Presidenciais (13)


Pedro Correia,

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Debate Henrique Neto-Marcelo Rebelo de Sousa

 

Estes debates decidem-se muitas vezes em função das expectativas. Sendo assim, Henrique Neto pode dar-se por satisfeito pela sua prestação no frente-a-frente de ontem na SIC Notícias que marcou a estreia de Marcelo Rebelo de Sousa nesta série de confrontos a dois nos canais informativos.

Marcelo chegou ao estúdio com um sorriso rasgado e terminou o debate quase irritado com as sucessivas farpas que o empresário da Marinha Grande lhe dirigiu. Neto, em constante piscar de olho ao eleitorado de esquerda, deu até a entender que corre a Belém para evitar a eleição do antigo líder do PSD. Jogando ao ataque, acusou-o de trair os amigos, “fabricar factos políticos” e escrever cartas elogiosas a Marcello Caetano antes do 25 de Abril. “Eu vivi a oposição ao antigo regime. Quando estava a apanhar pancada na avenida principal de Aveiro, o senhor professor escrevia uma carta ao então presidente do Conselho a aconselhá-lo a ser mais duro e a dar mais pancada, provavelmente.”

Condicionou Marcelo, que recordou ter viabilizado três orçamentos de António Guterres quando Neto era deputado do PS: “O actual Presidente da República e os barões do partido [PSD] estiveram nessa altura contra mim.” O professor chegou até a puxar de credenciais antifascistas: “Tive ficha na PIDE e os meus artigos no Expresso eram cortados pela censura.”

A diferença entre ambos, acentuou o candidato apoiado pelo PSD e pelo CDS, “é que o senhor está zangado e eu não: eu acredito nos portugueses”. Neto, que começou o debate de cara muito séria, já então se dava ao luxo de sorrir.

 

Vencedor: Henrique Neto

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Frases do debate:

 

Neto  – «Marcelo Rebelo de Sousa é parte do sistema. Mais talvez do que qualquer outra pessoa, teve um poder enorme neste país, que é o poder da televisão.»

Marcelo – «As pessoas conhecem-me. Sou escrutinado há 40 anos.»

Neto  – «Com as suas qualidades e a sua inteligência, o senhor podia ter mudado o destino do País.»

Marcelo – «Votem no candidato Henrique Neto, votem em qualquer um, mas votem.»

 

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O melhor:

– Henrique Neto aproveitou para pescar votos em várias águas. A seu ver, “a televisão fabrica ministros e Presidentes da República que são, na prática, Berlusconis e José Sócrates.”

– Posta em causa a sua isenção como comentador televisivo, o ex-presidente do PSD não hesitou em avivar memórias: “Saí de uma televisão por pressão de um governo do meu partido e [noutra ocasião] o líder do meu partido pediu a minha cabeça.”

O pior:

– Marcelo exagerou nos elogios iniciais ao seu opositor, na aparente tentativa – afinal frustrada – de lhe amaciar o discurso.

– O empresário esqueceu-se de pôr algum travão na demagogia: “Eu vejo todos os dias pessoas da classe média, de mão estendida, a pedir envergonhadamente ajuda na rua.”

Presidenciais (12)


Pedro Correia,

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Debate Maria de Belém-Marisa Matias

 

Pode-se começar um debate a perder ainda antes de o opositor abrir a boca? Pode. Maria de Belém Roseira gastou os quatro minutos iniciais da sua intervenção, no frente-a-frente com Marisa Matias ontem à noite na TVI 24, a enumerar diversos pontos do seu percurso biográfico. Deixando pressupor o reconhecimento de que tem um défice de notoriedade junto dos portugueses. Algo insólito numa pessoa que foi deputada e exerceu duas vezes funções ministeriais, além de ter sido presidente do Partido Socialista.

Bastou à eurodeputada do Bloco de Esquerda uma simples frase de réplica para desmontar a lógica argumentativa da sua oponente: “A candidatura à Presidência da República não deve ser vista como um concurso de antiguidade.”

Parece faltar um eixo central às intervenções públicas de Maria de Belém, que insiste em falar do seu currículo à falta de melhor tema. Um aspecto que ainda poderá corrigir em futuras intervenções. Marisa Matias, pelo contrário, vai direita ao assunto. Neste debate deixou bem clara a sua posição relativamente ao caso Banif, com palavras que todos entendem: “Eu jamais assinaria de cruz um orçamento que retira 3 mil milhões de euros aos portugueses, que uma vez mais vão pagar os desvarios do sistema financeiro.” Para comunicar bem não é necessário esperar pelos cabelos brancos.

 

Vencedora: Marisa Matias

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Frases do debate:

 

Belém  – «O que me separa de Marisa Matias é, fundamentalmente, a minha experiência de vida.»

Marisa – «Entristece-me ver políticos tão experientes a desistir do seu país.»

Belém  – «Eu sou uma feroz defensora do meu país.»

Marisa – «Temos maneiras diferentes de ver o Estado Social.»

 

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O melhor:

– A eurodeputada bloquista lembrou que o executivo Sócrates – que Maria de Belém apoiou – decretou cortes nos abonos de família.

– Maria de Belém induziu que a sua oponente não conhece suficientemente bem a Constituição ao lembrar-lhe que a lei fundamental “impõe limites aos poderes do Presidente da República”.

O pior:

– “Enorme experiência, sensibilidade, dedicação a causas”: a ex-ministra da Saúde exagerou no auto-elogio.

– Marisa Matias rejeitou que a Presidência da República seja “uma espécie de prémio de carreira”, recusando encarar o óbvio.

Presidenciais (11)


Pedro Correia,

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Debate Edgar Silva-Paulo de Morais

 

À beira do fim do debate, Edgar Silva irritou-se com Paulo de Morais porque o ex-presidente da Câmara do Porto aparentava desconhecer projectos de lei do PCP. Naquele momento, o candidato madeirense que integra o Comité Central comunista pareceu esquecer-se de que estava num debate presidencial, quedando-se na condição de porta-voz do seu partido.

