Acabara de ouvir na televisão e ainda acreditei que não fosse verdade. Mas era. Eu própria confirmei, quando resolvi pedir um recibo com número de contribuinte relativo à importância despendida no passe dos transportes. Na bilheteira aonde fui, disseram-me que me teria de deslocar ao Marquês de Pombal ou ao Campo Pequeno, nos próximos cinco dias, para o obter.
Perante a minha indignação explicaram-me que o sistema informático estava envelhecido e as máquinas, com a introdução do IVA, não podiam ser reprogramadas.
Tive um acesso de fúria – eu que até sou serena – e perguntei como é que era possível o governo ter exigido a todos os comerciantes que o fizessem e fosse o primeiro a não cumprir a disposição e, por isso, a praticar uma ilegalidade. A senhora da bilheteira apenas dizia que me compreendia, mas não podia fazer nada.
Mas eu, pelo menos, posso escrever a contar o sucedido e dar-lhe a devida visibilidade. Para que todos aqueles que, como eu, usam transportes públicos, reclamem e obriguem a que a situação seja revista. Entupam com mail’s o serviço responsável por esta anomalia, cuja chefia, decerto, nunca usou nem teve necessidade de usar um passe social. Afinal, bem prega frei Gaspar: faz como ele diz, mas não faças como ele faz…


Vamos ver a coisa pelo lado do “copo meio cheio”. Se as empresas publicas de transportes, já tão endividadas, tivessem de adquirir a tecnologia para emitir facturas nos locais onde vendem os bilhetes e os passes, teriam de gastar uma pipa de massa e endividar-se ainda mais, e já sabemos quem é que em última análise paga mais essinvestimento.
Assim, para poupar uns largos milhões de euros e mais um concurso publico para adquirir esses equipamentos, solicita-se aos exmos(as) útentes dos transportes publicos, que se dirijam aos locais indicados para pedirem as suas facturas. Tudo em nome do défice…
PS: Senhora Doutora Helena Sacadura cabral, podemos estar enganados, mas cá no Inferno temos a impressão que para se deslocar ao Marquês ou ao Campo Pequeno, não precisa de mais de cinco minutos.
Não se enfureça, porque estraga a pele, e além disso priva-nos desse seu sorriso sempre tão doce.
Endividadas andam também inúmeras empresas privadas. E não necessariamente por incompetência, menor arrojo ou ganância, dos empresários, antes porque asfixiadas por um fisco insaciável e uma economia em coma. Mas a essas o estado não deixa de exigir o cumprimento de mais e mais requisitos. O dinheiro é privado, em tais casos, claro; há que castigá-lo por tão intolerável pecado original.
Quanto aos “utentes”, antes fossem vistos como “clientes”. Mas não, essa designação e condição, também tão cara à esquerda, própria de quem não tem poder de escolha e come do que lhe dão, como e quando lhe dão, e aguenta, serve para justificar todo o tipo de atropelos. Atropelos do estado-patrão e dos trabalhadores cristalizados e pastoreados em valores e práticas irrealistas (ou pior). À sua maneira, uns e outros imutáveis e inimputáveis.
Pagam os do costume. E parece que está muito bem assim.
Costa
Concordo em absoluto com o seu 1º parágrafo.
Quanto ao poder de escolha, e no caso em apreço, ele existe sempre: pode ir a pé, de bicicleta, ou no pópó, se ainda tiver, claro está…
Por outro lado, os do costume parece que estão a ficar um bocado fartos de pagar, o que só vai tornar as coisas mais dificeis no futuro.
Eu costumo usar o cartão Sete Colinas, recarregável, mas que ao fim de um ano (mesmo que em perfeito estado de conservação) deixa de poder ser recarregado.
Há então que comprar outro (compra que se pode fazer em numerosos locais – por aqui costumamos ir à papelaria da esquina, onde também fazemos os recarregamentos), mas a transferência, para o novo cartão, do saldo que no final remanescer no antigo, só é feita em certos postos de atendimento do Metro ou da Carris.
O que se está mesmo a ver está muito bem pensado, tendo na devida consideração o interesse do cliente…
Oh Helena vá com calma, incentivar assim a entupir o servidor de mail de uma empresa do Estado pode dar origem a processo crime, o outro depois de ter reclamado ontem a demissão deste governo está hoje a contas com a justiça. Nunca fiando e deixe que lhe diga, este país não é para pelintras, lembra-se daquele que chegou de lambreta? É vê-lo agora num carrinho de alta cilindrada. Invejoso eu? Claro, é que bem vistas as coisas o povão cheira demasiado do sovaquinho nessa coisa a que chamam transportes públicos…
Helena, conta com o meu email. Tolerância zero para double standards!
Agradeço a bonomia dos comentários, mas ainda estou na ressaca da gentileza com que as empresas de transporte tratam dos seus utentes.
E a propósito de carregar a Lisboa Viva na tabacaria hei-de contar-vos o que me aconteceu com esse “simplex” meio de pagamento. Fará parte do anedotário nacional, com toda a certeza!