Debate a nove na RTP


Pedro Correia,

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ANTÓNIO COSTA (PS):

«Só a maioria absoluta garante a estabilidade durante quatro anos.»

«Desde que eu sou primeiro-ministro, pela primeira vez neste século Portugal cresceu acima da média europeia. Aproximámo-nos dos países mais ricos.»

«O PSD quer que o SNS deixe de ser tendencialmente gratuito e deseja que a classe média passe a pagar os cuidados de saúde.»

«Há uma proposta de maioria de governo, que é a do PS, e uma proposta da direita para uma política de desgoverno.»

 

RUI RIO (PSD):

«A probabilidade de haver uma maioria absoluta, seja do PS seja do PSD, é muito próxima de zero.»

«Queremos que os portugueses vivam efectivamente melhor e não criar a ilusão do momento.»

«Não há planeamento, não há organização, não há gestão. O dinheiro que lá está [no Serviço Nacional de Saúde] é muito mal gerido.»

«Nós precisamos de melhores serviços públicos, que foram completamente degradados pelo PS – degradaram as carreiras dos enfermeiros, dos médicos, dos professores, dos investigadores.»

 

CATARINA MARTINS (BE):

«Aqui não há uma escolha para primeiro-ministro. Aqui vota-se para um parlamento e a maioria determinará o que existe no dia seguinte.»

«É muito importante descer o IVA de algo tão fundamental como a electricidade.»

«Nós não podemos ter directores de serviço num hospital público que vão a correr trabalhar para o hospital privado que fica do outro lado da rua.»

«O PS, com a maioria absoluta que pede, quer deixar os problemas agudizarem-se – seja na saúde, seja nos salários, seja no trabalho.»

 

JOÃO OLIVEIRA (PCP):

«A estabilidade de qualquer governo não depende dos acordos nem dos papéis assinados.»

«O aumento geral dos salários, de todos os salários e não apenas do salário mínimo, é a grande solução de fundo.»

«A questão da valorização dos serviços públicos tem de ser uma prioridade em todas as áreas. Mas no SNS é uma questão crítica. É preciso contratar profissionais, é preciso garantir a valorização das carreiras.»

«Há soluções, há meios: eles têm é de ser mobilizados para o desenvolvimento da sociedade.»

 

FRANCISCO RODRIGUES DOS SANTOS (CDS):

«Há um elefante na sala: a possibilidade de um voto no PSD ir parar ao bolso de António Costa.»

«Os anos da geringonça conduziram Portugal a um aumento brutal da carga fiscal, ao aumento da dívida pública para 135% do PIB, à diminuição do rendimento disponível das famílias e ao aumento do índice da pobreza.»

«António Costa prometeu há seis anos médicos de família para todos os portugueses. A palavra dada não foi palavra honrada.»

«O voto no CDS serve para derrotar a maioria de esquerda no parlamento mas também para não fazer acordos com o PAN. Não haverá entendimento com um partido animalista radical que quer destruir o mundo rural.»

 

INÊS DE SOUSA REAL (PAN):

«A maioria absoluta ou um bloco central não servem os interesses do País.»

«Devemos taxar as actividades poluentes, criar uma taxa ambiental e acabar com as borlas fiscais de quem está a ter mais ganhos e ainda por cima polui.»

«Defendemos a reposição dos 25 dias de férias para que as pessoas possam ter mais tempo para a família e o lazer.»

«Quem respeita os animais vai votar PAN nas próximas eleições.»

 

ANDRÉ VENTURA (Chega):

«Os portugueses querem uma direita diferente, que não esteja sempre a tentar colocar-se nos ombros da esquerda.»

«A classe média em Portugal paga 35% de IRS. Isto tem de acabar, isto é um roubo.»

«O Bloco de Esquerda aprovou o Orçamento do Estado suplementar em 2020 que deu 900 milhões de euros para a TAP e 450 milhões para o SNS – ou seja, metade do que foi para a TAP. Muito bonito, da parte do BE…»

«Temos décadas de bandidos a roubar o nosso país. Décadas. É tempo de acabarmos com isso.»

 

JOÃO COTRIM FIGUEIREDO (IL):

«António Costa, com o aumento extraordinário aos pensionistas, está a tentar comprar o seu voto no imediato.»

«Portugal é o país da Europa Ocidental com o salário líquido mais baixo. Se alguém pode estar satisfeito com esta situação, nós não estamos.»

«Apesar de haver um sistema universal e tendencialmente gratuito, Portugal é um dos países da Europa em que as pessoas mais gastam do seu próprio bolso para a saúde: cerca de 34%. Isto não faz sentido e é um indicador de que o SNS não está a dar resposta.»

