Do excesso de produção num sistema socialista


Rui Rocha,

A Venezuela enfrenta um problema de escassez severa de papel higiénico. Lida assim, sem o necessário enquadramento, a notícia cheira mal. Felizmente, o poder instalado em Caracas, com a legitimidade reforçada de ter sido democraticamente eleito nas urnas e de Nicolas Maduro ter sido declarado vencedor, ainda antes do acto eleitoral, pelo defunto Hugo Chávez que apareceu sob a forma de um passarinho para lhe anunciar a vitória, já apresentou uma explicação para a situação. Note-se, entretanto, que estas aparições de pássaros, passarinhos, cucos e outras aves de arribação são muito frequentes em países socialistas. Não há muito tempo, creio recordar, um grou voou três vezes em redor da estátua de Kim-Jong-il durante as cerimónias fúnebres do querido líder. E, ainda a propósito, será oportuno notar que a relação do comunismo/socialismo com o papel higiénico é, por assim dizer, algo enrolada, circunstância que também os cubanos têm tido oportunidade de constatar. De qualquer forma, o que importa é que o governo de Nicolas Maduro tem, como já referi,  uma explicação para esta situação incómoda.  Pelo visto, tudo está relacionado com o facto de os venezuelanos comerem agora muito mais, graças aos benefícios da revolução socialista. E como, em princípio, tudo o que entra sai, não é difícil perceber a origem do problema. Digo que temos neste caso, quando menos, fortes indícios de currelação entre as variáveis. É claro que a oposição venezuelana foi lesta a pôr em causa o argumento mas ocorre-me que isso se possa dever…, enfim, a guerras intestinas. Em todo o caso, a situação não deixa de ter a sua ironia. Marx identificou o problema capitalista do excesso de produção. É curioso notar que nos sistemas comunistas/socialistas esse problema também parece existir. O output é que é diferente. Para além disso, no caso do capitalismo, o excesso de produção provoca uma crise. No do comunismo/socialismo o que temos é um desarranjo.  Aqui chegados, creio que existem condições para identificarmos alguns traços comuns dos países comunistas/socialistas. Desde logo, temos sinais evidentes de recorrência de aparições de passarada. Depois, constata-se que o comunismo/socialismo acaba, mais cedo ou mais tarde, por dar…hmmm… o tal output. E que essa circunstância afecta muito o stock de papel higiénico disponível. Por último, mesmo que tomemos por boa a garantia de Jerónimo de Sousa de que os comunistas não comem criancinhas ao pequeno almoço, é justo reconhecer que continuam a ser muito dados a histórias infantis e a argumentos de…hmmm… output.

Hugo Chávez no conclave


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[Bonecos de Chávez são vendidos nesta terça-feira (12) nas ruas de Caracas (Foto: Ronaldo Schemidt/AFP)]

 

Para Nicolás Maduro, Presidente em exercício da Venezuela, o falecido Presidente Hugo Chávez terá tido alguma influência na eleição de um Papa argentino. “Nós sabemos que o nosso comandante subiu até às alturas, que está em frente de Cristo. Alguma coisa influenciou para que tenha sido escolhido um Papa sul-americano, alguma mão nova chegou a Cristo e lhe disse: chegou a hora da América do Sul. Assim nos parece”, disse Maduro em declarações transmitidas pela televisão oficial venezuelana. (nos jornais)

 

Em Portugal Boaventura Sousa Santos escreve um texto sobre Chavez de verdadeira ciência política, debruçando-se sobre a “química” chaveziana, base do seu poder, o socialismo de XXI. Culmina BSS com uma crítica aos políticos democratas (capitalistas) europeus, pois quando morrem não são chorados em sofrimento popular. Constate-se a mudança neste o teórico socialista: não só o sufrágio universal é insuficiente, as eleições não legitimam o poder, como também as “arruadas”, antes tão convocadas, são insuficientes. Agora o critério de validade progressista, da legitimidade política, transitou para a dimensão dos rios de lágrimas apaixonadas (pre mortem e post mortem) que os políticos causam. O “condoímento” é o condimento desta teoria? 

