
Correia de Campos já foi, como se sabe, ministro das Parcerias Público-Privadas da área da Saúde (a bem dizer, da falta dela). Agora, entre outros múltiplos afazeres, exerce também como colunista. Tal actividade pressupõe que tenha uma coluna. E isso é coisa que Correia de Campos, pelos vistos, tem. No caso, aquela que o Económico, com aparente irregularidade, lhe disponibiliza para actuar como trompeteiro das gestas de José Sócrates. Trata-se, por isso, de uma coluna torneada e retorcida. Trabalhada em baixo relevo. É certo que lhe falta a imersão na realidade, ela própria já submersa. Mas, sobra-lhe a alucinação de um país que não conhecemos, situado algures na Socratosfera. No último artigo, para além de celebrar mais uma homilia pela ressurreição semanal do menino, o escriba insurge-se contra objectos devoradores não identificados que diz estarem “desejosos de aceder ao banquete do poder, atiçados pela fome prolongada de cargos e prebendas“. Isto é, a crítica não se dirige ao banquete do poder, nem aos cargos e às prebendas propriamente ditos. O que parece incomodar Correia de Campos é que outros, que não os actuais convivas, queiram servir-se. Ora, sendo este tipo de fome sempre criticável, independentemente das bocas e dos estômagos que a experimentam, a análise séria implicaria que Correia de Campos escrevesse alguma coisa sobre o grau de saciedade dos que estão, neste momento, sentados à mesa. Não o tendo feito, teremos de concluir que a crítica da fome é feita em representação de todos aqueles que têm ainda muita vontade de comer.

Olhando para esta Socratralha toda, a ideia que dão é que estão um bocado empanturrados.
Pois é. Mas, não me parece que queiram fazer dieta.
Claro que não amigo Rocha, eles são como os Romanos, preferem ir vomitando (ver os juros subirem a valores incomportáveis) que parar de se banquetear
Os ovos não são de ouro. Mas, enquanto a galinha puser alguma coisa, é preciso aproveitar. Até a galinha morrer.
Muito bem anotado, Rui. Com o artigo em causa, Correia de Campos acaba de entrar para o clube dos que só vêem com um olho e acham que os outros todos são cegos.
O que não faz dele rei, em todo o caso.