De resto, no frente-a-frente desta noite na RTP3 falou-se de quase tudo menos dos poderes do Chefe do Estado, que será eleito a 24 de Janeiro. Em cima da mesa estiveram temas tão diversos como os subsídios à agricultura, o encerramento de escolas e centros de saúde ou o preço dos manuais escolares. Temas pertinentes mas todos da órbita do Governo. Ora o Presidente, como geralmente se sabe, não governa.

Morais acabou por conduzir também este debate para o terreno que mais lhe interessa: o da corrupção. É um nicho de mercado eleitoral com sucesso garantido e ninguém o sustenta com tanto afinco como ele. Com tiradas demagógicas, naturalmente. Mas a demagogia, até mais ver, não paga imposto. E permite agarrar o auditório. Como nesta pequena história que narrou: “Hoje quem durma em Portugal num hotel de cinco estrelas, no momento em que vai tomar o pequeno-almoço, tem duas hipóteses – ou toma-o no hotel e paga IVA a 6% ou atravessa a rua e vai ao restaurante ou ao café, e paga IVA a 23%.”

 

Vencedor: Paulo de Morais

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Frases do debate:

 

Morais – «Sou obcecado pela corrupção.»

Edgar  – «É fundamental combater a promiscuidade entre os negócios e a política.»

Morais – «O Estado português deve cumprir os seus compromissos, gastando menos naquilo em que não deve gastar.»

Edgar  – «O País tem 30% da população na pobreza absoluta.»

 

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O melhor:

– As bicadas de Edgar Silva ao Partido Socialista ajudam provavelmente a cimentar o eleitorado do PCP.

– Paulo de Morais diz o que as pessoas querem ouvir. “O Estado deve ir buscar dinheiro às parcerias público-privadas e pegar nesse dinheiro para aplicar nos hospitais.”

O pior:

– Ao fazer uma campanha inteira a clamar contra a corrupção, como faz o ex-braço direito de Rui Rio na Câmara do Porto, corre o risco de banalizar o tema.

– O candidato comunista comparou os atentados terroristas em Paris de 13 de Novembro à “devastação social” em Portugal.

Presidenciais (10)


Pedro Correia,

 

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Debate Edgar Silva-Maria de Belém

 

A boa preparação dos concorrentes faz a diferença nestes debates.

Edgar Silva, o candidato apoiado pelo Partido Comunista, deu ontem à noite provas disso quando acusou a sua oponente, Maria de Belém, de pretender interromper a legislatura, investida nas supostas funções de Chefe do Estado, se Portugal não cumprisse as metas do Tratado Orçamental. Para o efeito socorreu-se de recortes da imprensa, designadamente de declarações da candidata ao Expresso e ao Jornal de Negócios.

Estava o frente-a-frente na SIC Notícias ainda no início e já o ex-padre madeirense marcava pontos neste confronto com a socialista católica que avançou para uma candidatura presidencial sem pedir autorização ao secretário-geral do PS.

Maria de Belém viu-se remetida a posições defensivas, gastando largos minutos a tentar rebater aquelas imputações. Mas as suas explicações exigiam minudências mal apercebidas pelos espectadores. Afinal, como alegou, o que ela punha em causa nessas declarações era o cumprimento dos tratados europeus a que o Estado português se vinculou.

O debate resvalara para o terreno mais propício a Edgar Silva, que acusou Belém de convergência com a Europa da “senhora Merkel” que ele frontalmente repudia. “O senhor quer encostar-me a uma coisa que não é verdade”, protestou a oponente. Mas estava já em fase de contenção de danos e quase não houve tempo para mais.

 

Vencedor: Edgar Silva

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Frases do debate:

 

Belém – «O meu programa é a Constituição da República Portuguesa.»

Edgar  – «A minha candidatura é despudoradamente de esquerda.»

Belém – «Eu sou uma construtora do Estado Social.»

Edgar  – «Temos uma situação de terrorismo social que está a devastar vidas.»

 

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O melhor:

– Maria de Belém não deixou de lançar uma farpa ao ausente Sampaio da Nóvoa, seu concorrente mais directo: “Não surgi aqui de repente. Tenho mais de 40 anos de vida pública e de vida política.”

– O ex-sacerdote Edgar Silva faz contínuas alusões à pobreza e à exclusão social, o que o tornam simpático aos olhos de alguns eleitores católicos.

O pior:

– A ex-ministra da Saúde jogou à defesa pelo segundo debate consecutivo.

– O candidato do PCP estava nervoso: as mãos tremiam-lhe quando segurava nas fotocópias dos recortes da imprensa.

Presidenciais (9)


Pedro Correia,

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Debate Henrique Neto-Sampaio da Nóvoa

 

António Sampaio da Nóvoa foi surpreendido neste seu segundo debate – travado ontem à noite na RTP3 – pela acutilância de Henrique Neto. São ambos independentes, mas têm estilos antagónicos. Nóvoa gaba-se de ter estado “muitos anos no governo de uma grande universidade pública”, Neto orgulha-se de ter sido “trabalhador, operário, empresário e dirigente industrial”.

O moderador, José Rodrigues dos Santos, começou por questionar a experiência política de ambos. O ex-reitor da Universidade de Lisboa evocou em sua defesa “uma vida dedicada a um combate permanente pelas liberdades”. Descendo ao concreto, Neto acusou o jornalista de estar “mal informado”, recordando que militou desde os 14 anos em todos os movimentos de combate ao salazarismo, incluindo o MUD Juvenil e a candidatura de Humberto Delgado. E cedo passou da defesa ao ataque: “Nem os candidatos do sistema nem os de fora do sistema têm a minha experiência política, económica e empresarial.”