«António Costa quer salvar a TAP mas vai para Ponta Delgada na Ryanair.»

 

RUI TAVARES (Livre):

«Se houver uma maioria à esquerda, nós seremos parte da solução; se houver uma maioria à direita, nós seremos parte da oposição.»

«O Livre, em vez de prescindir de dois mil milhões de euros em fiscalidade do Estado, quer ir buscar os mais de dez mil milhões de euros que neste momento em evasão fiscal fogem todos os anos e que é possível recuperar.»

«Eu não troco o SNS, que nos deu – com o civismo dos portugueses – as maiores taxas de vacinação do mundo pelo serviço de saúde da Bulgária, que tem as piores taxas de vacinação da Europa.»

«A história impõe-nos uma agenda política cidadã a que a política tem de dar resposta.»

 

…………………………………………….

 

Esta noite, na RTP, com moderação impecável de Carlos Daniel. Foi o melhor debate televisivo desta campanha eleitoral para as legislativas do dia 30. Pudemos ouvir os diferentes líder políticos falarem de vários temas. Com substância, pluralismo garantido e sem peixeiradas.

54 comentários em “Debate a nove na RTP”

  1. «Desde que eu sou primeiro-ministro, pela primeira vez neste século Portugal cresceu acima da média europeia. Aproximámo-nos dos países mais ricos.»

    Isto não é de todo verdade. Portugal nos anos 90 crescia mais do que a média da CEE. É mesmo aldrabão, este gajo.

    Além disso o crescimento actual, quando os outros países estão paralisados pela pandemia, não conta. Vai vender automóveis, pá.

    1. Ah pera aí o patife disse “neste século”…

      Eis o PS em todo o seu esplendor — jogadas e afirmações que são truques de linguagem, como o cão que se chamava “não sei”.

      1. Que grande patife, é mesmo habilidoso ‘neste século’. Passados vinte anos é mesmo verdade ou é patifaria?

    2. É uma aldrabice feita para passar no Polígrafo. Devido ao crescimento anémico de três grandes economias – a italiana, a francesa e a espanhola – e à saída do Reino Unido, a “média europeia” desceu, pelo que nós, quase sem crescermos, crescemos acima dela e aproximámo-nos desses “países mais ricos”. Tal como o crescimento do PIB pós 2015, era uma inevitabilidade, face à brutal contracção entre 2009 e 2014, e à existência de condições óptimas, como os juros e preços de combustíveis baixos e a bolha do turismo.

  2. António Costa afirmou que o baixo crescimento económico de Portugal é explicado pela história. Qual história? António Costa diz que se demite caso perca as eleições. Em 2015 não o fez. O que é que significa perder para António Costa?

    Pedro Cunha

      1. Parece que o homem não tinha tempo para explicar os níveis de desenvolvimento dos países que entraram para a UE depois de Portugal, veja-se os índices industriais dos checos e todos os níveis de educação, saúde e protecção social de todos eles. Seria essa “história” que ele não mencionou para não levar com “comunistas” até cair pró chão.

  3. Pois foi. Continuam a chover medalhas de papelão para António Costa. A ultima que deve estar confinada é o cancelamento de consultas e atos de enfermagem nos centros de saúde.

  4. Notas bem (e até a merecer mais destaque) a excelência (e aduzo: a educada simpatia sem qualquer mesura) de moderação de Carlos Daniel. Numa tarefa que era manifestamente homérica, pela quantidade de participantes e pelo ror de temas possíveis de abordar. Bem preparado para o efeito, bem estruturada a sessão, bem controlada também. E ainda aquilo de perceber a tarefa do jornalista-moderador, lançando temas e balizando as respostas para o debate mas não confundindo isso com uma entrevista directiva, como tantos dos outros moderadores fizeram ao longo desta maratona de debates. Só lhe vi um senão, efeitos desta moda, uma recorrente “Catarina” e também “Inês”, até um excêntrico “André” (excêntrico porque é costume os jornalistas sinalizarem por via onomática a sua distância ao CHEGA), e mesmo um “João” (julgo que para João Oliveira) e “Francisco”. Enquanto é óbvio que o “António” é sempre também Costa e o “Rui” é sempre também Rio. Não julgo que isto seja uma minudência, é uma atitude significante da imprensa diante dos poderes fácticos. Mas não chega para negar: foi um excelente trabalho. E vale elogiar os jornalistas, dado que estou (e não sou só eu) sempre pronto para resmungar com eles.

