PSD e IL a subir, PS e BE a descer


Pedro Correia,

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Esta foi a primeira sondagem feita após os debates televisivos entre os líderes dos partidos concorrentes às legislativas.

Permite concluir o seguinte:

– PS cada vez mais longe da maioria absoluta;

– PSD encurta distância;

– Na disputa pelo terceiro lugar, Chega ganha vantagem;

– Costa quer formar governo com PAN e Livre, mas não há sequer certeza de que estes partidos elejam deputados;

– CDS arrisca-se a desaparecer do mapa parlamentar;

– Na recta final da campanha, vai reforçar-se a tendência para o voto polarizado nas duas principais forças políticas. Até por efeito do mapa eleitoral ainda vigente neste país que chega sempre tarde a todas as reformas, como o Paulo Sousa aqui acentuou.

 

E os debates, como se reflectiram nestas intenções de voto agora divulgadas pela Universidade Católica?

Sublinho algumas evidências:

 – PSD e Iniciativa Liberal foram os partidos mais beneficiados, fruto das boas prestações televisivas de Rui Rio e João Cotrim Figueiredo;

– BE e PAN, por contraste, foram os mais prejudicados. No caso do partido animalista, devido ao fraquíssimo desempenho da sua dirigente máxima. O problema do Bloco é de outra ordem: este será o partido mais responsabilizado pelos eleitores por ter precipitado a crise política de Outubro.

– E o PS? Os debates não lhe correram muito bem, é verdade. Mas esta quebra nas intenções de voto resulta sobretudo de três outros factores conjugados: António Costa acusa um notório desgaste físico, muitos portugueses cansaram-se deste governo que não chegou a ser remodelado em tempo útil e a chamada “fadiga pandémica” está largamente associada à imagem do primeiro-ministro. 

Costa, que tantas vezes foi gozando com a frase (apócrifa) de Passos Coelho sobre uma suposta “vinda do diabo”, ainda acabará por morder a língua. Porque o diabo chegou mesmo, em forma de pandemia. A nove dias do apuramento dos votos, Portugal é o quarto país da Europa e o sexto do mundo com mais infecções por covid-19 e há cerca de 800 mil eleitores em risco de isolamento.

Os nomes e as coisas


Pedro Correia,

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No debate de segunda-feira na RTP, o moderador tratou quase todos os nove intervenientes pelo nome próprio. Esta recente forma de tratamento, como tantas outras modas, foi importada dos States. Tal como a tendência para dar nomes de pessoas a cães e gatos.

Lá entre a bimbalhada, todos se tratam pelo primeiro nome e até por diminutivos. Incluindo presidentes – daí ter havido o Jimmy (Jaiminho) Carter e o Bill (Gui) Clinton; agora há o Joe (Zé ou Zeca ou Zezé) Biden.

Há-de chegar o tempo em que, pela mesma lógica, o Francisco actual passa a Chico, a Catarina deriva para Cati, o Rui passa a denominar-se Ruca e o António encolhe para Tó. Só Jerónimo continuará a ser Jerónimo, honra lhe seja.

Nos programas televisivos de comentário e debate tornou-se também moda tratarem-se todos por tu, como se tivessem sido colegas da primária ou costumassem jantar juntos. É outra importação “amaricana”, neste caso facilitada pelo facto de no idioma dos States o “you” servir para toda a segunda pessoa, do singular e do plural, haja ou não tratamento familiar.

Isto serve igualmente para a forma como os partidos comunicam connosco. Numa destas manhãs ouvi na rádio alguém de uma agremiação política intitulada Volt dizer-me: «Vota em nós.» E há por aí propaganda partidária de todo o género que insiste em tratar-me por tu. Como se eu fosse muito lá de casa.

Mas não os conheço de parte alguma.

Um Poço sem fundo


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Anda para aí (quase) tudo entusiasmado com esta campanha autárquica de Oeiras – há décadas dominada pelo cacique que o PSD lá colocou e manteve até ser preso por más práticas, o qual depois renasceu como presidente “independente”. Agora surge este jovem, presidente jotinha, brincando ao 007 – porventura será bem apessoado, disso ajuizarão as senhoras e alguns outros “géneros”, pelo menos o suficiente para que possa aguentar a pantomina.

 

Para justificar estes propósitos diz o moço Poço que quer provar não serem os políticos todos iguais. Haveria outro caminho para isso, claro: identificar problemas, apresentar soluções realistas, pois plausíveis e sustentáveis.

 

Mas o jotinha prefere assim. Torna-se óbvio, é um Poço sem fundo. E disso se rirá o veterano, o tal que o povo sufraga no malvado “rouba, mas faz”.