Durante quase todo o frente-a-frente Neto primou pela contundência face ao opositor: “O meu espanto é que, sendo académico, tenha tão pouco sentido crítico em relação àquilo que o rodeia.” Nóvoa, desconfortável no terreno do confronto directo, refugiou-se em fórmulas abstractas, como esta: “A experiência política é a história de uma vida.”

Às tantas, desabafou: “Eu não estou para ajustar contas com o passado.” Como se tivesse a noção de que o debate não lhe estava a correr bem. E assim era, na verdade.

 

Vencedor: Henrique Neto

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Frases do debate:

 

Nóvoa  – «Precisamos de um país mais preparado e mais capaz.»

Neto – «Os portugueses estão cansados de académicos.»

Nóvoa  – «Não ouvi nada do candidato Henrique Neto sobre nenhuma matéria.»

Neto – «O discurso do senhor candidato [Nóvoa] dá para tudo. Faz um conjunto de afirmações que estão fora da realidade das pessoas.»

 

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O melhor:

– Henrique Neto colocou o opositor em posições defensivas, recorrendo com frequência ao sarcasmo: “O senhor candidato não saiu da universidade.”

– Sampaio da Nóvoa ensaiou um discurso unitário de esquerda ao qualificar de desastrosas as políticas de austeridade.

O pior:

– O empresário da Marinha Grande aproveitou o debate para fazer publicidade a dois livros que escreveu.

– O ex-reitor da Universidade de Lisboa foi incapaz de dar réplica eficaz às farpas do seu antagonista, que o fustigou reiteradamente pelo seu alegado “vazio de ideias”.

Presidenciais (8)


Pedro Correia,

 

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Debate Marisa Matias-Paulo de Morais

 

O vice-presidente da Associação Transparência e Integridade retomou o discurso já utilizado na véspera, durante o frente-a-frente com a candidata Maria de Belém. Perante Marisa Matias, no debate de ontem à noite na TVI24, Paulo de Morais retomou o tema da corrupção e não tardou a ver que a eurodeputada bloquista concordava com ele em larga escala.

“Tenho o maior respeito pela luta que o dr. Paulo Morais tem travado em relação à corrupção. A corrupção mina a democracia”, assentiu Marisa Matias. Baixando a guarda perante um candidato que faz desse tema bandeira única nesta corrida à Presidência da República.

Noutros momentos, enquanto Morais falava a câmara mostrava Matias acenando favoravelmente com a cabeça, Em televisão, a linguagem gestual é uma das formas mais eloquentes de comunicação. O jornalista Paulo Magalhães, que moderava o debate, chegou a ironizar, virando-se para a eurodeputada: “Tem concordado muito com o candidato Paulo Morais.”

As advertências de Marisa sobre a necessidade de não fazer acusações generalizadas em temas tão propícios ao pior dos populismos como a corrupção já soaram a tardias. A candidata desperdiçara preciosos minutos em atitude defensiva, justificando perante o interlocutor determinadas posições do seu partido, como se tivesse esquecido por instantes que estamos perante uma campanha presidencial.

 

Vencedor: Paulo de Morais

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Frases do debate:

 

Morais  – «Temos hoje uma dívida pública gigantesca. Muita dessa dívida deve-se a casos de corrupção, que aliás são feitos à vista de toda a gente de forma insultuosa.»

Marisa – «Não tenho nenhuma vergonha do apoio partidário do Bloco de Esquerda.»

Morais  – «Com a minha assinatura jamais se pegaria em dois mil milhões de euros dos contribuintes para os meter num grupo económico, neste caso [Banif] o Santander. Isto é completamente imoral.»

Marisa – «Quando se coloca tudo no saco dos corruptos está-se a fazer um favor aos corruptos. Não é tudo igual, nem todos os partidos são iguais.»

 

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O melhor:

– Paulo Morais voltou a marcar a agenda e o tom de um debate, que correu à medida dos seus desígnios.

– Marisa Matias controlou a expressão gestual, mostrando-se menos ansiosa do que no debate inaugural.

O pior:

– A eurodeputada do BE passou demasiado tempo a defender o seu partido.

– O ex-vice-presidente da Câmara do Porto ameaça tornar-se monotemático: agarrou no tema corrupção e não o larga.

Presidenciais (7)


Pedro Correia,

                                        

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Debate Edgar Silva-Henrique Neto

 

Ignoraram-se durante os primeiros cinco minutos. De tal maneira que Henrique Neto nem emitiu os votos de “boa noite” da praxe. No serão de ontem, na TVI 24, o empresário da Marinha Grande e Edgar Silva, membro do Comité Central do Partido Comunista, deixaram transparecer que não pretendem desperdiçar artilharia verbal um com o outro.

Houve uma convergência entre estes dois candidatos à Presidência da República: ambos querem “aprofundar a democracia” e prometem fazê-lo se chegarem ao Palácio de Belém. Mas o ex-padre madeirense foi muito mais vago nesta matéria. Neto, que já se tinha insurgido contra a “democracia de fachada” e saído em defesa de listas eleitorais abertas para legislativas, perguntou-lhe se defende uma alteração do nosso sistema eleitoral. Edgar rodeou o assunto, evitando pronunciar-se sobre o tema.

Visivelmente pouco habituado a debates televisivos, o candidato apoiado pelo PCP deixou certamente vários telespectadores perplexos ao admitir que, enquanto Presidente, viabilizaria o orçamento rectificativo há dias aprovado na Assembleia da República com os votos contrários do seu partido. Isto apesar de expressar “profundas reservas e discordâncias de todo o tipo” perante este documento. Transmitiu a ideia de que não ajuizaria em função da sua consciência – péssimo cartão de visita para um candidato à chefia do Estado.

