O SNS está a rebentar. É comum explicar-se a sobrecarga das urgências, pelo mau hábito dos utentes em não ir primeiro ao seu Centro de Saúde.
Dos cinco médicos habituais no Centro de Saúde de Porto de Mós, resta um. A população que não tem ADSE nem Seguros de Saúde, tem de esperar. Olhando para este cenário que se repete por todo o país, é inegável que o SNS chegou a um ponto em que só não precisa de esperar, quem pode pagar. Esta é a incoerência maior de quem se diz defensor da igualdade.
António Costa garante tudo o que lhe vem à cabeça e mesmo as mais descabidas mentiras são-lhe perdoadas e até aplaudidas.
O dia 30 está quase aí. Segundo os inquéritos à intenção de voto, os portugueses estão satisfeitos e não desejam mudanças. Ou é isso, ou estamos perante mais um dos insondáveis mistérios das sondagens.

Prometeram que ia ter mais rendimentos, e só ia trabalhar 4 dias por semana. Claro que vou votar PS! Quem não o fizer, só pode desejar um Governo de Direita apoiado pelo Ventura e o regresso das políticas neoliberais com redução de direitos e rendimentos das famílias.
Um ponto curioso: durante as legislativas, o Dr. Sem Gravata usou a bazuca em cada cidade por onde passou, foi tanta bazucada que o Chuck Norris ficou com inveja. Já nos debates das legislativas, onde supostamente se decide quem dá ao gatilho, não me lembro de falarem de PRR e bazucas.
O que tentou vender foi o orçamento que o povo já tinha chumbado.
Isto são as consequências da política da Ordem dos Médicos, que impede a imigração para Portugal de médicos estrangeiros.
A única forma de haver médicos suficientes é contratar estrangeiros. Mas a Ordem dos Médicos (dominada, desde há longos anos, pelo PSD, de tal forma que nos últimos tempos ela praticamente tem sido uma espécie de Ministério da Saúde sombra) boicota o reconhecimento das suas competências.
Quantos médicos emigraram nos últimos anos?
Isto são consequências da má organização do SNS.
Quantos médicos emigraram nos últimos anos?
Não sei, mas não hão de ter sido poucos.
Isto são consequências da má organização do SNS.
Em parte sim, mas numa parte ainda maior são consequências de um mal que crescentemente atinge todo Portugal: falta de mão de obra. E esse mal só se cura com imigração.
EDITORIAL CASEIRO
O direito ao voto é escandalosamente posto à frente de todos os outros direitos conferidos ao cidadão, como o direito à educação, saúde, justiça, habitação ou trabalho.
Temos uma constituição solenemente estúpida e persistente, que não contem em si o maior pecadilho dados os montes de gente tão importante como inútil a quem sai.
Fazer uma hierarquia de direitos é pouco conclusivo. O direito à saúde “tendencialmente gratuita” existe apenas para quem pode pagar.
É preciso compreender que nenhuma sociedade moderna e rica, com baixa ou baixíssima taxa de natalidade e grande esperança de vida, como a portuguesa, consegue ter bons serviços de saúde somente com os seus nacionais.
Todos os países nestas condições, sem exceção, recorrem maciçamente à imigração de pessoal de saúde (médicos, enfermeiros, terapeutas variados, etc).
Portugal tem que aprender isto, e começar também a recorrer maciçamente à imigração. O que no nosso caso nem é difícil, dado haver múltiplos países da América Latina (e, crescentemente, de países africanos de língua portuguesa) cujo pessoal médico bem gostaria de emigrar para Portugal.
Quando aprenderemos esta lição? Quando impediremos as Ordens profissionais do setor da Saúde, dominadas pelo PSD, de boicotar a imigração?
Eu acho que o balio devia ir viver para esses países da América latina e dos países africanos de língua portuguesa e lá ir às consultas médicas para resolver os seus males. Ficava melhor servido.
Só faltou falar do Passos.
Os portugueses desejam mudanças, têm é a sensação que mudar por mudar pode significar mudar para pior.
Para a oposição ganhar não basta dizer que quem lá está é mau, é preciso provar que a oposição é melhor. Até agora não se viu grande coisa.
Os portugueses desejam mudanças, têm é a sensação que mudar por mudar pode significar mudar para pior.
Exatamente. Muito bem escrito!
Os portugueses tornaram-se progressivamente mais conservadores. E menos progressistas, portanto. Após um grande surto de enriquecimento desde 1960 até 1990, os portugueses atualmente são conservadores, querem acima de tudo conservar aquilo que têm e que sabem que os seus pais não tiveram. É essa a razão de fundo do marasmo de Portugal.
balio, a questão está mal colocada, o que os filhos de hoje querem é obter aquilo que os pais têm.
Por exemplo um reformado da PSP (com a quarta classe antiga) tem uma reforma de 1500 euros, um jovem licenciado que entre para a PSP, actualmente, o vencimento líquido andará entre os 800 e os 900 euros; rumo ao socialismo e ao empobrecimento, vamos importar PSPs, também?
