Nem todos iguais.


vidabreve,

 

Nunca me perguntaram, felizmente, quais eram os problema do país. Se me tivessem perguntado responderia que eram os paninhos quentes, as falinhas mansas e o respeitinho dos chico-espertos pelos poderosos. No linguajar dos comentadores chama-se a isto a falta de exigência dos cidadãos. Pois bem, aqui está uma mulher que exige, que chateia e que faz perguntas incómodas. Precisamos de quinhentas destas. E, já agora, convém-nos que Paulo Portas se digne a responder-lhe. O motivo é simples: se nos contentarmos com menos que isso não merecemos viver num país decente.

10 restaurantes, 10 chefs, 10 vinhos, 10 enólogos de 2010.


vidabreve,

 

O Mesa Marcada consultou os especialistas e estes, graças a deus, não se armaram em franciscanos. Há dois ou três representantes da alta cozinha low cost (que, valha a verdade, não é alta nem low), mas os outros ainda conseguem preservar algum hedonismo, complacência e saúde mental. A lista completa está aqui.

As “mulheres”? Eu te dou as mulheres, ó anjinho.


vidabreve,

Queridas amigas:

 

O Pedro Correia afirmou no seu programa eleitoral que existe um défice de sexo feminino (mais um défice, já cá faltava) na lista de nomeados pelo painel do Combate de Blogs para a eleição do melhor blogger português. Faço minhas as palavras do adversário, mas deixo a pergunta no ar: não lhe parece, minha boa amiga, que também faltam crianças?

 

Os nossos meninos, para usar o argumento do Pedro, escrevem cada vez melhor — isso mesmo ficou demonstrado pelo relatório Pisa da OCDE, que esta semana veio a público. E quem resiste a um bebé fofinho, carequinha, meiguinho, rosadinho, papudinho, com gorrinho de lã a fazer beicinho? Eu não.

 

Por isso vos apresento os filhos de algumas das nossas leitoras, que guardo religiosamente na carteira, entre o passe social (sou um candidato do povo) e o meu velho multibanco (rejeito o despesismo dos cartões de crédito). Se eu pudesse, votaria em todos.

 

 

O divertido Rubem Antunes, de Leça da Palmeira.

 

 

A Cárina Miguéis, de Setúbal.

 

 

O pequeno Martim Oliveira, de Guimarães.

 

 

O Manuel, que já é sócio do Benfica, a comer a papinha.

 

 

A Márisa, do Cartaxo, preparada para o Natal.

 

É tudo o que tenho, leitoras. Enviem-me os retratos dos vossos pequenitos e com gosto os divulgarei. Quanto ao blogger do ano, já sabem: o voto é aqui.

Abre a porta, coração.


vidabreve,

 

Os jornais asseguram que o PS vai abrir a porta a um novo inquérito à morte de Sá Carneiro. Vai, pois. Hoje em dia o PS abriria a porta a um inquérito sobre a morte da mãe do Bambi, se não tivéssemos a carcaça auspiciosa de um primeiro-ministro para desenterrar.

 

É a grelha de inverno do bloco central: já sem a Fuga para a Vitória, restam-nos agora os Pequenos Crimes Entre Amigos, o Regresso dos Mortos-Vivos e o Die Hard no Aeroporto.

 

Tudo, claro, menos As Vinhas da Ira ou Os Cavalos Também se Abatem.

Ainda os “dividendos”.


vidabreve,

Tiago Mota Saraiva:

Os mesmos deputados que chumbaram a proposta de tributação dos dividendos das grandes empresas por rejeitarem alterações de tributação a meio do ano fiscal, preparam-se para, depois de o terem utilizado como bandeira eleitoral, baixar unilateralmente o salário mínimo contratualizado para 2011.

Filipe Nunes Vicente:

Se mobilizamos as pessoas para uma batalha difícil, se as pessoas vão sentir enormes dificuldades para pagar contas que há dois ou três anos pagavam despreocupadamente, se outras vão literalmente passar fome, o lado simbólico, que tanto elogiam em Churchill, tem de ser respeitado. Pagar ordenados principescos a funcionários políticos para dirigir uma exposição de cultura ou ver grandes accionistas receber a totalidade dos dividendos como se não se passasse nada, se simboliza alguma coisa é a hipocrisia política.

De notar também: os silêncios. Os silêncios são sempre interessantes.

Aos costumes.


vidabreve,

Será que os “brandos costumes” vão sobreviver a esta crise, pergunta hoje um título do Público.

 

Depende. Se o termo designar uma sujeição abjecta aos poderes de facto, os nossos costumes estão agora mais brandos do que nunca. Se, por outro lado, nos referirmos a um sentimento comum de respeito e de preocupação com os mais fracos, não diria tanto: 39 mulheres foram espancadas até à morte desde o princípio do ano. Cinco vezes mais do que em Espanha.

 

Brandos? Sem dúvida.

10%.


vidabreve,

Portugal, berço inesgotável de patêgos, rejubila quando encontra um professor Silva em Oxford ou uma investigadora Zezinha no Massachusetts. Isso não impede que a pátria uive e se contorça ao descobrir que os nossos jovens mais qualificados fazem carreira lá fora. Está mal, pois está. Se fossem reverentes, como lhes competia, ficavam em Alverca a comer torresmo e a suspirar pelo Sócrates, a CGTP, a banca do regime ou a carcaça veneranda de Salazar.