 

Vencedor: Henrique Neto

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Frases do debate:

 

Edgar – «O que Portugal menos precisa é de um Presidente da República que esteja vinculado a estas políticas que trouxeram maior empobrecimento.»

Neto  – «Os candidatos que estão ligados a partidos têm sempre a tentação de sofrer as influências desses partidos.»

Edgar – «Mais e melhor democracia é o ideário que se coloca como a grande prioridade para Portugal.»

Neto  – «Não é por acaso que metade da população portuguesa deixou de votar.»

 

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O melhor:

– Edgar Silva enumerou um extenso catálogo dos direitos sociais: é uma das mensagens que o seu eleitorado quer ouvir.

– Para aprofundar a democracia, Henrique Neto defendeu a introdução do voto nominal, questionando o seu opositor sobre este tema. Ficou sem resposta.

O pior:

– A linguagem redonda e muito formatada do candidato comunista, nomeadamente quando alude aos “valores de Abril”.

– O empresário é filiado no PS mas diz-se “independente dos partidos”.

Presidenciais (6)


Pedro Correia,

 

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Debate Marisa Matias-Sampaio da Nóvoa

Ambos de esquerda, ambos apostados em contribuir para uma segunda volta. Estas são as semelhanças mais notórias. Mas ontem, no debate de estreia da RTP 3 na campanha presidencial, estiveram mais à vista as diferenças entre Marisa Matias e Sampaio da Nóvoa. Com a candidata bloquista a criticar Ramalho Eanes – destacado apoiante de Nóvoa – lembrando que o ex-Presidente contribuiu para a fundação de um partido político a partir de Belém. E o ex-reitor da Universidade de Lisboa a invocar como pergaminhos o facto de ter avançado para a corrida presidencial muito antes da eurodeputada do BE, acusando-a implicitamente de querer transformar este escrutínio numa “segunda volta” das legislativas.

Mas a maior diferença entre ambos surgiu a propósito da intervenção no Banif – tema suscitado pelo moderador, José Rodrigues dos Santos. Com Nóvoa a sustentar a tese do Governo, que a seu ver foi “a solução menos má”, e Marisa a contestá-la: “Não é uma boa solução continuar a ir buscar dinheiro aos contribuintes para alimentar a banca.”

A dirigente bloquista foi categórica: deveria ter sido retirada a confiança ao governador do Banco de Portugal. Nóvoa, sem descolar do Executivo, garantiu que teria promulgado o orçamento rectificativo que a esquerda à esquerda do PS em uníssono rejeitou. Outros temas poderão granjear-lhe votos: o Banif, pelo contrário, não lhe terá dado nenhum.

 

Vencedora: Marisa Matias

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Frases do debate:

 

Nóvoa  – «A pluralidade é sempre positiva em política.»

Marisa – «Eu não serei a candidata do medo.»

Nóvoa  – «Comigo haverá sempre uma cultura do diálogo e do compromisso.»

Marisa – «Temos de tirar, de uma vez por todas, a Constituição da gaveta.»

 

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O melhor:

– Marisa Matias transpareceu convicção e pôs sempre alguma emoção no discurso.

– O ex-reitor da Universidade de Lisboa lançou uma farpa eficaz à oponente lembrando não ter “esperado pelas legislativas” para avançar com a candidatura.

O pior:

– Sampaio da Nóvoa peca por uma retórica que soa a vazio. Ao dizer frases como esta: “No futuro dos jovens está o futuro de todos nós.”

– A linguagem gestual de Marisa Matias traiu algum excesso de ansiedade.

Presidenciais(5)


Pedro Correia,

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Debate Maria de Belém-Paulo de Morais

 

Maria de Belém Roseira perdeu o debate inicial dos candidatos presidenciais, travado ontem à noite, na SIC Notícias. Porque começou à defesa, confrontada com críticas duríssimas do seu antagonista neste frente-a-frente, e não foi capaz de recuperar dessa posição.

Paulo de Morais, o oponente, beneficiou do facto de ter sido o primeiro a falar. Deu o mote ao debate, que durou menos de meia hora no canal de notícias da SIC. Levou portanto a discussão para o campo que lhe interessava – o da necessidade de haver um combate sistemático à corrupção.

Esta é a bandeira do candidato que chegou a ser braço direito de Rui Rio na Câmara Municipal do Porto. E já se percebeu que não abdicará dela durante a curta campanha para as presidenciais do próximo dia 24. Isto dá-lhe popularidade fácil e um nicho de mercado nada desprezível entre os eleitores.

Na sua estratégia de contenção de danos, Maria de Belém entregou ao moderador do debate, Anselmo Crespo, um dossiê que supostamente enumera as suas acções mais relevantes no exercício dos cargos públicos que assumiu até hoje – designadamente quando foi ministra da Saúde num dos executivos de António Guterres.

Não havia necessidade, como diria o Diácono Remédios – e como dirão certamente alguns dos seus assessores.

Porquê?

Porque, com esse gesto, a candidata admitiu implicitamente a vitória de Morais neste debate logo à partida. Não há segundas oportunidades para ter uma primeira opinião. Era Guterres quem o dizia.

Vencedor: Paulo de Morais

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Frases do debate:

 

Morais  – «A classe política, na generalidade, está submetida aos grandes grupos económicos. E os candidatos como Maria de Belém personificam esse facto.»

Belém – «As acusações generalizadas são absolutamente inaceitáveis.»

Morais  – «Os partidos viveram nos últimos anos numa actividade sistémica de corrupção.»

Belém – «Tenho a minha vida claramente ao serviço da luta contra a corrupção.»

 

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O melhor:

– Paulo Morais marcou a agenda neste debate, em que acabou por ditar as regras.

– Maria de Belém, visivelmente incomodada, manteve o tom cordato.