 

Os bloguistas e leitores desta esquerda pós-iluminista (e defensora da teocracia iraniana – já agora, quantas lágrimas de pesar colherá Ahmadinejad?) “linkam” e “laicam”. Os intelectuais apoiam. Os académicos apoiam. E, mais do que tudo, citam e referenciam. A imprensa remunera. O XXI português, o seu discurso político, resplandece. Deve ser da “química” do “carisma”. 

 

Poderosa química, até alquímica. Pois, e como diz o lugar-tenente de Chavez, até Cristo, lá no sagrado Alto, lhe é sensível. Têm então os crentes, os praticantes e até os infiéis, um Papa Chaveziano.

 

O herói


escafandro,

Tendo já decorrido uns dias sobre o acontecimento, permito-me correr o risco de chatear os fãs: no que respeita à imagem para a posteridade, a morte de Hugo Chávez foi o melhor que lhe podia ter ocorrido. Outros, ainda que menos demagogos e mais capazes, verão a bomba-relógio que constitui a economia da Venezuela rebentar-lhes nas mãos enquanto Chávez permanecerá o herói que governava contra os grandes interesses e a favor dos mais pobres.

Havendo sido cego, agora vejo


Pedro Correia,

 

Esta fotografia da agência France-Presse é candidata desde já a uma das imagens do ano. Por nos mostrar um extremista islâmico, que sonha com a dura lei alcorânica vigorando no mundo inteiro, ao lado do caixão do presidente da Venezuela, tendo a poucos metros a imagem de Cristo na cruz, símbolo supremo de uma religião que Mahmud Ahmadinejad combate com tenaz proselitismo.

Ironia das ironias. Um assumido marxista, amigo e aliado de todos os comunistas que restam em postos dirigentes no planeta, conseguiu este quase-milagre durante as honras fúnebres que lhe foram prestadas como devoto da mensagem cristã: o fanático que negou o Holocausto, quis riscar Israel do mapa, considerou o 11 de Setembro uma “enorme mentira” e se gaba de não haver homossexuais no Irão prestou homenagem ao amigo Hugo Chávez na Academia Militar, em Caracas, numa cerimónia presidida pelo bispo de San Cristóbal, Mario Moronta, que leu trechos do Evangelho de São João. Segundo relata a imprensa, Ahmadinejad era o líder estrangeiro mais comovido, com as lágrimas a correrem-lhe pela cara.

Se há fotos que são notícia, por falarem mais que mil discursos, esta é uma delas. “Havendo sido cego, agora vejo” – como se lê precisamente no Evangelho de João.

Alguns apontamentos sobre Chávez


Rui Rocha,

Uma análise isenta sobre o percurso político de Chávez deve ter presente alguns aspectos essenciais. Desde logo, o ponto de partida. Os protagonistas que o precederam deixaram o país mergulhado na corrupção, a braços com uma profunda crise política, económica e social e com níveis de desigualdade absolutamente escandalosos, num processo que terminou no impeachment de Carlos Andrés Pérez. O sucesso da proposta chavista deve-se, para além das óbvias manobras e golpes de manipulação das regras democráticas, ao falhanço estrepitoso das forças políticas mais à direita. Não encontraram, antes de Chávez, propostas políticas credíveis e, depois, não souberam resgatar-se do passado nem foram capazes de apresentar alternativas de renovação. Muitos anos passaram até que esse espectro político encontrasse, com Capriles, um projecto percebido como sério pelos eleitores. Depois, o balanço não pode ficar pela apresentação, a seco, da evolução dos indicadores económicos e sociais do chavismo. É preciso, contextualizá-los, antes de mais, com a subida vertiginosa do preço de matérias-primas como o petróleo que beneficiaram muito a Venezuela. E é necessário, sobretudo, perceber que o sucesso em certos indicadores não justifica, em caso algum, práticas anti-democráticas de caudilhismo, manipulação da realidade e repressão da libedade de expressão. Caso contrário, teríamos de reconhecer que certas experiências totalitárias, que condenamos com justificadas razões, deveriam ser reabilitadas em função de algum sucesso económico que tivessem promovido. Por último, não se pode deixar em claro o aproveitamento grotesco que Chávez e os seus putativos sucessores fizeram da doença e da morte, utilizando-a como arma de arremesso político e de legitimação das suas aspirações. O sofrimento e a perda, independentemente da simpatia que temos ou não pela pessoa e pelo político, devem ser respeitados. Ponto é que essa contenção inclua também o próprio e os que lhe estão próximos. 

