Os nomes e as coisas


Pedro Correia,

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No debate de segunda-feira na RTP, o moderador tratou quase todos os nove intervenientes pelo nome próprio. Esta recente forma de tratamento, como tantas outras modas, foi importada dos States. Tal como a tendência para dar nomes de pessoas a cães e gatos.

Lá entre a bimbalhada, todos se tratam pelo primeiro nome e até por diminutivos. Incluindo presidentes – daí ter havido o Jimmy (Jaiminho) Carter e o Bill (Gui) Clinton; agora há o Joe (Zé ou Zeca ou Zezé) Biden.

Há-de chegar o tempo em que, pela mesma lógica, o Francisco actual passa a Chico, a Catarina deriva para Cati, o Rui passa a denominar-se Ruca e o António encolhe para Tó. Só Jerónimo continuará a ser Jerónimo, honra lhe seja.

Nos programas televisivos de comentário e debate tornou-se também moda tratarem-se todos por tu, como se tivessem sido colegas da primária ou costumassem jantar juntos. É outra importação “amaricana”, neste caso facilitada pelo facto de no idioma dos States o “you” servir para toda a segunda pessoa, do singular e do plural, haja ou não tratamento familiar.

Isto serve igualmente para a forma como os partidos comunicam connosco. Numa destas manhãs ouvi na rádio alguém de uma agremiação política intitulada Volt dizer-me: «Vota em nós.» E há por aí propaganda partidária de todo o género que insiste em tratar-me por tu. Como se eu fosse muito lá de casa.

Mas não os conheço de parte alguma.

50 comentários em “Os nomes e as coisas”

  1. Dr. Chico, Dr.ª Cati, Dr. Zé, Dr. Tó e Dr. Gui, se faz favor, estamos em Portugal e somos todos licenciados.

    E Dr. Jerónimo, mas só mesmo para chatear.

    1. Somos todos “Lic.”, então. Doutores só mesmo uma minoria (eu sei que se inventou essa preciosa distinção entre “Dr.” e “Doutor”, sendo que por estes tempos para o Dr. até já só bastam três anitos; enfim, só mesmo nesta terrinha…).

      1. Agora nem apelidos. Só nomes próprios. Excepto alguns cães. E, como um leitor já notou, também os jogadores futebol. Que dantes era conhecidos apenas pelo nome profissional (Eusébio, Maradona) e agora são mencionados sempre por extenso (Eusébio da Silva Ferreira, Diego Armando Maradona, etc).

  2. Antecipando-me ao comentador “balio”.
    Mas não os conheço de parte alguma
    Como assim? Está sempre a vê-los nos jornais e televisão e até já escreveu sobre alguns.

    1. Fazem quase todos o mesmo. Mal por mal, antes começarem a traduzir literalmente da propaganda espanhola, sempre fica mais perto. Em benefício da “economia circular”.

  3. Os bóbis e tarecos terem nomes ser importação amaricana, carece de prova científica. Ou evidência, como se diz agora. O cão do meu bisavô tinha nome de baterista. Pronto, o próprio era uma alcunha, eu sei.
    Quanto aos diminutivos, não tenho certezas, mas existem casos em que os próprios se apropriam antes que os chamem a eles. O Bill sempre foi o Bill, o Nixon apelidava-se a ele mesmo (pick the Dick), não era alcunha colocada por terceiros.
    Isso dos moderadores tratarem a malta por primeiro nome, dos debates que me lembro ver entre o The Donald e a Sra. Bill, o primeiro era tratado por Mr. Trump, e ela por Secretary(?) Clinton.

  4. “Experimente” aqui ao lado, em Espanha. O trato “Vossa Senhoria”, talvez o encontre no Palácio da Zarzuela e da Moncloa e assim mesmo, com reticências…
    Como disse um amigo meu da pátria de Cervantes, aqui sofre-se demasiado de “titulitis”.
    Sempre o título precedendo a pessoa, nessa estratificação da velha senhora, completamente bacoca e as mais das vezes equívoca e aparente, quer se trate do Dr. Salgado ou da Dr.ª Mónica, operadora de caixa numa dessas “grandes superfícies”.
    Que “pequenas superfícies” ainda povoam este reino!

      1. “Abaixo de cão.”
        Senhor Pedro Correia:
        Peço-lhe o favor de ser mais contido nas palavras.
        Nesta Associação cultivam-se as boas maneiras.

          1. Não, a abreviatura e encontro consonantal era mesmo para ti. E já agora, a talho de foice, quando mencionei a velha senhora, não me referia à juventus. Por fim, dado que pareces demonstrar uma certa obsessão com o PAN, aqui te deixo 5 elegias ao mesmo: “pim PAN pum cada bala mata um” – PAN em Angola; ao PAN estariam reservados outros e mais altos vôos se fosse um partido norte-americano – PAN AM”; a grande figura inspiradora e que está na base da sua criação é esse grande ANIMAL POLÍTICO, chamado Mário Soares? – Ou há 41 anos atrás o PAN teria apelado ao voto em Sá CARNEIRO?; chegará o dia em que o PAN fará de Passos COELHO e José Manuel COELHO membros honorários do partido em simultâneo?

  5. Atualmente, com nome e apelido, só mesmo os jogadores de futebol (tipo Fábio Silva, Daniel Bragança, Pedro Alves, etc). Os políticos, esses só têm nome próprio.

