Era uma vez uma menina que tinha uma capa vermelha e tal e coiso. Como a mãe estava doente e desempregada e não tinha apoios sociais nem dinheiro para a refeição, a menina foi buscar o almoço a casa da avó que vivia na floresta. No caminho encontrou um lobo que lhe perguntou onde ia e conversa para trás e para a frente e chegou a casa da avó e comeu-a. Quando o capuchinho vermelho chegou a casa da avozinha, apercebeu-se que esta tinha umas mãos, uns olhos e uma boca muito grandes. Fez-lhe aquelas perguntas todas e, quando chegou à da boca, o lobo respondeu é para te comer, saltou da cama, comeu a menina e adormeceu. Um soldado da GNR que passava por ali, entrou, viu o lobo a dormir e lembrou-se que este podia ter comido a avó. Preparava-se para cortar a barriga do lobo, quando apareceram três utilizadores do Facebook que o impediram de levar a sua intenção por diante: que não, que era preciso perceber se o lobo não teria justificação para proceder daquela maneira. Exigiram a elaboração de um relatório de integração social, um levantamento das condições económicas e das oportunidades de vida, uma análise exaustiva da infância do lobo e diversas outras perícias. Fizeram uma petição em que, para além de outros aspectos relevantes, argumentaram que os animais não têm maldade e que coitadinhos. E confundiram ainda de forma absolutamente involuntária situações de maus tratos a animais, que ninguém defende, com outras de diversa fauna e natureza. A petição teve milhares de subscritores. Dias depois, nasceu uma outra petição que pediu a punição do soldado da GNR pelo crime de maus tratos na forma tentada. Graças à intervenção dos três utilizadores do Facebook, o lobo passou a viver na casa da avozinha, tendo direito a quatro refeições quentes diárias, visita semanal do veterinário e a actividades diversas de ocupação dos tempos livres que incluem, entre outras, corte periódico de unhas. O soldado da GNR foi julgado e graças à excelente defesa de um advogado que uns anos antes ficara célebre por enforcar um coelho, safou-se. Entretanto, teve uma depressão profunda da qual nunca recuperou completamente, tornou-se vegetariano e decidiu passar o resto dos seus dias afastado do mundo, numa reserva de ursos situada no norte do Quebeque.

Er… sabes que os lobos não falam, não sabes?
Importante mesmo é saber se escrevem.
Ora, então o Lobo Antunes? E creio que o Lobo Xavier também sabe alinhar umas frases.
Pois aí tens. Se escrevem, também podem falar.
Pelo que vejo, o manifestante do coelho enforcado, acabou por emigrar, contrariando o colega que empunhava o cartaz com os dizeres “não queremos imigrar”. Terá, entretanto, aprendido a escrever português?
É uma espécie de ir para fora cá dentro.
Ao menos, o soldado da GNR ganhou juízo…
E aquele advogado conseguiu safá-lo? Uma destas!
Eheheh.
Um texto excelente !
Reporoduz o “pensar” de certas cabeças- ocas- da- esquerda -inútil -vazia de-raciocinio-escala-de- valores-desumana,é isto a vara de “caviares” e “patês”que pululam por aí, nos facesbooks, média, imprensa, nomedamente na do zé do laço !!!!
Alexandre
E nos Focinhobooks.
O lobo não se chamava Zico?
Senhor Zico.
Já tem 16 pinchos para o Facebook, a tua menina da capinha vermelha 🙂
And counting.
Uma história catita. Encomendo-te já outra: a dos três porquinhos pontapeteados na auto-estrada por um primo desse GNR. Ou seria o mesmo? 🙂
Nunca se sabe, Ana. Nunca se sabe.
Excelente história .
Nunca se deve desvalorizar o poder de gente pouco inteligente quando acha que tem apoios significativos , as mais das vezes por omissão.
Foram eles que nos trouxeram à baralhação de valores com que coabitamos .
Tem razão.
Mas quem é que mandou o Capuchinho vermelho dar conversa ao Lobo?
Só mesmo á estalada!
Sim, um bom par de chapadas resolviam o ponto. Dá-las ao lobo é que não.
E lá se foi o Dia da Mulher, pela goela abaixo dum lobo qualquer…
Nada de grave, se assumirmos que o dia do animal é o mais importante.