Hugo Chávez no conclave


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[Bonecos de Chávez são vendidos nesta terça-feira (12) nas ruas de Caracas (Foto: Ronaldo Schemidt/AFP)]

 

Para Nicolás Maduro, Presidente em exercício da Venezuela, o falecido Presidente Hugo Chávez terá tido alguma influência na eleição de um Papa argentino. “Nós sabemos que o nosso comandante subiu até às alturas, que está em frente de Cristo. Alguma coisa influenciou para que tenha sido escolhido um Papa sul-americano, alguma mão nova chegou a Cristo e lhe disse: chegou a hora da América do Sul. Assim nos parece”, disse Maduro em declarações transmitidas pela televisão oficial venezuelana. (nos jornais)

 

Em Portugal Boaventura Sousa Santos escreve um texto sobre Chavez de verdadeira ciência política, debruçando-se sobre a “química” chaveziana, base do seu poder, o socialismo de XXI. Culmina BSS com uma crítica aos políticos democratas (capitalistas) europeus, pois quando morrem não são chorados em sofrimento popular. Constate-se a mudança neste o teórico socialista: não só o sufrágio universal é insuficiente, as eleições não legitimam o poder, como também as “arruadas”, antes tão convocadas, são insuficientes. Agora o critério de validade progressista, da legitimidade política, transitou para a dimensão dos rios de lágrimas apaixonadas (pre mortem e post mortem) que os políticos causam. O “condoímento” é o condimento desta teoria? 

 

Os bloguistas e leitores desta esquerda pós-iluminista (e defensora da teocracia iraniana – já agora, quantas lágrimas de pesar colherá Ahmadinejad?) “linkam” e “laicam”. Os intelectuais apoiam. Os académicos apoiam. E, mais do que tudo, citam e referenciam. A imprensa remunera. O XXI português, o seu discurso político, resplandece. Deve ser da “química” do “carisma”. 

 

Poderosa química, até alquímica. Pois, e como diz o lugar-tenente de Chavez, até Cristo, lá no sagrado Alto, lhe é sensível. Têm então os crentes, os praticantes e até os infiéis, um Papa Chaveziano.

 

10 comentários em “Hugo Chávez no conclave”

  1. quantas lágrimas de pesar colherá Ahmadinejad?

    Nenhumas. Ahmadinejad não será reeleito, não morrerá como presidente. Ele é um presidente estilo ocidental, está lá durante o seu mandato e depois é substituído por outro.
    Quando muito, algum aiatola poderá recolher lágrimas de pesar, mas mesmo isso, não creio (no islamismo não há santos e é bem claro que todos os seres humanos são apenas isso mesmo).

  2. Um bocado estranho, porque os poderes dele não parecem ser por aí além.

    «Hugo Chávez podría no ser embalsamado. Según publica el diario venezolano «El Universal», y otros medios internacionales, el expresidente de Venezuela podría no ser embalsamado, tal y como ya se habia anunciado, porque el proceso debía haberse iniciado antes.

    De hecho, la publicación recoge las declaraciones de Nicolás Maduro al respecto en la Feria Internacional del Libro de Venezuela: «Llegaron científicos rusos y alemanes para embalsamar a Chávez y nos dicen que es muy difícil porque se debió haber comenzado antes (…) de pronto y no se puede. Estamos en medio del proceso, el proceso es complicado, es mi deber avisarles».

  3. Esta idolatria chavista é um fenómeno curioso mas previsível. É da natureza humana, e mais ainda da natureza dos latinos. Ou seja, a América Latina encontrou a sua nova Evita.

  4. Oxalá o camarada Maduro consiga mesmo ver embalsamado o seu idolatrado Huguito. Assim poderá transportar a múmia além-fronteiras, como uma imagem itinerante. O general Perón viajava também com a múmia da Evita, chegando a hospedar-se com ela em hotéis de luxo.

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