Venezuela sem Chávez


Pedro Correia,

 

Líder carismático, populista, demagogo, irresponsável, herdeiro espiritual de Simón Bolívar, comandante, socialista, cristão, revolucionário, “Mussolini tropical”, comunista.

Ou “ilusionista”, como dele disse Gabriel García Márquez.

Puseram-lhe todos os rótulos, chamaram-lhe todos os nomes, bajularam-no de mil formas. Hugo Chávez, que se deu a conhecer ao mundo inicialmente como oficial golpista, vindo mais tarde a candidatar-se a umas presidenciais que venceu, alterou a Constituição de modo a fazer-se eleger sem limite de mandato.

Tinha uma insaciável sede de poder.

Fez mil juras de morte a Washington, sem deixar de ser um dos quatro maiores fornecedores internacionais de petróleo aos Estados Unidos, e prometeu levar a sua “revolução bolivariana” e o “socialismo do século XXI” aos quatro cantos da América Latina.

 

Mas o destino foi-lhe cruel: não chegou a tomar posse do terceiro mandato presidencial, conquistado nas urnas a 7 de Outubro, quando já se encontrava gravemente doente. Desde 11 de Dezembro, dia em que aterrou em Cuba para uma operação de emergência, nunca mais surgiu em público nem os venezuelanos voltaram a escutar-lhe a voz. Durante o ano passado, já havia passado 106 dias na ilha que os irmãos Castro governam desde 1959 e vários ministros acompanharam-no nestes 11 périplos a Havana, onde chegou a despachar e a assinar decretos.

Ocupava o Palácio de Miraflores desde 1999. E ocupava quase todo o palco mediático do país, com as suas intermináveis arengas aos venezuelanos, várias das quais transmitidas em todos os canais televisivos e radiofónicos por imposição legal: só no mês de Julho de 2012, foram 4260 minutos.

Nas presidenciais do ano passado, com a sua entourage obcecada em esconder dos eleitores o verdadeiro estado clínico do recandidato, recusou qualquer debate com o opositor, Henrique Capriles, trocando o argumento civilizado pelo insulto, habitual arma dos fracos.

Foi uma campanha inútil para uma eleição igualmente inútil. Uma desesperada jogada do chavismo para perpetuar uma liderança que prometia estender-se por mais 18 anos não chegou sequer a cumprir o acto de posse, primeira formalidade indispensável para exercer o cargo.

 

Os últimos meses processaram-se num macabro teatro de sombras em Caracas. Com encenações de todo o tipo, incluindo a exibição de uma sorridente fotografia do antigo tenente-coronel paraquedista rodeado das filhas no leito hospitalar enquanto se entoavam loas à “recuperação” do moribundo.

Chávez morreu há poucas horas – vítima de um cancro que lhe terá sido inoculado pelos “inimigos da revolução”, como admite o vice-presidente e putativo sucessor do caudilho, Nicolás Maduro, prometendo uma minuciosa “análise científica” para confirmar tão patética tese.