Portugal está melhor ou pior no ranking de “desenvolvimento humano”?


vidabreve,

E os unicórnios, existem? Quantas almas cabem na ponta de um alfinete? Os anjos serão machos ou fémeas? A Atlântida afundou-se no Chipre ou nos Açores? Já viram a nova colecção da Bottega Veneta? É mesmo gira. Os bonecos da ilha da Páscoa são extraterrestres? Gostas mais das quadrigas verdes ou das azuis?

Quadras ao gosto de alguns comentadores do Delito de Opinião (I).


vidabreve,

O meu Ruben e a Cárina

Mostraram-me a intrénet:

Carrego no botõn de cima,

E nem preciso de cassete!


Ao descobrir a blogusfera

O meu ser modificou-che…

Tenho o mundo à minha espera

Nos Barrancos de Trajouce.

 

Durante o dia semeio

Batatas e ananájes…

Mas à noite dejencadeio

Ventos e tempextades!!!

 

Porq’ eu tenho vida dupla

Nas cáichas dos comentárius —

Dou pôrrada aos filhos da puta

E cacetada aos salafrários

 

Assino com muitos nomes:

“A Váquiria”, o “Cagaceiro”

Pra ninguém saber que me xamo

Zé Maria Lopes Padeiro!?…

 

Posso parecer um patêgo…

Mas xou um homem do mundo

Já vi o mar no Rebordelo

E passei férias no Dafundo!

 

Por isso só leio testos

D’ ilevada cualidáde

Ejijo português de lei

E respeito pla actualidáde.

 

Há seis meses fiz um blog

E tenho já cinco leitores!

A minha burra, o meu cão,

A minha mulher e dois doutores.

 

Se consseguir chamar mais jente

Daqui até ao Natal

Cherei o Pulido Valente

Da Imprensa Regional.

O furo de Marcelo.


vidabreve,

Pois não: um Conselheiro de Estado, rnhó nhó nhó, não podia revelar aquilo. Mas o clamor das prima donnas aborrece-me mais que a vaidade do homem. O teatrinho de António Costa em compunção, como se a Infâmia do professor deslustrasse a Pátria e as Instituições até ao Dia do Julgamento, foi um desempenho bombástico para o país escanifrado que ele ajudou a enterrar.

 

A indignação tacanha é o vício dos portugueses. Não há delinquente no Conselho de Ministros nem boneco hirto na Presidência que nos refreie quando uma alma singela comete indiscrições de porteira.

 

Marcelo revelou coisas que não sabíamos? De modo algum: mas pôs-lhe um dia e uma hora. E isto — no país das alusões ataviadas — é uma franqueza imperdoável.

A operação.


vidabreve,

Quando alguém faz uma coisa muito estúpida raramente aceitamos que seja capaz de um acto inteligente. No caso do PSD, é certo que a proposta da revisão constitucional foi estúpida, mas o modo como está a gerir a aprovação do orçamento não é.

 

Há muito que Pedro Passos Coelho decidiu viabilizar os desvarios de Sócrates. Mas para que esta decisão não cause dissensões internas nem provoque o cinismo dos eleitores, o país inteiro tem que erguer-se num apelo lancinante e suplicar-lhe que faça o supremo sacrifício das promessas recentes.

 

A operação está em curso. Manuela e Pacheco, com a perspicácia habitual, exigiram aquilo que de outra maneira teriam contestado. Cavaco, de moto próprio ou com aviso prévio, empunha bandeirinhas em nome dos consensos. Os abrantes, anónimos ou ilustres, urram pela responsabilidade do líder da oposição. Jornais e blogosfera em peso imploram-lhe que nos condene à negra miséria  socialista.

 

A pergunta é esta: quando deve Passos Coelho aceder aos berros pungentes da pátria? Resposta: no último minuto.

 

Até lá, mais vozes se unirão ao coro. E o povo conhecerá dia após dia, se as agências de comunicação não forem parvas, aquilo que deve conhecer: os delírios galantes dos ajustes directos e dos eventos, das comemorações e das chazadas. A dissipação abjecta dos recursos públicos por amigalhaços e correligionários. O sofrimento dos almeidas santos e dos pedros soares. Depois, só depois, virá a aprovação — e com ela o negrume.

 

De maneira que a situação é a seguinte: Passos Coelho não está acabado. Vocês é que estão.

Tomates.


vidabreve,

Até agora, uma análise racional impunha que o PSD se abstivesse na votação do orçamento — a derrota do Governo conduziria ao martírio de Sócrates e à vitimização telhuda do costume. Mas o juízo, em política, é limitado pelo desespero. Desesperado, o povo premeia as rupturas ainda que dos céus caiam sete pragas ou oito meses de duodécimos.

 

Eis uma decisão de alto risco: se rejeitar o consenso dos bonzos Passos Coelho perde as instituições, embora, remotamente, possa ganhar o país. Não acredito que o faça. Não creio que o consiga, ainda que o tente — as rupturas exigem planos meticulosos, uma coisa nunca vista na Sant’Ana à Lapa.

 

Mas lá que é um sonho bonito, isso é.