Mais um sinal do altíssimo?


Teresa Ribeiro,

Os escândalos sexuais parecem não querer abandonar a Santa Madre Igreja. Se o que o jornal italiano La Repubblica publicou ontem é verdade, Bento XVI fez bem em resignar. Este escândalo não é para octogenários com insuficiência cardíaca, mas pode e deve ser matéria de reflexão para o senhor que se segue. Quem sabe não será esta série de casos um sinal do altíssimo para se acabar de vez com o celibato obrigatório dos padres.

Recalcamentos sexuais estão na origem de muitos comportamentos desviantes e, ao contrário do que a Igreja sustenta, dificultam a concentração e diminuem o rendimento no trabalho.

31 comentários em “Mais um sinal do altíssimo?”

  1. Bem sei que o celibato é apresentado como o indicador da “livre vontade de ser padre” não há heranças mas o resultado é bem pior do que o casamento( o que convenhamos é bem dificil…)

  2. Apenas como agnóstico que sou, causa-me alguma perplexidade que os padres da ICAR passem a vida a enaltecer as virtudes da família (do que nem discordo), mas que eles próprios não a possam constituir, com a desculpa a meu ver mal-amanhada de que se dedicam em exclusivo ao serviço do seu rebanho de fiéis…

    Dou por mim a maginar o que será ir todas as noites sozinho para casa, sobretudo em terras de província onde não haverá colegas nem estruturas da Igreja que lhes permitam acolher-se e conviver…

  3. “Se o que o jornal italiano … publicou ontem é verdade …” o “forte” lóbi gay, no Vaticano, ainda arrisca a ter o seu Papa ….
    Não vale a pena conjecturar. Aguardemos.
    Isto de escrever direito por linhas tortas não é para todos.
    A Providência Divina é insondável.

  4. Pois. E os homens e mulheres casados são fidelíssimos ao cônjuge, nao têm amantes, não são pedófilos ou mesmo homossexuais reprimidos.

    1. Ninguém diz o contrário. Parece-me, porém, que coarctar a liberdade sexual dos padres não evita essas situações, poderá é porventura potenciá-las, pelas razões que referi no post.

      1. coarctar a liberdade sexual dos padres

        São os padres quem faz, voluntariamente, votos de castidade. Não são coartados. Se querem seguir aquela profissão, têm que se submeter às suas regras.

  5. O celibato dos padres e freiras é, quanto a mim, um dos maiores erros da igreja católica. Pelas razões que apresentaste e porque, simplesmente, é anti-natura.

    1. Não há qualquer fundamento bíblico para o celibato, Ana. Pedro, que os católicos dizem ser o primeiro Papa, era casado e depois dele houve vários Papas legalmente casados.

      1. Sim, os únicos fundamentos não são difíceis de entender e são bem humanos: a eternização da supremacia masculina na igreja e a concentração de património. Entretanto, estamos no séc. XXI…

          1. Nunca tinha ouvido?? Que estranho, numa pessoa que discute assuntos bem mais complexos da religião católica!
            Este, pelo contrário, tem uma explicação simples e lógica: os bens familiares dos religiosos, sem casamento nem filhos que os herdem e dissipem, vão para a igreja. Parece-lhe assim uma novidade tão grande?

          2. Não percebo porque responde a Ana com tanta acrimónia e ironia. Parece estar sempre com pedras na mão quando me responde.

            Mas prontos, agradeço a resposta.

            E acredite, nunca tinha ouvido tal argumento. Que me parece razoável.

            Não fazia ideia que os bens de um padre revertessem para a Igreja. Quero dizer, pela lei do país não deve ser assim. Os padres, mesmo não tendo filhos, terão em geral herdeiros legais. A não ser que façam testamento a favor da Igreja – e nunca ouvi falar de que sejam forçados a fazê-lo – os seus bens não deveriam revertes a favor desta.

          3. Não é acrimónia, Luís, é só cansaço dessas suas marcações cerradas a tudo e atodos, até nas coisas mais óbvias. Como esta, por exemplo.
            Eu não disse que os religiosos eram “obrigados” por lei a deixar os seus bens às ordens a que pertencem ou à igreja, mas é uma prática de séculos. E é lógico que isso não aconteceria se fossem casados e tivessem descendentes.

          4. Eu não faço marcações a ninguém. Comento o que me apraz comentar.

            E isso que é óbvio para si, que segundo a Ana é uma prática secular, para mim era desconhecido.

          5. Permiti-me utilizar o seu argumento, pelo preço ao qual o adquiri, num outro blogue. E a resposta que recebi de outro comentador foi que, se eu conhecesse bem o clero, saberia que a maioria dos padres lega os seus bens aos sobrinhos e apenas uma minoria os deixa à Igreja.
            Como não sou bispo não possuo nenhuma estatística de padres e portanto não sei se isto é verdade ou não. Só queria assinalar-lhe que isto que a Ana afirma ser uma prática secular, outra pessoa (infelizmente anónima) afirma não ser atualmente praticada.

          6. E eu permito-me acabar por aqui esta discussão estéril, que até já envolve anónimos de outros blogues. Leve lá a bicicleta, Luís. É toda sua.

  6. Acho que os padres deviam poder optar pelo celibato ou por uma vida conjugal mas não acho que a depravação dos ditos tenha necessariamente a ver com isso. O facto de uma pessoa ser celibatária não a torna pedófila se ela não o for, se é que me faço entender, nem acho que a castidade leve a tal.

    1. Leonor, há uma diferença enorme entre celibato voluntário e obrigatório. É sobre este último que me pronuncio, naturalmente. E os recalcamentos sexuais podem levar a desvios comportamentais, não é preciso sermos psicólogos para o sabermos.

      1. Sou muito pouco tolerante com este tipo de crimes nos padres, Teresa. Acho que eles são culpados e não as circunstâncias. Sendo homens de fé e estando a cobro da fé não podem em momento algum incorrer em crimes desta natureza. A impunidade com que o fazem, sabendo que dificilmente serão descobertos ou que estão protegidos pelo seu estatuto, enoja-me ainda mais.

        1. Eu também falava de pedofilia e assédio, como é óbvio. Subscrevo o que disseste sobre homossexualidade. Como tu também espero de quem se diz representante da Igreja uma atitude se não exemplar, pelo menos sem vestígios de comportamento criminoso.

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