 

O chavismo ambiciona continuar sem Hugo Chávez. Mas não será a mesma coisa. O carisma não se transmite por decreto.

Cai o pano sobre o teatro de sombras: Chávez, com as suas mil contradições, não governará até 2031 como um semideus idolatrado pelas massas, odiado visceralmente por numerosos inimigos políticos e tendo ao seu dispor um impressionante aparelho de propaganda, bem remunerado com as receitas do petróleo.

Era apenas humano, demasiado humano na evidência dos seus defeitos e virtudes. Como qualquer de nós, afinal.

Na Venezuela não há cortes na despesa


Rui Rocha,

O governo local anunciou uma desvalorização do bolívar face ao dólar. Entretanto, se ler num jornal de referência (sei lá, o Expresso, por exemplo) que a desvalorização é de cerca de 32%, faça as suas próprias contas. Na verdade, se 4,3 bolívares valiam 1 dólar e 6,3 bolívares vão passar a valer o mesmo dólar a partir de 13 de Fevereiro, a conta correcta seria, não sei, digo eu: 2/4,3×100. Isto é, 46%. Mas também é verdade que, ao contrário de Nicolau Santos, não frequentei a BSSE (Batista da Silva School of Economics).

A incontornável decadência da CIA


Rui Rocha,

Longe vão os tempos em que a CIA infligia pesados danos aos opositores do imperialismo americano. Não é que a rapaziada da agência não se empenhe nas diversas acções empreendidas. O problema é que estas são cada vez menos eficazes. O último exemplo é a desesperada tentativa de provocar cancro a diversos líderes incómodos do continente americano que Hugo Chávez, sempre o primeiro a desmascarar as piores intenções de Washington, intuiu há não muito tempo. O problema é que a coisa não correu nada bem. Ora vejamos. O cancro provocado a Dilma surgiu ainda antes de esta ser eleita. O cancro de Lula, por seu turno, foi diagnosticado já depois de este ter sido substituído por Dilma. Ou seja, o cancro de Dilma surgiu antes de tempo e o de Lula fora de prazo. Um falhanço. Agora, é Cristina Kirchner que, tendo sido vítima da cabala, acaba por declarar que afinal não tinha cancro. Um desastre para a CIA, claro. Espera aí, dirão alguns. Então e o cancro do Chávez não conta, não é essa uma evidência de que os serviços secretos americanos ainda conseguem atingir os seus objectivos em alguns casos? Digo que não. Vejamos. Chávez foi eleito em 1998. Isto é, está há 13 anos em exercício de funções. Não sei se percebem, mas num país democrático um líder dificilmente aguenta mais de 10 anos no poder. Até Sócrates, esse génio da governação, foi despachado para Paris ao fim de 6 anos. Quer isto dizer que, a terem corrido as coisas normalmente, Chávez já não estaria no poder há um bom par de anos. Ora, mais um atraso na activação das células cancerígenas não é resultado de que a CIA se possa orgulhar, pois não? Enfim, o essencial é que Chávez se mantenha atento. Quanto ao mais, haja saúde.

