Nem todos iguais.


vidabreve,

 

Nunca me perguntaram, felizmente, quais eram os problema do país. Se me tivessem perguntado responderia que eram os paninhos quentes, as falinhas mansas e o respeitinho dos chico-espertos pelos poderosos. No linguajar dos comentadores chama-se a isto a falta de exigência dos cidadãos. Pois bem, aqui está uma mulher que exige, que chateia e que faz perguntas incómodas. Precisamos de quinhentas destas. E, já agora, convém-nos que Paulo Portas se digne a responder-lhe. O motivo é simples: se nos contentarmos com menos que isso não merecemos viver num país decente.

17 comentários em “Nem todos iguais.”

  1. Luís, só uma coisa: se querias fazer um elogio público à Ana Gomes, com o qual até concordo em parte (discutiremos a outra parte se estiveres para aí virado, é claro), podias ao menos ter escolhido uma fotografia da senhora que não fosse este cruzamento de Júlia Pinheiro e Avô Cantigas…

      1. A outra parte é a sensação que tenho sempre de que ela faz todo este alarido por exibicionismo pessoal, por muita razão que tenha. O que me deixa sempre de pé atrás quanto às motivações da senhora. Mas talvez seja (má) impressão minha, e ela seja apenas um bocadinho histriónica de mais para o meu gosto.

        1. Então posso responder, Ana:

          De um lado tens uma acusação grave de fraude, violação das regras do mercado interno, má utilização dos dinheiros públicos, corrupção, e desaparecimento de documentos contratuais num negócio de 1210 milhões de euros, no qual o preço foi “majorado” em 64 milhões de euros. Tens ainda o pagamento de 30 milhões de euros a uma empresa do Grupo BES para fazer a “engenharia financeira” de um projecto que depois financiaria.

          Estas acusações comprometem um Governo e um antigo Ministro e actual líder de um partido da oposição que ainda não disse uma palavra para esclarecer o assunto.

          E tu falas-me no “alarido” e no “exibicionismo pessoal” da pessoa que se rebelou contra esta vergonha? Ana, tens mesmo a certeza que devíamos estar a discutir a “outra parte” da Ana Gomes?

          Fiz-te a pergunta anterior porque há uma coisa que ainda não consegui perceber e não sei se algum dia lá chegarei: porque é que neste país, quando alguém denuncia um crime grave de corrupção, aparece logo tanta gente a “denunciar” o denunciante?

          1. Luís, também te posso responder a isso:

            Em primeiro lugar, não fiz comparações de “peso” entre a gravidade das acusações e o alarido exibicionista a que, repito, me soam sempre as intervenções públicas de Ana Gomes. Não pus em causa o que ela questiona (e até te disse que concordo com ela), mas a forma como o faz. O que é muito, mas MUITO diferente, da atitude de “denunciar o denunciante” que pareces apontar-me sem nenhuma razão. Bem sei que em Portugal é prática corrente, mas não enfio essa carapuça.
            Discuti contigo a “outra parte” porque te mostraste interessado, só isso. E mantenho o que disse.

          2. Também me parece. Faltou-me acrescentar que, a haver fraudes e irregularidades neste caso (como em outros), espero que sejam apuradas todas as responsabilidades e os culpados sejam punidos, sejam eles quem forem.

            Feliz Natal para ti também, Luís.

          3. Também me parece. Faltou-me acrescentar que, a haver fraudes e irregularidades neste caso (como em quaisquer outros), espero que sejam apuradas todas as responsabilidades e os culpados sejam punidos, sejam eles quem forem.

            Feliz Natal para ti também, Luís.

  2. Ana Gomes apresentou provas sobre os famosos voos da CIA? Não, mas andou anos nas televisões a falar no assunto.
    Ana Gomes apresentou provas de que houve negligencia ou fraude no contracto dos submarinos? Não, mas apresentou uma queixa em Bruxelas no sentido de anular um contracto com 7 anos, que atravessou 3 governos de partidos diferentes.
    Ana Gomes tem uma agenda propria, e vai-se valendo das posições que ocupa para “dizer as verdades”, e entretanto lá vai aparecendo nos media.
    Já agora: desde quando é que vivemos num país decente?

    1. Ana Gomes não é advogada, e a participação política não é um tribunal: em política vigia-se o poder. Colocam-se questões, e espera-se que elas sejam respondidas.

      No caso dos voos da CIA essas questões foram mal respondidas, como se confirmou pela fuga do Wikileaks. Ana Gomges tinha razão.

      No caso dos submarinos, não houve respostas.

      Quanto a isto:

      “Já agora: desde quando é que vivemos num país decente?”

      Não vivemos. Isso acontece, em grande parte, porque neste país há demasiada gente como você a “exigir provas” em vez de exigir respostas.

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