A geração Deolinda e o Primeiro-Ministro que está à rasca


Rui Rocha,

Jose Sócrates foi ontem ao Parlamento responder a uma canção e a uma manifestação que está marcada, através do Facebook, para o próximo dia 12. A sua intenção era responder à letra. Mas, acabou por retratar-se a si próprio. À geração que alguns dizem ser parva respondeu a governação do chico-esperto. O melhor que Sócrates tem para oferecer é o anúncio de medidas que já tinham sido apresentadas. Não é surpreendente. Sócrates é mesmo assim. Falta-lhe produto. Interno, bruto e verdadeiro. Sobra-lhe o marketing em que já ninguém acredita. Por isso, o debate de ontem foi para lamentar. A geração a que Sócrates se dirigia tem características próprias. Umas serão melhores do que as das gerações anteriores. Outras,  nem por isso. Mas, se existe característica que a distingue é o facto de ter ao seu alcance informação abundante. Se há coisa que essa geração não tolera é treta. Com informação sobre qualquer assunto ao alcance de um click, os vendedores de banha da cobra têm que se esforçar mais do que há uns anos atrás. Já não é suficiente fazer propaganda com medidas requentadas. Ontem, Sócrates não foi à Assembleia da República dar o correctivo quinzenal à bancada parlamentar do PSD. Pelo contrário, foi reconhecer perante o país e, em particular, perante uma geração, que não tem nada de novo para lhes dizer. Portugal está em graves dificuldades. A geração que Sócrates pretendia embrulhar esbarra numa conjuntura de bloqueio do acesso ao mercado de trabalho. Quanto ao Primeiro-Ministro, esse está mesmo à rasca.

10 comentários em “A geração Deolinda e o Primeiro-Ministro que está à rasca”

  1. A ir com cantigas sai esta para o nosso 1º. Quem dá a música?

    QUE SEDE QUE EU TENHO

    Sou da geração do velho tostão
    Calças rotas na mão
    Que sede que eu tinha

    Sou da geração das magras vacas
    Bacalhau ás lascas meia sardinha
    Que sede que eu tinha

    Sou da geração de sebo no pão
    Ferrar o calo na mão
    Que sede que eu tinha

    Sou da geração que paga a dobrar
    Cá os anda a aturar
    Que sede que eu tenho

    Sou da geração que sacode o ranho
    Que lhes serve p´ró banho
    Que grande sede que eu tenho

    1. Toco ferrinhos, Amarques. Quem dá o que tem a mais não é obrigado. Sócrates fica nas cordas. E já não sai de lá. Condenados a voltar ao tostão parecemos estar todos nós. Os Deolinda e os outros que pertencemos às gerações que os precederam.

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