Chávez, o fim da vida em Marte e os drones que provocam cancro


Rui Rocha,

Hugo Chávez, o tiranete que, com a lucidez que o caracteriza, admitiu no passado que a vida em Marte possa ter sido destruída pelo sistema capitalista, especula agora sobre a possibilidade de os EUA terem desenvolvido um método para provocar cancro nos líderes da América latina (a doença foi também diagnosticada a Lula, Rousseff, Lugo, Kirchner e, quem sabe, a Fidel Castro). Embora não tenha aprofundado a questão no que diz respeito ao método utilizado, não é difícil imaginar um esquadrão de drones, apetrechados com armas que disparam raios cancerígenos e invisíveis e que, com precisão cirúrgica, atingem os corpos dos líderes progressistas daquelas paragens. Enquanto tudo isto se passa na cabeça de Chávez, há entretanto um aspecto que importa realçar como dado da realidade (e não apenas como elemento de teorias da conspiração mais ou menos delirantes): ninguém como Chávez, e numa segunda linha, como os outros líderes da América latina referidos, adoptou de forma tão despudorada um comportamento de aproveitamento político da doença. É evidente que a doença de Chávez, para o tomarmos como exemplo, é um assunto fundamental para a Venezuela. Sem Chávez não há chavismo. Uma doença grave do autor de tal programa político pode implicar uma mudança fundamental da situação do país. O que está em causa, todavia, é transformar uma doença real numa encenação teatral destinada a fortalecer a posição do tiranete e a abafar a oposição interna. Fazer de uma doença um golpe publicitário não é, na Venezuela, uma cabala perpetrada pelos inimigos do socialismo populista e delirante de Chávez. É o exemplo último da farsa em que Chávez converteu o debate político no seu país.

A vida é isto e o caminho faz-se caminhando


Rui Rocha,

Concedo. Não abandonámos ainda os domínios da realpolitik em matéria de diplomacia económica. Aí temos a deslocação de Paulo Portas à Venezuela de Chávez para o provar. Mas, alguma coisa já mudou. Está para nascer o primeiro que possa acusar o Governo actual de manter relações políticas ou comerciais com Khadafi.

Chávez explica queda de Sócrates


jmmcc,

Hugo Chávez acabou de culpar o “capitalismo voraz” pela crise alimentar em África e recomendou aos venezuelanos que ponham bem os olhos na Europa, por achar que foi esse modelo europeu (!), sobretudo, que derrubou o anterior governo português.

O homem deve estar doente.

“A Europa está altamente endividada, não pode pagar a sua dívida e agora precisa de auxílio internacional. Em Portugal até caiu o governo“ — insistiu Chávez. E acrescentou que foi por causa da «”crise espantosa” ocasionada pelo sistema capitalista».

O homem está doente.

Um tiro no narcisismo-leninismo


Rui Rocha,

Noam Chomsky é um eminente linguista. Para além disso, tem sido um crítico feroz do “imperialismo” americano e um defensor incansável de regimes indefensáveis. O regime de Chávez, na Venezuela, tem sido, naturalmente, objecto das maiores loas e encómios por parte de Chomsky. A cobertura ao chavismo acaba, todavia, de sofrer um rombo. Noam Chomsky, em carta aberta publicada num jornal venezuelano, denunciou o tratamento degradante sofrido pela juíza Maria Lourdes Afiuni no cárcere e exigiu a sua libertação.  A prisão de Afiuni foi ordenada na sequência de uma decisão que tomou de libertar um banqueiro acusado de corrupção pelos chavistas. E, na Venezuela de Chávez, libertar banqueiros ou empresários é uma decisão de alto risco que se paga com a liberdade. A  situação humanitária de Afiuni atingiu tal gravidade que nem o entusiasmo de Chomsky pelo chavismo o impediu de ver o óbvio. A posição de Chomsky constitui um tiro na barcaça do narcisismo-leninismo protagonizado por Chávez. É claro que restará sempre uma esquerda festiva pronta para celebrar os carnavais de Caracas. Mas o distanciamento de intelectuais como Chomsky retira ao regime qualquer chancela de validade ideológica.

Está lá? Muammar? Sou eu, o Hugo!


jmmcc,

O olhar arguto não engana: Hugo Chávez apresentou ontem uma proposta de mediação de paz para a Líbia e continua em contacto telefónico com Muammar Kadhafi, no mesmo dia em que este usou a sua aviação militar contra os revoltosos na cidade de Brega.

Enquanto Kadhafi demonstra pela força o apreço que tem pelo “seu” povo, talvez fosse melhor Chávez não gastar os parcos neurónios em falinhas mansas com o tirano líbio e ir assistir ao desenrolar dos acontecimentos in loco para ver se apanha a ideia. Que tal mandá-lo abaixo de Brega?