O pior:

– Pretender passar atestados de seriedade aos concorrentes confere uma desnecessária nota de arrogância a Paulo de Morais.

– Maria de Belém não teve tempo de sair da posição defensiva: o debate durou apenas 29 minutos.

Alarmismos e revanchismos


joaomsandre,

Quando faço os meus ataques a posições adversárias tento apresentar tanto quanto possível a minha argumentação. Quando não tenho factos concretos, apenas uma sucessão de “impressões” também o direi. Não sou perfeito (longe disso) nem infalível (honra apenas do excelentíssimo presidente). São apenas regras gerais que tento seguir.

 

Gosto por isso de ler quem faz o mesmo. Quem apresenta factos e argumentos e os defende como tal. Gosto por isso de ler determinados autores à esquerda e à direita, os quais apresentam a sua visão dos factos. Posições ideológicas opostas não invalidam esta postura. pelo contrário, clarificam-na.

 

Nas discussões sobre a formação do próximo governo temos visto pouco disso. À esquerda infelizmente sobra o triunfalismo e revanchismo, especialmente do lado da esquerda “mais à esquerda” (a direita chama isso de “extrema esquerda”, eu prefiro guardar o epíteto de “extrema” para quem não aceita o jogo democrático). À direita tem-se vincado o alarmismo, uma forma de tentar assustar as massas numa acção de “avec la gauche, le déluge“.

 

O Delito de Opinião é um espaço de debate político essencialmente virado para a direita. Nada contra isso. Serei dos poucos que assumem um posicionamento de esquerda ou centro-esquerda dentro do blogue. Ajudo à diversidade e, honra seja feita aos autores que já cá estavam e me acolheram, ao debate de pontos de vista diferentes. Não sou o melhor representante da esquerda, longe disso (nem sequer no blogue), mas vou fazendo o meu melhor seguindo as linhas directrizes que apontei acima.

 

Por isso mesmo não posso deixar de apontar uma falha aqui dentro desta casa neste debate. Por parte de alguns, o debate tem sido extremado com poucas considerações para com os argumentos de outros. Em alguns casos a argumentação pode ser dura, mas existe. Não me reverei nem um grama nas posições, mas consigo compreender os pontos de vista. Noutros casos tenho lido opiniões extremistas e alarmistas, quase a apontar que com um governo PS-PCP-BE Portugal será uma nova Cuba, travestidas de humor (na realidade inexistente, porque forçado).

 

Não é uma tendência necessariamente antiga, mas é algo que espero que volte a desaparecer. O debate esquerda-direita é político e é na política que deve ficar. Tem a ver com objectivos e formas de lá chegar. Tem a ver com valores. Alarmismos pertencem a manifestações e folhas de Excel a (pobres) economistas. Os argumentos devem prevalecer sempre com a perspectiva dos objectivos. A esquerda e a direita poderão não concordar em mais nada, mas se concordarem em tentar compreender os argumentos de ambos os lados a democracia será fortalecida.

 

Não posso com este (ou outros posts) fazer nada pelo debate nacional, mas internamente no blogue e com os comentadores posso fazer esse pedido. Não esqueçamos que os argumentos dos outros lados merecem ser ouvidos. No fundo, a democracia é só isto. O respeito entre maioria e minoria.

 

PS – um mau exemplo de jornalismo de opinião é dado sempre que leio os artigos de João Miguel Tavares no Público. Há dias publicou uma verborreia sobre como a esquerda só quer fazer política e a direita compreende que números são números. Alguém lhe explique para que serve a política, por favor. Hoje leio-lhe a comparação entre António Costa e Salazar. Esta é tão nojenta que não mereceria ser publicada sem levar uma grande ensaboadela de um editor. Melhor serviço tem feito José Vítor Malheiros que, apesar de resvalar ocasionalmente para o triunfalismo, apresenta argumentações. Quem me dera ler no Público de alguém à direita algo de semelhante.

Há quarenta anos.


Luís Menezes Leitão,

 

Faz hoje quarenta anos que ocorreu o célebre debate Soares-Cunhal. O tema na altura, segundo os comunistas, também era saber se o PS se aliava às forças da esquerda revolucionária ou antes à direita reaccionária. Cunhal, durante o debate, bem apelou a Soares para formar governo com o PCP. Este respondeu que, se o fizesse, ganharia seguramente a medalha Lenine, mas o país entraria numa ditadura e de ditaduras já lhe chegava a de Salazar e Caetano. Haverá melhor dia para António Costa anunciar que obteve o acordo com o PCP? Medalha Lenine para António Costa e já.

Legislativas (13)


Pedro Correia,

 

 

DEBATES: O MEU BALANÇO

 

Dos oito debates televisivos, a meu ver, só um terminou empatado. Refiro-me ao debate Catarina Martins-Passos Coelho. Nos outros houve claros vencedores.

António Costa venceu três. Contra Passos, Catarina e Jerónimo.

 

Catarina Martins venceu dois. Contra Jerónimo e Portas.

 

Passos Coelho venceu um. Contra Costa.

Paulo Portas venceu um. Contra Heloísa Apolónia.

 

Jerónimo de Sousa não venceu nenhum.

 

Não houve frente-a-frente Jerónimo-Passos. Nem Costa-Portas.

Derrotado em toda a linha.


Luís Menezes Leitão,

O debate de hoje teve um vencedor claro: Passos Coelho. Hoje apresentou-se pela primeira vez em forma, perante um António Costa que se manteve absolutamente igual ao debate anterior. Só que a prestação de António Costa, se lhe permitiu vencer um Passos Coelho apagado, já não lhe evitou uma derrota colossal com Catarina Martins. Era por isso evidente que bastaria Passos Coelho crescer um pouco para António Costa sair derrotado em toda a linha. Foi o que se passou.

