Eu gostava de ser inteligente. Até agora, agradecia ao Altíssimo os dons que Ele me havia concedido. E aos meus queridos Pais e a mim própria o esforço que havíamos feito nesse sentido.
Pois bem, estava errada. Acredito que não seja estúpida – seria desastroso chegar a essa conclusão nesta idade -, mas não sou tão inteligente como pensava. Pus o patamar muito elevado e agora, catrapus, caí na realidade.
Qual realidade perguntarão os que me lêem? A do Dr. Vitor Gaspar, pois então. Quem mais havia de ser? Explico-me.
Quando recebi o documento relativo à pensão do Banco de Portugal, de Janeiro, não quis olhar para ele. Pareceu-me ter mais rúbricas do lado do débito, mas morreram-me nesse mês vários amigos e eu “dei-me” um tempo de serenidade. Mas Gasparito não mo deu, essa é que é essa.
De facto, quando hoje recebi uma carta da Segurança Social, dei um pulo. O choque foi tal que reuni, num ápice, os papeis todos – são poucos, infelizmente -, com a estranha sensação de que fora tributada duas vezes, uma em sede do Banco e outra em sede da chamada Solidariedade Nacional.
Passei a tarde inteira de uma sexta feira chuvosa a refazer cálculos. Nenhum batia certo com o que me haviam tirado. Como não fui aluna do Ministro das Finanças, cuja capacidade previsiva é muito pior do que a minha, tive que chegar à trágica conclusão de que, só sendo mesmo muito inteligente, é que os nossos cálculos coincidiriam. Ora como tal não aconteceu, não só fiquei sem o dinheiro, como vi substancialmente reduzida a minha massa cinzenta, ou, pelo menos, aquela que eu julgava ter.
Conclusão, nestes tempos perigosos, nunca mais me vou “dar” um tempo, porque, se o fizer, já sei o que acontece: vão-me ao bolso!


Não ha dúvida, Helena; em contas, ninguém bate “El Gasparito e sus muchachos”, sobretudo em contas de sumir, aquelas que fazem o (cada vez menos) dinheiro desaparecer dos nossos bolsos.
Resta-nos tornar-nos objectores de tudo.
minha senhora, por alguma razão o vitor gaspar nos foi vendido como o “magoo” das finanças, ou qualquer coisa parecida.
Ninguém no-lo dá (o tempo), os meus últimos meses têm sido um atropelo de contas a chegar e cada vez menos a receber, se paro vai tudo atrás. Mesmo assim, precisamos de o tirar de vez em quando.
Recorda-se do episódio do mago Woland no fabuloso Margarita e o Mestre (Bulgakov)? É mais ou menos o mesmo…
Qual a surpresa? Quando os loucos do Governo e da Oposição ainda falam de “crescimento” e desde o 25 de Abril tudo fazem para o destruir querem o quê?
Gente completamente louca…só com um mercado negro grande e eficiente Portugal alguma vez voltará crescer…
Ainda não estava refeita do roubo descarado à minha mãe, eis que chega o meu. Não há palavras para um esbulho destes. O meu beijo solidário.