Os dois amigos da família Kadhafi


Pedro Correia,

                           

 

Uma família entra em guerra contra um povo inteiro. Não hesita em virar os fuzis contra cidadãos desarmados. Perde o apoio da sua própria rede diplomática. Vê a bandeira que arriou voltar a ser hasteada nos mastros. Recebe a censura generalizada da comunidade internacional – incluindo o voto unânime do Conselho de Segurança das Nações Unidas, arriscando-se a responder perante o Tribunal de Haia por violação grosseira do direito internacional.

A acção criminosa desta família que acumulou milhões ao longo de quatro décadas no poder tem a reprovação do mundo inteiro? Nem por isso. Hugo Chávez e Daniel Ortega estão solidários com ela. O que diz tudo sobre um e outro.

Chávez escreve a Khadafi (qualquer semelhança com a realidade é impura coincidência)


Rui Rocha,

“Querido Muammar, sé que estás pasando por las dificultades que te está creando una contrarrevolución que no has liquidado. Error mayor. Yo te lo recalqué, cuando en Margarita te entregué la réplica de la Espada de Bolívar que camina por la América Latina, para que la pusieras a lo mismo por allá. Y te dije: no olvides que tu revolución como la mía dependen de nosotros y que el imperio y aliados andan buscando cómo acabarnos por la vía del magnicidio o el golpe de Estado. Te advertí que tenías que ponerte pila y copiarte de mí la idea de mantener un aparato supuestamente democrático que te librara de la acusación de dictadores como Ben Alí o Mubarak. Yo, desde un inicio, me hice pasar por un demócrata que venía a introducir cambios en una situación de grave crisis. Y así me gané al reformismo. Pero yo iba por el cambio del sistema y con esto me embolsillé a los radicales. Y sin mayores aspavientos, gané espacios y hoy soy materialmente el dueño de quienes algunos por ahí califican de expaís. (…) De modo que nadie me puede acusar de dictador, porque además, siempre he ganado con la ayuda de las negociaciones adelantadas con “las oposiciones”. Por eso hoy avanzamos tranquilos hacia la construcción de un socialismo cada vez más profundo, concreto y trascendente. ¡Eh! Y no olvides, hermano Muammar, que sólo la revolución paga dividendos. En un inicio sabíamos que el socialismo sólo lo puede imponer la dictadura del proletariado, si lo hay. Pero nosotros superamos a Marx y a Engels y demostramos que unos golpistas militaristas revolucionarios como nosotros, podían convertirse en una vanguardia que está y seguirá vigente. Por eso yo metí a socialistas a todos mis compañeros militares. Y a eso le sumé mis otros tarifados en misiones, consejos comunales, cooperativas, milicias, comunas. Y si alguien se me alza le aplico la fuerza del Estado para controlarlo. Así tengo asegurado mi mando-poder hasta que me dé la gana por la vía del fraude-trampa, la compra-venta de votos y el quiquirigüiqui que hacemos con las oposiciones.¿Eh? Por todo esto te digo que debes declararte en emergencia y liquidar la contra que está ligada al imperio y sus aliados para atacarte. No puedes dejar que las protestas tomen más cuerpo. Recuerda mi 11 de abril del 2002. Me dejé de tontería. Apliqué la violencia a tiempo y mira donde estoy. Insisto: tienes que salvar tú revolución a como dé lugar. Tú y yo somos el todo de nuestros procesos. Si morimos, se acabarían nuestras revoluciones, Fidel siempre lo dice. Tú y yo, más allá de ser presidentes, como bien lo dijiste, somos los líderes, los salvadores, los mitos, símbolos, guías de la revolución. Los gloriosos hijos de Bolívar y Fidel (…).”

 

* Excertos da carta ficcional de Chávez a Khadafi hoje publicada por Agustin Blanco Muñoz no jornal El Universal (Venezuela)