Está certa que os portugueses querem mudanças? As sondagens dizem o contrário.
É verdade, vai mudar tudo, é agora que o Ventura chega a primeiro-ministro. Finalmente o Costa vai à vida.
Agora é que vai ser uma fartura, dinheiro para todos à fartazana, as empresas a exportar para todo o lado, os trabalhadores em Odemira já podem comprar um Mercedes. Estou mesmo desejando que chegue o dia 30, Deus o ouça (ou será oiça?).
Pela conversa parece que o Ventura acabado de chegar é que deve ir á vida, enquanto Costa deve ficar para continuar alegremente na mesma vida.
Como por exemplo no caso da TAP onde foi acusado pelo empresário dos aviões de ter mentido.
Não interessa nada se lhe vai pedir desculpa ou não, mas o que não pode é ficar calado, devendo no mínimo uma explicação aos portugueses e pedindo-nos desculpa se não for capaz de desmentir o acusador.
Por uma questão de transparência e nobreza de carater obriga-se a esse esclarecimento antes do final do mês.
Eu só fico admirado é por as pessoas acharem os políticos todos uns aldrabões e depois darem credibilidade ao Ventura.
Apesar de tudo merece o beneficio da duvida, tanto mais que toda a gente lhe quer bater só porque ao que parece não alinha com um sistema contaminado de raiz.
O problema é que se lhe dão o benefício da dúvida, depois para o tirar de lá é que é uma chatice. Veja o caso do Marinho e Pinto, antes de ir para Bruxelas, fazia isto e aquilo porque lá era só mandriões, depois viu-se.
À mulher de César não basta ser tem de parecer, e de fala-baratos está o mundo cheio.
Também vale a pena ver o caso de António Costa. Mais durável que as conhecidas pilhas do horário da publicidade.
Ainda não percebi a quem é que o Carlos Sousa dá o benefício da dúvida.
A alguém será mas últimamente acho-o um pouco baralhado…
Mas hoje em dia há algum político que mereça o benefício da dúvida?
Não há dinheiro!
Fazer da saúde uma prioridade teria as mais graves consequências:
– Tantos clientes chorando!
– Tantos familiares ficavam por empregar!
As empresas que gerem os seguros de saúde não querem que haja mudanças. Já são 4 milhões de portugueses que pagam para ter assistência fora do SNS. Sem mudanças o número não ficará por aqui.
Quem gere o orçamento do Estado não são as seguradoras.
Nem me consta que o SNS debite as seguradoras, o que faria todo o sentido.
As urgências e os casos mais gravosos ficam para o SNS…
O ‘tudo a todos’ significa o poucochinho para muitos; mas o que importa é exibir grandes princípios…
E melhor inteirar-se sobre isso dos seguros de saúde.
Os seguros de saúde são uma cópia dos antigos seguros de grupo nas empresas, que haveria uma indemnização por morte natural ou acidente de trabalho. Esses seguros só interessavam em empresas com muitos trabalhadores pra cada um descontar uma pequena quantia calculada em relação aos níveis etários do pessoal. Agora temos as empresas a oferecer seguros de saúde aos seus trabalhadores como uma regalia sem impostos e contabilizado como despesas de pessoal. E o que cobrem esses seguros de saúde? E a quem é oferecido? E quando o trabalhador acaba o contrato de trabalho, até por ser a maioria com contratos a termo certo?
Aqui temos os seguros de saúde e vá o doente a um hospital com esse seguro para ser atendido com problemas covid.
O drama é que pagam duas vezes.
Pagam com os seus impostos o SNS que não usam por este não responder às necessidades.
E pagam de novo os seguros de saúde (e/ou a ADSE) para poderem ser minimamente atendidos.
Os portugueses, os que interessam, estão satisfeitos. E é tão fácil mantê-los assim: acena-se com a ideia da semana de quatro dias (depois, se for mesmo – mesmo – necessário, cumpre-se a promessa para com quem interessa: a função pública que o resto está cá é para a pagar; mas o mais certo é a coisa morrer paulatinamente), decidem-se uns aumentos disto e daquilo, entre salário mínimo, subsídios, apoios, etc. (que depois pacatamente se anulam aumentando um imposto ou outro, criando ou aumentando esta ou aquela taxa). E sobretudo martela-se incessantemente a cabecinha tonta, ignorante e nada dada a pensar do eleitor com os horrores da troica, do neo-liberalismo, da saúde nas mãos dos privados, da omnipresente perfídia do culpado eterno e máximo de todos os males da Pátria: esse mesmo, o Passos Coelho.
Adicionalmente, mente-se. Mente-se descarada e desavergonhadamente, como ainda por estes dias o sr. primeiro-ministro nos demonstrou com exuberância recusando-se depois, confrontado com a mentira (e confirmando a sua consabida boa-educação), a ter um gesto de elementar decência.
