Debate Edgar Silva-Henrique Neto
Ignoraram-se durante os primeiros cinco minutos. De tal maneira que Henrique Neto nem emitiu os votos de “boa noite” da praxe. No serão de ontem, na TVI 24, o empresário da Marinha Grande e Edgar Silva, membro do Comité Central do Partido Comunista, deixaram transparecer que não pretendem desperdiçar artilharia verbal um com o outro.
Houve uma convergência entre estes dois candidatos à Presidência da República: ambos querem “aprofundar a democracia” e prometem fazê-lo se chegarem ao Palácio de Belém. Mas o ex-padre madeirense foi muito mais vago nesta matéria. Neto, que já se tinha insurgido contra a “democracia de fachada” e saído em defesa de listas eleitorais abertas para legislativas, perguntou-lhe se defende uma alteração do nosso sistema eleitoral. Edgar rodeou o assunto, evitando pronunciar-se sobre o tema.
Visivelmente pouco habituado a debates televisivos, o candidato apoiado pelo PCP deixou certamente vários telespectadores perplexos ao admitir que, enquanto Presidente, viabilizaria o orçamento rectificativo há dias aprovado na Assembleia da República com os votos contrários do seu partido. Isto apesar de expressar “profundas reservas e discordâncias de todo o tipo” perante este documento. Transmitiu a ideia de que não ajuizaria em função da sua consciência – péssimo cartão de visita para um candidato à chefia do Estado.
Vencedor: Henrique Neto
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Frases do debate:
Edgar – «O que Portugal menos precisa é de um Presidente da República que esteja vinculado a estas políticas que trouxeram maior empobrecimento.»
Neto – «Os candidatos que estão ligados a partidos têm sempre a tentação de sofrer as influências desses partidos.»
Edgar – «Mais e melhor democracia é o ideário que se coloca como a grande prioridade para Portugal.»
Neto – «Não é por acaso que metade da população portuguesa deixou de votar.»
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O melhor:
– Edgar Silva enumerou um extenso catálogo dos direitos sociais: é uma das mensagens que o seu eleitorado quer ouvir.
– Para aprofundar a democracia, Henrique Neto defendeu a introdução do voto nominal, questionando o seu opositor sobre este tema. Ficou sem resposta.
O pior:
– A linguagem redonda e muito formatada do candidato comunista, nomeadamente quando alude aos “valores de Abril”.
– O empresário é filiado no PS mas diz-se “independente dos partidos”.

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