Uma análise isenta sobre o percurso político de Chávez deve ter presente alguns aspectos essenciais. Desde logo, o ponto de partida. Os protagonistas que o precederam deixaram o país mergulhado na corrupção, a braços com uma profunda crise política, económica e social e com níveis de desigualdade absolutamente escandalosos, num processo que terminou no impeachment de Carlos Andrés Pérez. O sucesso da proposta chavista deve-se, para além das óbvias manobras e golpes de manipulação das regras democráticas, ao falhanço estrepitoso das forças políticas mais à direita. Não encontraram, antes de Chávez, propostas políticas credíveis e, depois, não souberam resgatar-se do passado nem foram capazes de apresentar alternativas de renovação. Muitos anos passaram até que esse espectro político encontrasse, com Capriles, um projecto percebido como sério pelos eleitores. Depois, o balanço não pode ficar pela apresentação, a seco, da evolução dos indicadores económicos e sociais do chavismo. É preciso, contextualizá-los, antes de mais, com a subida vertiginosa do preço de matérias-primas como o petróleo que beneficiaram muito a Venezuela. E é necessário, sobretudo, perceber que o sucesso em certos indicadores não justifica, em caso algum, práticas anti-democráticas de caudilhismo, manipulação da realidade e repressão da libedade de expressão. Caso contrário, teríamos de reconhecer que certas experiências totalitárias, que condenamos com justificadas razões, deveriam ser reabilitadas em função de algum sucesso económico que tivessem promovido. Por último, não se pode deixar em claro o aproveitamento grotesco que Chávez e os seus putativos sucessores fizeram da doença e da morte, utilizando-a como arma de arremesso político e de legitimação das suas aspirações. O sofrimento e a perda, independentemente da simpatia que temos ou não pela pessoa e pelo político, devem ser respeitados. Ponto é que essa contenção inclua também o próprio e os que lhe estão próximos.
Alguns apontamentos sobre Chávez
Rui Rocha,

Inteiramente de acordo.
Fazem falta apreciações serenas como esta.
Bem, quanto a corrupção na Venezuela de Chávez:
«”A região saiu bem da crise mundial. Seu modelo econômico dá bons resultados macroeconômicos, mas não se traduz em uma melhora da qualidade de vida dos cidadãos. A América Latina é a região mais violenta, onde a desigualdade é maior”, assegurou o diretor da Transparência Internacional para as Américas, Alejandro Salas.
Figuram entre os mais transparentes Chile (72 pontos), Uruguai (72), Porto Rico (63), Costa Rica (54), Cuba (48) e Brasil (43). Na outra ponta da lista, aparecem Venezuela (19), Paraguai (25), Honduras (28), Nicarágua (29) e Equador (32).
Entre uns e outros, em ordem decrescente quanto à transparência, estão El Salvador (38), Panamá (38), Peru (38), Colômbia (36), Argentina (35), Bolívia (34), México (34), Guatemala (33) e República Dominicana (32).»
Daqui: http://g1.globo.com/mundo/noticia/2012/1 2/venezuela-e-o-pais-mais-corrupto-da-am erica-latina-diz-relatorio.html
A revolução verdadeira (em curso) é uma coisa totalmente diferente, só que eles (os “revolucionários” marxistas) não são capazes de a entender. 013/03/06/a-quaresma-de-jesus-cristo-e-o-d espertar-politico-global/
http://umjardimnodeserto.wordpress.com/2
Zé de Portugal, li o seu comentário e segui o link que anexou. Antes de avançar no meu comentário, se utilidade tiver para alguém, quero afirmar que não sou nem esquerdista nem direitista, apesar de ver melhores exemplos cristãos por parte dos da esquerda. Quanto ao despertar desta nova era e o texto que reflecte este período quaresmal que nós, cristãos, celebramos e procuramos viver, desejo acrescentar o seguinte:
Os evangelhos também nos apresentam conflitos durante o ministério de Jesus na galileia. Ele, por essa altura, também era, melhor, tinha-se tornado um personagem controverso. Antipas pensava que João Baptista tinha ressuscitado (Mc. 6, 14). Lucas (13,31ss) dá-nos conta que alguns fariseus tinham avisado Jesus que Antipas queria matá-lo. Passo a gora a transcrever parte desta passagem:
“Parte, vai-Te daqui, porque Herodes quer matar-Te. Respondeu-lhes: Ide dizer a essa RAPOSA: Estou a expulsar demónios e a realizar curas hoje e amanhã; ao Terceiro dia atinjo o Meu termo. Mas Hoje, Amanhã e Depois, devo seguir o Meu caminho, porque não se admite que um profeta Pereça fora de Jerusalém”.
Bem, creio que entendeu que Raposas houve e continuarão por aí, e muitas delas disfarçadas de tudo e de nada; pena é que poucos profetas, hoje, queiram atravessar a Cruz, para poderem ver o que há para além dela.
Rui, de todos os textos que li sobre o Hugo este é o que mais me toca. Se as rupturas não forem “violentas”, como poderemos nós avançar?
Devo acrescentar ao comentário anterior que o Hugo, para retirar parte da população que na miséria vivia, gastou mais de 400 mil milhões de dólares. Usou a riqueza do país para beneficiar os mais desprotegidos – sem esquecer a classe média -, algo inédito naquela Venezuela. Venham muitos mais Chávez, e outros a seguir que melhor façam. Afinal só a alternância lúcida poderá fazer avançar um país.
Nojo.
Um militarista que usasse o preto em vez do vermelho seria um fascista dos piores…
Mais um que não entende que a acção de Chavez não foi mais que corromper as pessoas e torná-las incapazes.
Vamos ver o lindo caminho da Venezuela, será só a descer se o preço do petróleo não subir. Os 30% de desvalorização recentes foi só um aperitivo.
Lucky, já vi que há notas nas minhas pautas que o arrepiam. Eu bem me esforço por contentá-lo mas não sou capaz. Bem, nem tudo é mau, se me persegue é porque me encontrou.
Como sempre gostei da tua análise!
A questão parece-me simples: Chavez contribuiu para o fortalecimento da democracia na Venezuela? E a resposta também me parece igualmente simples: não.
Um ditador obscurantista que governou através do insulto banal e do medo que provém da ignorância e da superstição. Não fosse a arrogância típica de um novo-rico suburbano que lhe provinha do controlo (à força) sobre os poços de petróleo, não teria passado de um sub-evo Morales a mascar folhas de coca. Tal como muitos parasitas da nossa vida política, teve a sorte de ter boa imprensa porque beneficiou da tolice e superficialidade típica dos jornalistas esquerdistas e do facto de nunca ter sido apanhado a despachar adversários.
Boa análise, equilibrada.
Gobierno de Venezuela ha prohibido “la distribución, expendio y consumo de bebidas y especies alcohólicas en todo el territorio nacional entre el 6 y el 12 de marzo, ambos inclusive”. El Ejecutivo ha explicado que estas medidas tienen por objetivo “garantizar el resguardo de la integridad física de las personas y mantener el orden interno y normal desenvolvimiento de las exequias, los honores estatales y actos fúnebres póstumos que se realizaran con ocasión del lamentable fallecimiento del comandante-presidente”. Además, ha recordado que “con ocasión del lamentable fallecimiento del comandante-presidente, el pueblo venezolano recibirá la visita de varios líderes políticos, presidentes y otras personalidades internacionales para acompañar las exequias, los honores estatales y actos fúnebres póstumos”.
(ABC)