Acabara de ouvir na televisão e ainda acreditei que não fosse verdade. Mas era. Eu própria confirmei, quando resolvi pedir um recibo com número de contribuinte relativo à importância despendida no passe dos transportes. Na bilheteira aonde fui, disseram-me que me teria de deslocar ao Marquês de Pombal ou ao Campo Pequeno, nos próximos cinco dias, para o obter.
Perante a minha indignação explicaram-me que o sistema informático estava envelhecido e as máquinas, com a introdução do IVA, não podiam ser reprogramadas.
Tive um acesso de fúria – eu que até sou serena – e perguntei como é que era possível o governo ter exigido a todos os comerciantes que o fizessem e fosse o primeiro a não cumprir a disposição e, por isso, a praticar uma ilegalidade. A senhora da bilheteira apenas dizia que me compreendia, mas não podia fazer nada.
Mas eu, pelo menos, posso escrever a contar o sucedido e dar-lhe a devida visibilidade. Para que todos aqueles que, como eu, usam transportes públicos, reclamem e obriguem a que a situação seja revista. Entupam com mail’s o serviço responsável por esta anomalia, cuja chefia, decerto, nunca usou nem teve necessidade de usar um passe social. Afinal, bem prega frei Gaspar: faz como ele diz, mas não faças como ele faz…









