Os escândalos sexuais parecem não querer abandonar a Santa Madre Igreja. Se o que o jornal italiano La Repubblica publicou ontem é verdade, Bento XVI fez bem em resignar. Este escândalo não é para octogenários com insuficiência cardíaca, mas pode e deve ser matéria de reflexão para o senhor que se segue. Quem sabe não será esta série de casos um sinal do altíssimo para se acabar de vez com o celibato obrigatório dos padres.
Recalcamentos sexuais estão na origem de muitos comportamentos desviantes e, ao contrário do que a Igreja sustenta, dificultam a concentração e diminuem o rendimento no trabalho.


A realidade começa a assemelhar-se perigosamente ao sarcasmo:
http://youtu.be/lLyUOs3_6Kg
( link não é para almas demasiado sensíveis )
Muito mauzinho, esse vídeo 🙂
Bem sei que o celibato é apresentado como o indicador da “livre vontade de ser padre” não há heranças mas o resultado é bem pior do que o casamento( o que convenhamos é bem dificil…)
Apenas como agnóstico que sou, causa-me alguma perplexidade que os padres da ICAR passem a vida a enaltecer as virtudes da família (do que nem discordo), mas que eles próprios não a possam constituir, com a desculpa a meu ver mal-amanhada de que se dedicam em exclusivo ao serviço do seu rebanho de fiéis…
Dou por mim a maginar o que será ir todas as noites sozinho para casa, sobretudo em terras de província onde não haverá colegas nem estruturas da Igreja que lhes permitam acolher-se e conviver…
… imaginar …
Penso exactamente o mesmo.
O comentário de cima, que saiu fora do sítio, é para o anónimo agnóstico.
“Se o que o jornal italiano … publicou ontem é verdade …” o “forte” lóbi gay, no Vaticano, ainda arrisca a ter o seu Papa ….
Não vale a pena conjecturar. Aguardemos.
Isto de escrever direito por linhas tortas não é para todos.
A Providência Divina é insondável.
A providência divina tem as costas largas.
Pois. E os homens e mulheres casados são fidelíssimos ao cônjuge, nao têm amantes, não são pedófilos ou mesmo homossexuais reprimidos.
Ninguém diz o contrário. Parece-me, porém, que coarctar a liberdade sexual dos padres não evita essas situações, poderá é porventura potenciá-las, pelas razões que referi no post.
coarctar a liberdade sexual dos padres
São os padres quem faz, voluntariamente, votos de castidade. Não são coartados. Se querem seguir aquela profissão, têm que se submeter às suas regras.
Simples, a Esquerda quer tomar o poder no Vaticano.
O que eu gostava mesmo, Lucky, era que me desenvolvesse essa sua tese.
Teresa Ribeiro, não dê corda ao agridoce LL.
O celibato dos padres e freiras é, quanto a mim, um dos maiores erros da igreja católica. Pelas razões que apresentaste e porque, simplesmente, é anti-natura.
Não há qualquer fundamento bíblico para o celibato, Ana. Pedro, que os católicos dizem ser o primeiro Papa, era casado e depois dele houve vários Papas legalmente casados.
Sim, os únicos fundamentos não são difíceis de entender e são bem humanos: a eternização da supremacia masculina na igreja e a concentração de património. Entretanto, estamos no séc. XXI…
Esse argumento da “concentração de património” eu nunca tinha ouvido. Pode a Ana, por favor, explicar por miúdos o que quer dizer com isso?
Nunca tinha ouvido?? Que estranho, numa pessoa que discute assuntos bem mais complexos da religião católica!
Este, pelo contrário, tem uma explicação simples e lógica: os bens familiares dos religiosos, sem casamento nem filhos que os herdem e dissipem, vão para a igreja. Parece-lhe assim uma novidade tão grande?
Não percebo porque responde a Ana com tanta acrimónia e ironia. Parece estar sempre com pedras na mão quando me responde.
Mas prontos, agradeço a resposta.
E acredite, nunca tinha ouvido tal argumento. Que me parece razoável.
Não fazia ideia que os bens de um padre revertessem para a Igreja. Quero dizer, pela lei do país não deve ser assim. Os padres, mesmo não tendo filhos, terão em geral herdeiros legais. A não ser que façam testamento a favor da Igreja – e nunca ouvi falar de que sejam forçados a fazê-lo – os seus bens não deveriam revertes a favor desta.
Não é acrimónia, Luís, é só cansaço dessas suas marcações cerradas a tudo e atodos, até nas coisas mais óbvias. Como esta, por exemplo.
Eu não disse que os religiosos eram “obrigados” por lei a deixar os seus bens às ordens a que pertencem ou à igreja, mas é uma prática de séculos. E é lógico que isso não aconteceria se fossem casados e tivessem descendentes.
Eu não faço marcações a ninguém. Comento o que me apraz comentar.
E isso que é óbvio para si, que segundo a Ana é uma prática secular, para mim era desconhecido.
Permiti-me utilizar o seu argumento, pelo preço ao qual o adquiri, num outro blogue. E a resposta que recebi de outro comentador foi que, se eu conhecesse bem o clero, saberia que a maioria dos padres lega os seus bens aos sobrinhos e apenas uma minoria os deixa à Igreja.
Como não sou bispo não possuo nenhuma estatística de padres e portanto não sei se isto é verdade ou não. Só queria assinalar-lhe que isto que a Ana afirma ser uma prática secular, outra pessoa (infelizmente anónima) afirma não ser atualmente praticada.
E eu permito-me acabar por aqui esta discussão estéril, que até já envolve anónimos de outros blogues. Leve lá a bicicleta, Luís. É toda sua.
Acho que os padres deviam poder optar pelo celibato ou por uma vida conjugal mas não acho que a depravação dos ditos tenha necessariamente a ver com isso. O facto de uma pessoa ser celibatária não a torna pedófila se ela não o for, se é que me faço entender, nem acho que a castidade leve a tal.
Leonor, há uma diferença enorme entre celibato voluntário e obrigatório. É sobre este último que me pronuncio, naturalmente. E os recalcamentos sexuais podem levar a desvios comportamentais, não é preciso sermos psicólogos para o sabermos.
Sou muito pouco tolerante com este tipo de crimes nos padres, Teresa. Acho que eles são culpados e não as circunstâncias. Sendo homens de fé e estando a cobro da fé não podem em momento algum incorrer em crimes desta natureza. A impunidade com que o fazem, sabendo que dificilmente serão descobertos ou que estão protegidos pelo seu estatuto, enoja-me ainda mais.
Voltei. Eu estava a falar de pedofilia e assédio. Quanto à homossexualidade, nada contra nem a favor, cada um é como cada é.
Eu também falava de pedofilia e assédio, como é óbvio. Subscrevo o que disseste sobre homossexualidade. Como tu também espero de quem se diz representante da Igreja uma atitude se não exemplar, pelo menos sem vestígios de comportamento criminoso.