    1. Concordo, foi – e de longe – a melhor prestação de um moderador nos debates televisivos, mas, com uma excepção: o tratamento dado ao candidato Ventura. Talvez por se sentir regressado aos painéis da bola, o moderador adoptou com ele um estilo “interactivo” nos antípodas do que manteve com os demais. Creio que, apesar do estilo de vendedor de feira (o que torna particularmente irónica a sua embirração com os ciganos), o Ventura tem tanto direito a debitar, sem ser interrompido, as suas asneiras e aldrabices, como os demais.

    2. Essa recente moda de tratar todos pelo nome próprio, como tantas outras, foi importada dos States. Tal como dar nomes de pessoas a cães e gatos.
      Lá todos se tratam pelo primeiro nome e até pelo diminutivo do nome. Incluindo presidentes – daí ter havido o Jimmy (Jaiminho) Carter e o Bill (Gui) Clinton; agora há o Joe (Zé ou Zezé) Biden.
      Há-de chegar o tempo em que, pela mesma lógica, o Francisco actual passa a Chico, a Catarina deriva para Cati, o Rui passa a denominar-se Ruca e o António encolhe para Tó.

      Nos debates televisivos tornou-se também moda tratarem-se todos por tu, como se frequentassem muito as casas uns dos outros.
      Outra importação “amaricana”, neste caso facilitada pelo facto de no idioma lá dos States o “you” servir para toda a segunda pessoa, do singular ou do plural, haja ou não tratamento familiar.
      Isto serve também para a forma como os partidos nos tratam. Ainda esta manhã ouvi na rádio alguém de uma agremiação política chamada Volt dizer-me: “Tens de votar em nós.” Como se eu os conhecesse de algum lado.

      1. Adenda, camarada coordenador, o “Francisco” fino é mais Kiko. (Quanto ao primeiro nome, a la gringos, é o nosso equivalente ao tratamento na segunda pessoa – ou seja, isto da “Inês” ou “João” na terceira pessoa é uma verdadeira patetice)

      2. Aí por meados da década de 90, num debate que envolvia Guterres e Ângelo Correia, deu brado o momento em que este último se distraiu e tratou o primeiro por “tu”. Era de facto raríssimo ver uma informalidade destas nesse tipo de discussão.

  5. Foi um debate interessante e civilizado. Se Carlos Daniel esteve bem, há que realçar que os participantes ajudaram. Como naqueles jogos em que os jogadores facilitam o trabalho do árbitro.
    O resto é o resto, foram 4 anos de crescimento (não ouvi qualquer elogio ao Mario Draghi ou ao BCE), assentes na reposição de rendimentos. Costa, fez o papel de sempre, na anterior encarnação terá sido um daqueles comerciantes que vendia elixires que curavam desde a gota até à perda de cabelo.
    Entretanto, continua sem se discutir como inverter o saldo natural negativo, ou o porquê de meio território, por baixo, estar simplesmente deserto e ao abandono.
    Outro ponto que não ouvi foi o do crescimento económico assente na “indústria” do turismo. Nem o PAN, defensor da sustentabilidade, o referiu.

    Daqui a 4 anos a História explicará o porquê de estarmos ainda mais pobres.

    1. de 15 a 21 foram 36 mil milhões de aumento da dívida pública
      20% continua cada vez mais pobre porque não se cria riqueza
      kosta vende a banha da cobra

          1. Tá bem, se for aproveitada a gordura para fazer banha é banha de cobra.
            Assim como quando se aproveita a gordura do porco é banha de porco.

    2. Se Carlos Daniel esteve bem, há que realçar que os participantes ajudaram.

      Tendo a concordar com isto. Se um debate é educado, isso deve-se muito mais à postura dos participantes do que à atuação do moderador. Este último dificilmente pode fazer algo se os participantes estiverem dispostos a ser agressivos e malcriados.

    3. continua sem se discutir como inverter o saldo natural negativo, ou o porquê de meio território, por baixo, estar simplesmente deserto e ao abandono

      São dois problemas que, pura e simplesmente, não têm solução que o Estado possa fazer. Já diversos países tentaram e, pura e simplesmente, não conseguiram resolver qualquer desses problemas.

      1. Que países são esses?
        E falamos de um rectângulo em miniatura como Portugal, não a Rússia ou a Suécia, em que grande parte do território só mesmo para as renas.

        1. Espanha tem um partido chamado “Espanha vazia” precisamente para chamar a atenção para esse problema.
          Portugal não é tão mau como a Suécia, mas o seu interior tem dois problemas: um clima geralmente muito mais agreste (com temperaturas mais extremas) e uma orografia também muito agreste (com montanhas, e estradas cheias de curvas). Portugal é, de facto, um dos países mais montanhosos da Europa (não são montanhas muito altas, mas são montanhas muito difíceis de transpor).

