é preciso responder pressionando, convictamente e no momento próprio, a tecla delete.

O Ministro da Justiça também pratica o salto à vara?


Rui Rocha,

Há pouco mais de uma semana foi Armando Vara que passou à frente dos utentes de um Centro de Saúde. Agora é a segurança do Ministro da Justiça que viola normas elementares de respeito por uma situação de vida ou de morte. No caso de Vara, o juízo de condenação é pessoal e intransmissível. No caso de Alberto Martins, quero crer que o Ministro não terá responsabilidade directa na ordem dada no sentido de afastar uma ambulância em serviço.  Todavia, mesmo que assim seja, estas situações são sinais dos tempos. Os que detêm o poder não estão ao serviço dos cidadãos. Servem-se do poder contra tudo e contra todos. O ambiente que dá origem a estes desmandos é o do arrivismo e da prepotência. O salto à Vara, sem respeito pelas mais elementares regras de civilidade, é uma actividade tão condenável quanto recorrente. Para praticá-lo não são mecessárias especiais aptidões físicas ou intelectuais. É, todavia, necessário apresentar uma acentuada fraqueza de carácter. A vara que permite ascender a cargos para os quais não existem competências adequadas é a mesma que permite saltar sobre os cidadãos no dia-a-dia. A segurá-la está sempre a mão de um boy. Chame-se ele Armando, Alberto ou Videirinho.

A geração Deolinda e o Primeiro-Ministro que está à rasca


Rui Rocha,

Jose Sócrates foi ontem ao Parlamento responder a uma canção e a uma manifestação que está marcada, através do Facebook, para o próximo dia 12. A sua intenção era responder à letra. Mas, acabou por retratar-se a si próprio. À geração que alguns dizem ser parva respondeu a governação do chico-esperto. O melhor que Sócrates tem para oferecer é o anúncio de medidas que já tinham sido apresentadas. Não é surpreendente. Sócrates é mesmo assim. Falta-lhe produto. Interno, bruto e verdadeiro. Sobra-lhe o marketing em que já ninguém acredita. Por isso, o debate de ontem foi para lamentar. A geração a que Sócrates se dirigia tem características próprias. Umas serão melhores do que as das gerações anteriores. Outras,  nem por isso. Mas, se existe característica que a distingue é o facto de ter ao seu alcance informação abundante. Se há coisa que essa geração não tolera é treta. Com informação sobre qualquer assunto ao alcance de um click, os vendedores de banha da cobra têm que se esforçar mais do que há uns anos atrás. Já não é suficiente fazer propaganda com medidas requentadas. Ontem, Sócrates não foi à Assembleia da República dar o correctivo quinzenal à bancada parlamentar do PSD. Pelo contrário, foi reconhecer perante o país e, em particular, perante uma geração, que não tem nada de novo para lhes dizer. Portugal está em graves dificuldades. A geração que Sócrates pretendia embrulhar esbarra numa conjuntura de bloqueio do acesso ao mercado de trabalho. Quanto ao Primeiro-Ministro, esse está mesmo à rasca.

Chávez escreve a Khadafi (qualquer semelhança com a realidade é impura coincidência)