 

Passos Coelho começou por corrigir os erros do anterior debate, ao não ter respondido à crítica disparatada do aumento da dívida e ao auto-elogio (falso) da sua redução em Lisboa. Desta vez fê-lo de forma esclarecedora, aproveitando ainda para chamar a atenção para as miríficas promessas que António Costa tinha feito aquando da sua campanha em Lisboa.

 

Passos Coelho percebeu ainda o que já era óbvio depois da entrevista com Vítor Gonçalves e do debate com Catarina Martins: António Costa passa a vida a dizer que tem compromissos escritos no programa, mas não percebe nada do que lá está. A Vítor Gonçalves nada respondeu, tendo tido a atitude ridícula de lhe entregar um resumo do programa e a Catarina Martins limitou-se a repetir as acusações ao corte de pensões da direita, sendo incapaz de explicar os números que constavam do seu programa.

 

Hoje António Costa foi igualmente incapaz de dar explicações sobre o seu programa, dizendo apenas generalidades ou acusando o adversário. Até numa pergunta simples sobre o modelo de escalões que defende para o IRS nada disse, alegando que lhe faltava “informação fina”. O quadro de receita fiscal constante do orçamento e os dados da sua execução são por acaso “informação grossa”?

 

Curiosamente a estocada decisiva em António Costa não foi dada por Passos Coelho, embora este a tenha imediatamente cavalgado, mas por Graça Franco. Esta perguntou a António Costa a que prestações da segurança social queria aplicar a condição de recurso, conforme tinha previsto no seu programa. António Costa foi incapaz de dar qualquer resposta e, apesar das insistências da jornalista e de Passos Coelho, limitou-se mais uma vez a papaguear generalidades. Provavelmente bem lhe apeteceria repetir o número que fez com Vítor Gonçalves, mas percebeu que não tinha condições para o fazer.

 

No fim do debate, após um briefing com Mário Centeno, lá foi capaz de responder alguma coisa aos jornalistas. A meu ver, foi pior a emenda do que o soneto, pois a imagem que ficou foi a de um político impreparado, que se limita a debitar um programa elaborado por Mário Centeno, do qual nada percebe, a não ser que o mesmo Centeno lhe explique. António Costa bem pode protestar que isto é um “não caso”, que a generalidade dos analistas vê nisto um caso muito sério.

 

Tem sido afirmado que os debates em nada influenciam o resultado eleitoral, a não ser que um dos candidatos cometa uma gaffe monumental. A meu ver foi o que se passou hoje. O que torna imprevisível quem vai vencer as eleições. A partir de agora all bets are over.

O debate.


Luís Menezes Leitão,

Passos Coelho pode orgulhar-se de ter dirigido o governo que conseguiu levar a bom porto o país, depois da situação mais complexa que qualquer governo teve em Portugal desde 1975, em grande parte por culpa do governo anterior. Como primeiro-ministro, revelou-se especialmente em dois momentos extremamente difíceis. O primeiro foi em Julho de 2013, quando segurou o governo, perante a demissão irrevogável do seu parceiro de coligação, Paulo Portas, evitando que a coligação se desfizesse, como sucedeu à AD em 1982 quando Freitas do Amaral tembém decidiu abandonar o barco. O segundo foi em Julho de 2014, quando recusou envolver o dinheiro dos contribuintes no colapso do BES, não repetindo assim o que Sócrates tinha feito com o BPN. Passos Coelho apresenta a seu crédito ter conseguido evitar novos resgates e ter colocado o país novamente a crescer. Por isso, como recentemente escreveu o insuspeito José Silva Pinto neste livro, mesmo que perca as eleições, sairá sempre do governo com a consciência tranquila.

 

O problema é que não se ganham eleições com base nos feitos do governo anterior, e muito menos a referir os deméritos do governo que tinham na altura substituído. Churchill também conseguiu no Reino Unido o enorme feito de vencer uma guerra que no início todos davam como perdida e nas eleições subsequentes foi esmagado pelos trabalhistas. Para ganhar eleições é preciso apresentar um projecto político consistente ao eleitorado e combater eficazmente por ele.

 

A coligação, pelo contrário, convenceu-se de que o balanço que poderia apresentar destes quatro anos chegaria para a vitória e que por isso bastaria aos seus líderes fazerem-se de mortos até às eleições. Diga-se de passagem que até ontem a estratégia parecia resultar, tantos eram os tiros que Costa estava a dar no seu próprio pé. Daí que os debates tenham sido menorizados, não se lhes tendo dado grande importância.

 

Só que a forma como Paulo Portas foi trucidado por Catarina Martins deveria ter feito soar as campainhas de alarme nos partidos da coligação, fazendo prever um combate muito duro com António Costa, no qual Passos Coelho teria que jogar ao ataque. No entanto, este apareceu à defesa, tendo tido muita dificuldade em aparar os golpes do adversário. Nem sequer respondeu a acusações que não tinham qualquer consistência, como a de ter aumentado a dívida. Como é que teria sido possível ela ter sido reduzida depois de o governo anterior ter pedido emprestado 88 mil milhões de euros e continuar todos os anos a existir défice no orçamento do Estado?

 

E deixou passar em claro a afirmação extraordinária de Costa de que tinha vendido terrenos da Câmara de Lisboa e decidido aplicar o montante no pagamento da dívida da autarquia. Como aqui se explica, Costa não vendeu terreno algum, já que eles tinha sido expropriados em 1942. Apenas se limitou a chegar a acordo numa acção que a Câmara tinha instaurado contra o Estado e que não tinha quaisquer garantias de vir a ganhar. E também não decidiu reduzir a dívida com o dinheiro recebido, pois não recebeu dinheiro algum. O acordo no processo foi que o Estado assumiria e passaria a pagar 43% da dívida da Câmara. É espantoso que surjam afirmações deste género num debate e que não surja por parte do adversário uma resposta à altura.