          1. Por essa descrição, pior que o interior de Portugal só Tonga. Se aquilo é tão mau, é subalugar para fazer uns gulags, qudca Sibéria está a ficar amena.

    4. o crescimento económico assente na “indústria” do turismo

      As pessoas investem onde é mais fácil e mais rentável. Num país onde as qualificações são relativamente baixas e a tradição industrial é pequena, o turismo é uma das “indústrias” nas quais é mais fácil e mais barato investir.

      1. Se for aprovada a semana laboral de quatro dias que o ainda primeiro-ministro sugere, o turismo vai prosperar.
        Pena não o ter feito já há seis anos. Tanto tempo desperdiçado desde que chegou ao poder.

  6. António Costa quer salvar a TAP mas vai para Ponta Delgada na Ryanair.

    Por que não haveria de ir? Se é a Ryanair quem lhe fornece o vôo mais barato ou mais conveniente (ou eventualmente a única que lhe oferece vôo), porque não haveria de optar por ela?

    O facto de um governante propôr subsidiar ou sustentar uma opção não faz que seja obrigado, na sua vida privada, a optar por ela.

  7. Parece que nos aproximámos da Dinamarca e da Alemanha. Aqui o rectângulo desprendeu-se e flutuou até lá, ou o PM referia-se a algo que não proximidade geográfica?

    Uns diálogos recorrentes ao longo destes debates:
    – temos que nos aproximar de níveis de vida da Escandinávia, Holanda ou Alemanha
    – (proposta de concretiza algo que existe nesses países citados)
    – eh pá, nós não estamos na Escandinávia, Holanda ou Alemanha

    1. E é mesmo assim. O crescimento económico é como uma pescadinha de rabo na boca: quando há crescimento as coisas tendem a funcionar bem, mas também só há crescimento porque as coisas à partida já funcionam bem.

  8. Não vi o debate, mas pela imagem dá-me a ideia que é o concurso ” Quem quer ser milionário “, acertei?

  9. A minha saúde mental já não me permite ver e ouvir debates eleitorais, porque agradeço profundamente o seu post.
    Independentemente dos debates, e só lendo e vendo aqui e acolá, nas próximas eleições todos sem excepção devem votar nas suas crenças. O chamado voto útil é uma falácia e uma imbecilidade..

    1. Concordo, em geral. Mas em distritos como Bragança, Vila Real, Guarda, Castelo Branco, Portalegre, Évora e Beja o voto útil é uma necessidade. Ou mesmo uma fatalidade.

        1. Com urgência.
          Mas, como se compreende, não dá jeito aos dois principais partidos do sistema, que abocanham cerca de 70% dos votos. Só eles podem alterar a Constituição.

  10. Alguns figurinos surgem para revelar figurões. O Costinha anda obcecado por maiorias. Ainda não entendeu que a maioria quer vê-lo pelas costas.

    O Rui Tavares diz que o SNS é bom por causa do civismo dos portugueses em levar com a agulha. Assim, basta que os portugueses sejam cívicos para que SNS seja Bom. E nesta matéria o bom é não aparecerem para não incomodarem quem ganha e produz pouco e gere mal.

    Cotrim toca no ponto principal deste descalabro que é a economia em Portugal: empresários que são empreendedores à conta do salário dos outros, vivem de subsídios e queixam-se de impostos que não pagam.

    O Ventura fala de bandidos, mas aproxima-se deles.

    A Inês vai pôr os portugueses a comer sabonetes para despoluir a merda que produzem.

    O Chicão aponta o elefante, mas o rei de espanha foi perseguido por ter morto um.

    A Catarina esqueceu de dizer que não podemos ter médicos e enfermeiros e anestesistas e outros mais que vão a correr para o privado para sacar mais algum, pois o do estado está sempre garantido faça-se que não se fizer.

    Rio tocou no ponto certo sobre o SNS.

    João Oliveira oferece a inépcia e o dolce far niente com novas contratações para o SNS.

  11. Depois de ver parte dos nove e dos onze, avanço com uma fórmula para dar voz no parlamento a essa esquecida gente que bem poderia falar por muitos de nós
    Contabilizados esses votos a nível nacional o primeiro e o segundo classificado nessa escala garantiriam em nome do conjunto duas cadeiras no hemiciclo.
    Se o metalúrgico Jerónimo de Sousa foi sempre capaz de se bater de igual com os mais classificados académicos, acredito que o nosso calceteiro Tino de Rans seria uma mais valia naquela casa onde há muitos eleitos que mais não fazem do que coçar cadeiras e bater palmas ao chefe.

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