      1. Torna-se penoso ouvir, nos relatos de futebol, os locutores a terem que tratar todos os jogadores por nome e apelido. “Daniel Bragança” são seis sílabas, “Pedro Gonçalves” são cinco. Não conseguirão arranjar nomes mais simples para dar aos jogadores?
        Enquanto os políticos são chamados por nomes com duas ou três sílabas (“Chicão, “Cavaco”, “Rio” ou “Marcelo”), os jogadores têm todos nomes mais complicados!

  6. Eu acho saudável tratar as pessoas pelo nome próprio. Eu trato praticamente todas as pessoas que conheço pelo nome próprio. Acho que é agradável para as pessoas serem tratadas assim.

      1. balio
        balio | n. m.

        ba·li·o
        nome masculino
        1. O mesmo que bailio.

        2. [Brasil: Nordeste] Dono de engenho de açúcar.

        Palavras relacionadas: bailio.

        “balio”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2021, https://dicionario.priberam.org/balio [consultado em 20-01-2022].

        1. Por cá balio é bailio e no Brasil é o não sei quê do açúcar, e prontus.
          Por cá quer dizer ‘magistrado que os nobres confiavam os seus bens’, está no dicionário.
          Assim o apelido Balio vem de pessoa com essa actividade, como a maioria do apelido dos nossos nomes.

  7. Acho que o tratamento por “tu” está no tempo certo.
    É muito mais correcto dizer ” tu passa para cá a carteira”, do que ” você fica em casa com menos 1/3 do ordenado”.
    Mas isto sou eu a dizer, que sou um labrego.

  8. Senhor Doutor Pedro Correia não vejo aqui qualquer problema transcendente.
    1-Era importante debater os problemas do país, o problema é que o Sr.Dr. Correia preocupa-se mais com estas banalidades.
    Sim os meus cães tem nomes próprios, não são coisas nem brinquedos e também trato as pessoas por tu com educação excepto o Sr.Dr.Prof.Correia se tiver mais algum título nobiliárquico por exemplo faça o favor de dizer para não lhe causar qualquer tipo de consternação.

    Maria Odete

    1. A polidez fica sempre bem.
      De facto já vi jovens jornalistas a dirigirem-se ao entrevistado, por vezes idoso, por José ou Manuel. Mas quando aparecem certas pessoas perdem a coragem e fazem reverências. Exemplo: nunca vi um jornalista (jovem ou não) dirigir-se a Cavaco Silva por “ó Aníbal”. Com Generais também é costume perderem a intimidade.
      E não seria agradável que quando um GNR me pede os documentos do carro se dirigisse a mim por “ó pá mostra cá a carta”. Quando falo com alguém que não conheço trato por “Senhor Fulano” e nunca por tu.
      Sei que as coisas mudam com o tempo. Mas no dia de hoje dirigir-me ao tal senhor por “ó Aníbal que achas destas eleições” seria desagradável. Daqui a 500 anos, não sei. Noutra língua (espanhol, ingês, chinês, suaíli) é diferente.
      Quando andei na tropa era costume utilizar um vocabulário que não reproduzo aqui. Já dei aulas e então utilizava ouras palavras. Mas conheço professores malcriados.
      Cada povo tem seu uso e cada roca tem seu fuso.

  9. Fui estudante de engenharia civil no técnico de Lisboa, um dia numa bela tarde de verão depois de um exame oral em que fui vexado por uma Professora, resolvi ir perder a minha virgindade com uma moça bonita e bem apetrechada e brasileira por sinal que trabalha nas redondezas da universidade para levantar o astral. Não é que depois do trabalho feito, ela trata-me por Dr.Pilas. E senti-me o homem mais feliz do mundo.

    José Sousa

    1. Tem graça, no tempo do serviço militar fui ás compras com uma mulatinha bem instruída.
      Carro cheio para meter nas prateleira despediu-se com um sonoro adeus furriel colhões

  10. Curioso como os políticos tratam os votantes intimamente por ‘tu’ mas estão cada vez mais distantes deles e da realidade…

  11. Por acaso é verdade, o tratamento por “tu” provoca uma falsa sensação de segurança. Agora em pandemia a Graça Freitas devia obrigar os portugueses a manterem uma certa distância verbal.

  12. Doutores e Doutoras há muitos e muitas
    Tino de Rans para primeiro ministro já !!!
    O povo está contigo!!!
    Só tu podes resolver o problema do covid!

  13. O Pedro é do tempo dos policiais e os médicos tratarem por tu quase toda a gente?
    Digo toda a gente mesmo pessoas de idade, a não ser pelo aspecto ou a maneira de falar o polícia ser mais comedido, não aparecer um ‘sabe com quem está a falar’, mas os médicos era tu do jovem ao velhote.
    Lembro-me em adolescente, todo bem vestidinho ter um problema na Rua Garrett com um subchefe da polícia e levei com ‘tem de me acompanhar à esquadra’. Pelo caminho sr. chefe isto, você na esquadra explica, e seguimos para a esquadra do D. Maria, Identificação na esquadra e partir daí o tratamento passou a tu isto, tu aquilo, mas eu trabalho na firma tal e logo mudou para conhece lá o sr. tal e acabou com vá lá embora mas esta é a nossa missão.

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