 

Ou os líderes da coligação deixam de fazer de mortos e se preparam a sério para este difícilimo combate ou serão apeados nas próximas eleições sem apelo nem agravo. E quem sofrerá com isso é o país, que passará se calhar a ter o único governo de frente popular da zona euro.

Diferenças de estilo e não só


Sérgio de Almeida Correia,

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“O dr. Passos Coelho e os seus fiéis julgam que fizeram uma grande obra. Já se esqueceram que a troika os forçou a fazer o que fizeram. Como se esqueceram, com certeza por intervenção do Altíssimo, que não cumpriram o programa (aliás, duvidoso) a que se tinham comprometido. Aumentaram a receita do Estado, sem inteligência ou perícia; e fugiram de reformas substanciais com vigarices, com pretextos e com uma insondável indolência.
Quando o dr. Passos Coelho, lá para Outubro, for delicadamente posto na rua, o Governo seguinte com um bocado de papel e uma caneta arrasará numa hora tudo ou quase tudo o que ele deixou.
Entrou provavelmente na cabeça do primeiro-ministro a ideia perigosa de “deixar um exemplo”. E deixou. Deixou um exemplo de trapalhada, de superficialidade e de ignorância. Ou seja, nada de original.“- Vasco Pulido Valente, Público, 24/10/2014

 

O que Vasco Pulido Valente escreveu há quase um ano está actualíssimo depois do debate de ontem. Os comentadores e analistas já decidiram quem ganhou o debate e porquê. Aos pontos ou por “K.O.” para o caso é irrelevante, porque a decisão final será tomada em 4 de Outubro pelos que se predispuserem a ir às urnas. Sobre essa estatística não me pronuncio.

Notarei, no entanto, que pela primeira vez se viu uma diferença abissal entre Passos Coelho e António Costa. Refiro-me ao estilo, à  abordagem das questões, na substância e na forma, em especial na clareza. Miguel Relvas dizia depois do debate que Passos Coelho tinha de ser mais agressivo e esta leitura já diz quase tudo. Agressivo? Em quê? Como? Era preciso que Passos Coelho tivesse argumentos.

Da ausência destes resultou a forma como se foi esfarelando sem glória ao longo do debate, o modo como se esgueirava às questões (aliás, habitual nele), querendo a todo o tempo repescar um passado que não contou com António Costa na proa para a sua triste caminhada para o abismo, trocando e rectificando os milhões – cinco milhões eram afinal cinco mil milhões e meio, confusões normais mas que antes serviram para se gozar com Guterres e Centeno -, com Judite de Sousa a insistir para que respondesse, uma, duas vezes, ele dizendo que a resposta era simples mas sem a dar, levando forte e feio por causa das despesas de 2015 continuarem no mesmo nível de 2011, encaixando o crescimento da dívida e a queda do crescimento, completamente aos papéis na acusação de que deixou o país mais endividado do que encontrou e fazendo como seu trunfo o cumprimento de um programa de ajustamento que qualquer outro governo na mesma situação teria cumprido, tal como outros antes dele também cumpriram. Com gráficos ou sem gráficos, na retórica de Passos – sem programa e sem contas, como Costa bem sublinhou – só cabia o discurso gasto, passista e passadista. E é evidente que Costa não poderia deixar passar em branco as suas vitórias eleitorais em Lisboa – é sempre aborrecido recordá-las – ou o programa de incentivos ao retorno para jovens emigrantes, verdadeiro número de ilusionismo político, digno de uma feira para parolos, destinado a abranger 20 pessoas num país que só em 2012 e 2013 viu sair mais de 200.000 pessoas. 

O erro de Passos Coelho e de quem o aconselhou foi o de pensar que tinha à sua frente para o debate mais um produto formatado numa jotinha, alguém do tipo “Sócrates”. Alguém a quem, com a sua verve e a experiência entretanto adquirida, seria fácil cilindrar com meia dúzia de patacoadas e o agitar dos fantasmas do passado. Enganou-se. António Costa é politicamente também o produto de uma jota, mas tem claramente a seu favor muito mais do que isso. Aquilo que Sócrates não tinha, e Passos Coelho também não tem, nem nunca terá, é a consistência curricular, académica e profissional. O que cavou o abismo foi a diferença entre ter uma escola, um passado e uma carreira que são conhecidos de todos, e não ter nada. Foi também a diferença entre depender de si ou depender de uma jota, dos padrinhos no partido, do subsídio de reintegração ou dos amigos para sobreviver, ir enchendo chouriços e se manter à tona da água até chegar a sua hora. Encostado às cordas por Miguel Macedo e a trapalhada dos “vistos gold”, a Passos Coelho faltou claramente a muleta de Paulo Portas. Está tudo explicado.  

Minudências


Sérgio de Almeida Correia,

Por mim, desde que não seja comigo, José Sócrates pode estar onde ele quiser e com quem quiser.

Os portugueses, hoje à noite, só vão querer saber com quem está António Costa, com quem é que conta, para onde quer ir e como.

Se ele conseguir esclarecer isto sem rodeios, de forma clara, separando o trigo do joio e sem gaguejar, prestará um serviço a Portugal e aos portugueses. Depois até poderá aproveitar o que falta da campanha para promover a qualidade das rolhas da indústria corticeira nacional.

Uma solução


Sérgio de Almeida Correia,

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A desfeita que Marques Mendes e Carlos Abreu Amorim fizeram a Passos Coelho e a Paulo Portas, quando em vez de ficarem calados vieram dar razão às vozes da oposição quanto à decisão de saber quem discute com quem nos debates televisivos para as legislativas de 2015, não devia ter acontecido. António Costa deve-se ter fartado de rir, mas a mim, que já estou com remorsos do que antes escrevi, custa-me ver de fora o líder do CDS-PP.