Mas a receita funciona. E só deixará de funcionar, e temporariamente, quando se der – ou se tornar evidente que se vai dar (isto é, que dentro de semanas a função pública não vai, não vai mesmo, receber o seu salário) – uma inegável calamidade. Já aconteceu. Com toda a probabilidade vai voltar a acontecer.
Só que, como na aldeia dos gauleses, “amanhã não será a véspera desse dia”.
De modo que não há razões para mudar.
Mentir é aceitável se esse for o caminho para que tudo fique na mesma.
Porque não privatizas o SNS meu cabrao?
Não é só o Chega que tem o apoio e o voto dos grunhos.
Então a moderação do blogue?
O lápis azul da lei da rolha é só para quem dá tautau no moedas?
Palermas há muitos, seu chapéu sem nome.
Já na segunda-feira descrevi aqui no blogue o início da odisseia de um familiar que teve de recorrer às urgências naquele dia. Resumindo: foi ao seu Centro de Saúde, a sua médica observou-o, diagnosticou-o, deu-lhe uma carta com esse diagnóstico e disse-lhe para ir de imediato ao hospital pois teria de ser operado com urgência. Ele foi, entrou lá às 14h, ligaram nicles à carta que lhes quis entregar, deram-lhe uma pulseira verde e deixaram-no à espera para ser observado por um médico. O que aconteceu – dez horas depois (dez!).
Este era o ponto em que estava quando escrevi o post. Entretanto, sei algumas coisas do que se passou depois.
O médico, com aparência de estagiário (nada contra) e sotaque do leste da Europa (nada contra), observou-o, rapidamente suspeitou de uma hérnia inguinal e encetou um diálogo que terá sido mais ou menos assim:
– Então porque é que o senhor não foi primeiro ao seu Centro de Saúde?
– Mas eu fui!
– E a sua médica não lhe escreveu uma carta para nos entregar?
– Escreveu e deu. Só que ninguém aqui a quis receber, sequer olhar para ela, quanto mais lê-la.
O médico abriu o envelope, leu a carta (que confirmava o seu diagnóstico), ausentou-se uns minutos para mostrá-la a outra pessoa (provavelmente um superior hierárquico) e em meia-hora já estava decidido tudo o que havia para fazer, como e onde.
Por isso, é irónico que alguns tentem justificar a sobrecarga das urgências com hipotéticas rebeldias de utentes que não passam pelos seus Centros de Saúde – considerando que, pelos vistos, quando por lá passam, correm o risco de ser para nada valer.
Ainda bem que esse médico do leste da Europa está cá a trabalhar. É menos um médico em falta.
Não seguiu queixa?
Se fosse eu, teria pelo menos deixado uma pequena redacção no livro de reclamações.
Somos um povo de mansos costumes. A lentidão da justiça e a nossa pouco activa pulsão litigiosa já devem ter evitado muitos problemas ao Estado enquanto prestador de serviços (e na Saúde em particular). Fosse nos Estados Unidos e estaria uma fila de advogados à porta dos nossos hospitais oferecendo os seus préstimos a utentes insatisfeitos.
A questão aqui é, para que é que uma pessoa que vai ao Centro de Saúde é enviada de lá para as urgências?
O Centro de Saúde deveria ter enviado o doente para o hospital, mas não para as urgências, e sim diretamente para a sala de operações!
Será que as urgências são a única porta de acesso a um hospital?
Se a médica do Centro de Saúde considera que o doente necessita de ser operado de urgência, então deve contactar o hospital diretamente e dizer-lhe, “vou-vos enviar uma pessoa que precisa de ser operada de urgência, acolham-na”. Não deve enviar o doente para as urgências do hospital!
Isto manifesta, da parte da organização do SNS, falta de confiança nos médicos que estão nos Centros de Saúde, ao não lhes dar autorização para enviarem os doentes para outro sítio do hospital que não sejam as urgências.
Para isso, teria de haver uma cultura de eficiência e organização. Como se percebeu pelas reacções à coordenação do vice-almirante, essas duas palavras ainda são, para muita gente no país, uns conceitos essencialmente teóricos que nem imaginavam poder existir fora dos dicionários.
Não é irónico, é muito pior. Mas, sendo a atitude de quem se afirma de esquerda, progressista e o mais que integra a litânia aprovada pela catequese do regime, está muito bem. É perfeitamente aceitável – é na verdade irrelevante – que algo de mau reiteradamente aconteça, desde que se consagre, nem que recorrendo à mais descarada desonestidade que o governo nada tem de responsabilidade nisso.
Eu li o seu postal, João.
Quantos casos por esse país fora de sofrimento evitável e de vidas que se poderiam poupar, se a saúde foge gerida com racionalidade e não com ideologia. Esse é o ponto.
Olhando para as sondagens, está tudo satisfeito.