Rui Rocha,

“Querido Muammar, sé que estás pasando por las dificultades que te está creando una contrarrevolución que no has liquidado. Error mayor. Yo te lo recalqué, cuando en Margarita te entregué la réplica de la Espada de Bolívar que camina por la América Latina, para que la pusieras a lo mismo por allá. Y te dije: no olvides que tu revolución como la mía dependen de nosotros y que el imperio y aliados andan buscando cómo acabarnos por la vía del magnicidio o el golpe de Estado. Te advertí que tenías que ponerte pila y copiarte de mí la idea de mantener un aparato supuestamente democrático que te librara de la acusación de dictadores como Ben Alí o Mubarak. Yo, desde un inicio, me hice pasar por un demócrata que venía a introducir cambios en una situación de grave crisis. Y así me gané al reformismo. Pero yo iba por el cambio del sistema y con esto me embolsillé a los radicales. Y sin mayores aspavientos, gané espacios y hoy soy materialmente el dueño de quienes algunos por ahí califican de expaís. (…) De modo que nadie me puede acusar de dictador, porque además, siempre he ganado con la ayuda de las negociaciones adelantadas con “las oposiciones”. Por eso hoy avanzamos tranquilos hacia la construcción de un socialismo cada vez más profundo, concreto y trascendente. ¡Eh! Y no olvides, hermano Muammar, que sólo la revolución paga dividendos. En un inicio sabíamos que el socialismo sólo lo puede imponer la dictadura del proletariado, si lo hay. Pero nosotros superamos a Marx y a Engels y demostramos que unos golpistas militaristas revolucionarios como nosotros, podían convertirse en una vanguardia que está y seguirá vigente. Por eso yo metí a socialistas a todos mis compañeros militares. Y a eso le sumé mis otros tarifados en misiones, consejos comunales, cooperativas, milicias, comunas. Y si alguien se me alza le aplico la fuerza del Estado para controlarlo. Así tengo asegurado mi mando-poder hasta que me dé la gana por la vía del fraude-trampa, la compra-venta de votos y el quiquirigüiqui que hacemos con las oposiciones.¿Eh? Por todo esto te digo que debes declararte en emergencia y liquidar la contra que está ligada al imperio y sus aliados para atacarte. No puedes dejar que las protestas tomen más cuerpo. Recuerda mi 11 de abril del 2002. Me dejé de tontería. Apliqué la violencia a tiempo y mira donde estoy. Insisto: tienes que salvar tú revolución a como dé lugar. Tú y yo somos el todo de nuestros procesos. Si morimos, se acabarían nuestras revoluciones, Fidel siempre lo dice. Tú y yo, más allá de ser presidentes, como bien lo dijiste, somos los líderes, los salvadores, los mitos, símbolos, guías de la revolución. Los gloriosos hijos de Bolívar y Fidel (…).”

 

* Excertos da carta ficcional de Chávez a Khadafi hoje publicada por Agustin Blanco Muñoz no jornal El Universal (Venezuela)

Alberto Cabral Teixeira dos Santos


Rui Rocha,

No dia em que os juros da dívida a 10 anos chegaram a 7,52%, o treinador-adjunto do Sporting QualquerCoisa Cabral o Ministro das Finanças deu uma entrevista em que afirmou que nalguns momentos até fomos superiores “apesar do muito ruído que se sente nos mercados, não temos notado restrições do lado da procura quando do acesso aos mesmos”. E continuou, dizendo que faltou eficácia e um pouco de sorte  “o valor do financiamento necessário de financiamento para Portugal em 2011 está muito abaixo do previsto para a Alemanha ou a França”. Para concluir, afirmou que no início da segunda parte podíamos ter feito o golo “a taxa de juro implícita no financiamento da dívida é praticamente equivalente à da média da Zona Euro”.

Tributem-me pela minha rica saúde


Rui Rocha,

A Ministra Ana Jorge não põe de lado a hipótese de um imposto para a Saúde. Perante esta declaração levantou-se um coro de críticas. Que não sei quê do Sistema Nacional de Saúde. Que não sei quantos sobre o Estado Social. Que não sei mais aquilo sobre a Saúde tendencialmente gratuita. Ora, parece-me que estas vozes erram o alvo. Provavelmente não atentaram bem no que a Ministra disse. O imposto seria sobre a Saúde. Repito: sobre a Saúde. Por isso, os doentes não têm que se preocupar. E o imposto sobre a Saúde faz algum sentido. É provável que já não seja possível tributar mais o rendimento. Porque, na verdade, já não temos rendimento nos bolsos para tributar. Por isso, resta ao Estado tributar a Saúde daqueles que ainda a vão tendo. Para redistribuir pelos que estão doentes. Parece-me justo. E tenho a certeza que é isso que a Ministra quer dizer. Certezinha absoluta. Porque, de outra maneira, a coisa não faria muito sentido, pois não? Vejamos, o objectivo não pode ser tributar os que estão doentes porque existe, alegadamente, um conjunto de utentes que abusa do sistema. É que se for isso, a Ministra está a tomar o Vara por Juno. Está a fazer pagar o Justo pelo Armando. E isso realmente não me parece bem. E ainda me vejo obrigado a vir aqui desfiar  o Que não sei quê do Sistema Nacional de Saúde e o Que não sei quantos sobre o Estado Social e o Que não sei mais aquilo sobre a saúde tendencialmente gratuita.