Assalto cívico: o contexto


Rui Rocha,

Durante mais de 6 anos, confiámos a Sócrates um veículo que é nosso. O Primeiro-Ministro conduziu-o com a prepotência, o deslumbramento e a auto-suficiência que constituem o alicerce fundamental da incompetência. Ao longo do percurso, foi provocando acidentes. Uma chapa amolgada ali, um farol partido, uns riscos na pintura. Nos últimos anos, o contexto tornou-se mais exigente. Sócrates, desafiado pelos momentos difíceis, fez aquilo que qualquer irresponsável faria no lugar dele. Acelerou. Esqueceu-se, todavia, que a viatura já não estava em boas condições depois dos sucessivos embates que tinha sofrido. E desprezou na análise uma constante: a sua incompetência. Com o veículo descontrolado, Sócrates foi provocando acidentes sucessivos, cada vez mais graves. A cada novo acidente, a necessidade de uma conserto mais ou menos profundo. Na gíria do desastre, essas reparações chamam-se PECS. Nos PECS anteriores, o acidente foi participado ao seguro (PSD – partido dos seguros democráticos)  e às autoridades (Presidente da República). Que deram cobertura à intervenção e não autuaram o infractor. No PEC IV, Sócrates decidiu combinar a reparação directamente com a Oficina da Merkel, sem dar Cavaco a mais ninguém. Acertado o arranjinho, Sócrates chamou o Seguro (não o Tozé, mas o PSD) e queria activar a apólice. Perante a recusa do Partido dos Seguros Democráticos, Sócrates, o mau condutor, o infractor, o reincidente, decidiu colocar-se no meio da estrada a berrar  que a culpa é da Companhia de Seguros. E que se esta não activar a cobertura, o carro vai para a sucata. Em geral, a designação adequada ao comportamento deste tipo de condutores anda à volta das ideias de irresponsabilidade e trafulhice. No quadro da  relação com os donos do veículo, podemos dizer que estamos a assistir a um assalto cívico. Sócrates habituou-se a um eleitorado iludido pelos seus malabarismos, a um PS ajoelhado, a uma oposição desorientada e complacente e a uma Presidência da República enredada no tacticismo. Infelizmente para ele, o mundo mudou e todos sabemos o que José Sócrates fez nos PECS passados.

 

6 comentários em “Assalto cívico: o contexto”

  1. Se o conde de Locksley, também conhecido por Robin dos Bosques, cá estivesse, o que diria deste sr. eng. que disse ir implementar políticas inspiradas na sua forma de agir contra o principe de Nottinghan e consequente distribuição de riqueza?
    O sr. eng. deveria consultar urgentemente um psiquiatra, pois a sua compulsiva maneira de mentir está a tornar-se num grave caso clínico.

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