Talvez algum dos leitores se reconheça com gosto nas experiências de infância entre a extrema-esquerda. Parece-me que o texto é um pouco longo, e pessoal, para colocar aqui, mas está à vossa disposição no meu outro blog.
Talvez algum dos leitores se reconheça com gosto nas experiências de infância entre a extrema-esquerda. Parece-me que o texto é um pouco longo, e pessoal, para colocar aqui, mas está à vossa disposição no meu outro blog.
Sim, Luís, correu mal. Imagina o que seria a matança do porco pelos camaradas do PC.
Ah, as velhas guerras nunca morrem.
Muitos anos de fome, e uma falta de educação que nos está na massa do sangue, podem justificar o “assalto” ao bacoro. Não sendo muito vulgar, é no entanto possivel ser-se pobre, comunista, e bem educado.
Você ficaria surpreendido com a sofisticação de alguns comunistas que eu conheci. Não muitos, claro. Mas se calhar o problema é meu, que associo a falta de educação e a vulgaridade ao novo-riquismo, e não à pobreza.
Luís, a minha experiência alentejana é a do outro lado da barricada, e digo-o com a tranquilidade que me dá a distância dos trinta e tal anos que já passaram. No entanto, o que é engraçado é que os rituais eram praticamente os mesmos, afinal. As minhas memórias são também a violência medieva no prazer da matança do porco, as convicções puramente emocionais, toda uma aprendizagem por fazer ainda. O abastardamento de hábitos dos teus heróis era mais do que previsível, nada corrompe mais do que o conforto e a vida fácil. E isto, longe de afastar-me de ti, torna-nos cúmplices de um mesmo passado, apesar de visto “em espelho”. Do “meu lado” houve outras concessões, outras decepções também previsíveis.
E tenho o prazer de ler uma vez mais o teu português livre, vivo e escorreito. Os “comedores de tofu” talvez se sintam desconfortáveis ao ler-te. Eu, não.
Não me digas que eras uma latifundiária exploradora do povo oprimido, Ana.
Mas deixa lá, que o lado da minha mãe era muito mais conservador.
Beijos revolucionários.
Não era latifundiária coisa nenhuma, antes fosse! Nem sequer alentejana, fui lá parar por mero acaso numa época “quente”. E nunca explorei ninguém, foi mais o contrário…
Um dia conto-te a história, que vista à distância até tem graça.
Beijos divertidos.
Excelente prosa. Tomei a liberdade (nada revolucionária) de roubar e levar para a minha Praça.
A propriedade é de todos, camarada.
Os direitos sobre a mesma é que não o serão. Digo eu, que sou alentejano.
É curioso: lembro-me de ver em tempos uma referência no seu blogue às “matanças do porco do MDP-CDE”; achei piada e ficou-me na memória. Na altura pensei que fosse uma metáfora ou uma ideia divertida surgida de repente na sua cabeça. Agora vejo que estava a ser literal. Curioso também porque nunca percebi o que era exactamente o MDP pós 25 de Abril, à parte o prof. Tengarrinha, a militância de pessoas como Bernardo Santareno e aquela brilhante previsão de Vasco gonçalves que apostava que esse movimento venceria as elições para a Constituinte.
Exacto. Cheguei a participar numa manifestação pelo regresso do Vasco Gonçalves, em frente à casa do General, ali para os lados dos Olivais.
O MDP/CDE era o partido charneira do PCP, local de abrigo para os camaradas que na PIDE, durante os interrogatórios, não tinham conseguido manter o silêncio (havia até quem, maldosamente, claro, dizia que era o partido dos bufos). Para além dos homossexuais e afins, aos quais o partido do Barreirinhas fechava as fileiras.
Cumprimentos
Que maldade. Isso era uma invenção nojenta dos controleiros do PC, sempre prontos a espetar a faca nos aliados de ocasião.
Leia as origens do partido aqui:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Movimento_ Democrático_Português