Num momento crucial do debate político, com tanto para explicar aos portugueses, não seria justo deixá-lo de fora e não lhe dar a oportunidade de apresentar as suas ideias sem estar sujeito à tutela do líder da coligação PSD/CDS-PP e aos amuos dos sindicalistas da oposição. Da feira de Carcavelos à de São Mateus, sem esquecer alguns amigos meus da JC, o Miguel Esteves Cardoso, que disse que ele um dia havia de mandar nesta “merda”, uns sportinguistas emigrados na Venezuela, a Beatriz e a Mariana, mais uns poupadinhos do BES que estão cheios de papel e não sabem que fazer com ele, sem falar numa data de chineses das mais diversas proveniências, que me vieram perguntar pelos seus cartões de desconto e lhe mandaram cumprimentos, não há quem não queira ouvi-lo.

Vai daí lembrei-me de uma solução que, assim o espero, poderá colher a compreensão de gregos, de troianos e das televisões, dando a mais gente a oportunidade de ser esclarecida. E a outros de brilharem e apresentarem as suas ideias. O líder do CDS-PP como institucionalista, homem profundamente respeitador das hierarquias e conhecedor, como poucos, digo eu, das regras do protocolo e das listas de precedências, enfim, da necessidade de a cada um se dar o lugar que lhe é devido, sem atropelos e de acordo com as regras, certamente que estará de acordo com a minha proposta.

Não sendo Paulo Portas candidato a primeiro-ministro, aparecendo ele como o número dois da lista da coligação PSD/CDS-PP por Lisboa, a minha proposta passa pela organização de um debate entre todos os números dois das listas apresentadas no círculo de Lisboa pelas forças políticas concorrentes. Um debate genuíno, entre homólogos, todos segundas figuras das respectivas listas, todos em pé de igualdade, sem necessidade de se andar à procura de umas palmilhas mais altas para alguns.

Para todos eles, mesmo para aqueles que não costumam ir à televisão, seria a hipótese de, pelo menos nesse debate, discutirem as propostas que têm para o país fazendo todos figura de número um. E esta, hein? Seria uma oportunidade de ouro para o líder do CDS-PP poder brilhar, cilindrando o Ferro Rodrigues, a Rita Rato, o Pedro Filipe Soares, a Ana Drago, o Fernando Condesso, e todos os outros que certamente não enjeitariam o convite para participar.

Como diria uma nossa conhecida, se fosse viva e a confrontassem com um convite destes, antes número um por um dia do que número dois a vida toda.

Oxalá que as televisões se entendam para todos terem direito ao seu momento de glória.

Não há volta a dar


Sérgio de Almeida Correia,

O Rui Rocha, com a sua isenção e assertividade, já aqui tinha escrito o essencial, e que embora entrando pelos olhos há ainda quem não queira ver. Ou fazer dos outros parvos.

Se a coligação PSD/CDS-PP não quiser participar nos debates não participa. Será mau para a democracia e o debate, que se espera que ainda venha a haver sobre os assuntos pertinentes que dizem respeito aos portugueses, deixando de fora, o que não será fácil porque lhes está na massa do sangue, as trampolinices eleitorais em que se especializaram. Mas, desta vez, o ponto final é dado por alguém que integra as próprias listas da coligação: “Segundo a lei, as televisões têm de incluir nos debates obrigatoriamente apenas um representante de cada candidatura”.

Se não era isso que queriam pôr na lei, se queriam ter a deputada Heloísa nos debates ao lado do camarada Jerónimo, deviam ter pensado nisso antes e tê-lo dito claramente.

E, já agora, para serem coerentes e consequentes, também podiam esclarecer neste momento o seguinte: se amanhã uma coligação se apresentar a eleições com cinco ou seis partidos, como acontece noutros países europeus, cada um dos partidos que integra a coligação ficará autorizado a enviar o seu representante aos debates, tal como hoje Passos Coelho e Paulo Portas pretendem? A resposta deve ser simples e directa, penso eu.

Quanto menos debates, menos gosto de ti


Rui Rocha,

Vamos cá ver: ninguém obrigou o PSD e o PP a coligarem-se. Agora, se o fizeram, devem assumir as consequências. E essas são basicamente, para não perdermos muito tempo, que Passos Coelho é o líder da proposta política que a PaF, ou lá como se chama, tem para apresentar e que o PP tem uma posição de absoluta subalternidade. Vai daí, o normal é que a PaF, ou lá o que é, seja representada nos debates por Passos Coelho. E ponto final. A recusa de participação em debates em que o PP não esteja representado é, por isso, uma péssima decisão. Como já ninguém acredita que políticos que não conseguem explicar a embrulhada da Tecnoforma e que apresentam Miguel Relvas e Marco António Costa como parceiros de viagem se movam por princípios ou ideais, os eleitores concluirão, naturalmente, que Passos Coelho se move pelo mais puro tacticismo. Que teme, vá la saber-se porquê, que o debate lhe seja desfavorável. É, portanto, e repito, uma péssima decisão. Se debatesse, ganharia ou não. Não debatendo, já perdeu. Discutir, esclarecer, sujeitar-se ao escrutínio e ao contraditório são a essência da democracia. Quem invoca argumentos de secretaria para furtar-se a um debate não pode ter a aprovação daqueles que valorizam a democracia. Aliás, só existiriam vantagens em que Passos Coelho participasse sozinho. Tendo em conta acontecimentos que não estão assim tão distantes, bem poderia suceder que Passos Coelho e Paulo Portas se desentendessem em pleno debate.

Bah!


Rui Rocha,

Ao que parece, Ferro Rodrigues quer desafiar Passos Coelho para um debate com António Costa. O Rodrigo comenta aqui, mas falha o alvo. Na verdade, o debate que todos queremos ver é entre Passos Coelho e Paulo Portas.