38 comentários em “Dez razões para não votar Cavaco”
Essa em mim não cola, pois se Cavaco pecou por omissão não tem poder executivo e suspeito que Sócrates teria feito bem pior com um Alegre à esquerda ou mesmo Soares. Alertas ele deu e nem foram seguidos pelo povo em 2009, que preferiu o descontrolo rosa, o que contribuiu para parte da actual desgraça
Carlos: anotei o último ‘alerta’ do PR, na sessão comemorativa do 25 de Abril, há seis meses. Apontava aos portugueses os benefícios e as vantagens de nos virarmos todos para o mar. Como se o País não estivesse como está.
Sabe muito bem que houve muitos outros avisos à navegação, sempre que as coisas eram desagradáveis era porque se estava a intrometer, quando dúbias, todos se sentiam não afectados. Não foi o presidente que gostaria que fosse, pois até sou por um regime mais presidencialista, mas pelo que li das dez razões, contabiliza que não foi hipócrita no caso Saramago (deduzo que um homem de estado deve ter), que tem curriculum (chama-lhe eucalipto, mas se criou raizes não secou nada à volta), que teve amigos corruptos (quem não os terá sem saber?), que se calou quando Klaus disse a mais pura das verdades sobre Portugal (a repetente hipocrisia), a última nem é uma razão. Ficámos sobretudo pelo pãozinho sem sal e concordo que o caso das escutas foi infeliz. Nada que justifique a solução de um poeta de esquerda num país falido apadrinhado por Sócrates e que entrou para a política ainda antes de CS
Tenha paciência, Carlos: não venha falar-me em hipocrisia. Recordo-lhe que na mais entrevista deste sábado ao ‘Expresso’ o PR diz o seguinte:
“Considero-me uma das pessoas mais bem informadas sobre a situação do país. Para fazer o que estou a fazer, é fundamental estar bem informado” E também o seguinte: “Confesso que não esperava que estivéssemos hoje na situação em que estamos”
Esclareça-me, por favor: o PR estava a ser hipócrita na primeira ou na segunda frase? Agradeço-lhe desde já.
Não li a entrevista, mas o que escreveu acima não demonstra hipocrisia, apenas que o PR não estava tão bem informado como considerava que estava e era importante estar (até porque o considera essencial)… a situação era ainda mais grave do que Klaus a disse. Todavia, já há muito que ele lançara alertas para a situação económica do país e do monstro. CS tem defeitos e aspectos nele que não me agradam, mas a hipocrisia na política tem-se estabelecido preferencialmente noutras moradias.
Quanto a isso nada tenho a objectar. Mas recordo-lhe que não fui eu a usar a palavra hipocrisia. Prefiro, de resto, usar outra terminologia quando faço comentários políticos.
Pedro, o melhor é votar no Sócrates. Os amigos são para as ocasiões
Ora bem, recapitulando: 1. Efeito Eucalipto: É culpa de CS que ninguém se tenha imposto (partindo deste pressuposto falacioso, claro) na sua área eleitoral. Logo, assumindo o mesmo critério, personalidades como Mário Soares, M. Tatcher, F. Miterrand, H. Cole, entre outros, padecerão da mesma doença. 2. Cooperação estratégica: A um Governo acabado de ganhar com MA, parece lógico, não. 3. Caso Dias Loureiro: Ainda não percebi em que é que CS falhou neste caso. 4. A palavra desperdiçada: Quando não se quer ouvir, claro que se anda sempre de ouvidos tapados. 5. Escutas: Um processo muito mal conduzido por CS, e com um comportamento execrável do jornal onde o sr. Correia trabalha. Penso que a verdade virá ao de cima. 6. Saramago: Sentido de Estado não é sinónimo de hipocrisia, pessoal e política. Basta “ouvir” a mulher do Nobel. 7. O Ralhete de Klaus: Também não gostei, muito embora aconselhe a ver toda a conferência de imprensa. 8. Convicções: zero: Argumento: zero. Nem compreendo onde se quer chegar com este. 9. O árbitro que não arbitra: Sem me alongar muito, quem é mesmo o lider da “comitiva” do PSD para as negociações do Orçamento? 10. Uma evidência: Nem sei bem o que dizer de um não argumento. Olhe, acredita que se estivesse lá Alegre viveria melhor?
Espero que, a bem da campanha eleitoral, Manuel Alegre e Fernando Nobre sejam mais consequentes, construtivos e honestos na crítica que farão a CS. São ambos homens muito inteligentes e capazes de “elevar” o nível do debate. Se entrarem por esta linha de argumentação, muito ao gosto da nossa imprensa que gosta de engavetar e etiquetar os assuntos, podem começar a arrumar a trouxa. O que eu acho interessante em todos os Daniel Oliveiras’s (sim, o do bloco, não o que poe todos a chorar) deste país, é que demonstram day after day que não conhecem o país que vota… Realmente, não conhecem…
Estou a ver: Cavaco serve por não ter culpa de os outros candidatos serem ainda piores; presidiu ao desastre porque o resultado das eleições não lhe deixou outro remédio (e ele, contrariado, lá cooperou como pôde); a Constituição só o deixa cortar fitas e fazer uns discursos jesuíticos, que o comentador Pedro Ulrich e mais 12 tudólogos – 3 por canal de TV – entenderam perfeitamente; enquanto foi PM regou a plantinha do euro e a do Estado clientelar e omnipresente. E temos que o reeleger? Talvez – mas como quem bebe óleo de fígado de bacalhau sem esperanças de melhorar do fígado. Por mim, ter que votar neste pau-de-sabão calculista, estatista e desesperadoramente estreito é bem a medida do desalento.
Caro JMG, Vocé desvaloriza o que é essencial em Democracia… a escolha. Parece-me evidente que CS está longe de ser perfeito, até mesmo, admito, para o lugar que ocupa e que pretenderá reocupar. Todavia, aquilo que a nós nos cabe, enquanto eleitores, é escolher em função das alternativas e não em função do candidato que gostaríamos que existisse. Não vale a pena deixarmo-nos enredar por falsas questões tipo “candidato eucalipto” como faz o Pedro Correia porque são absolutamente inconsequentes. Naturalmente, não tenho a mesma visão “negra” de CS que o sr. tem, mas, que eu saiba, não “tem que” votar em quem não quer. Como em quase tudo na vida, é uma questão de opção. Se acha que CS é o mais capaz, entre os candidatos, a escolha parece-me evidente. Lembro, também, que um voto em branco beneficia em qualquer circunstância CS. Posso dizer-lhe, por exemplo, que votei no PSD nas últimas legislativas, não pela confiança que a direcção da altura me merecia, mas porque entendia que o maior partido da oposição necessitaria de ter mais força institucional na Assembleia para colocar um travão à verdadeira MENTIRA PÚBLICA que foram os primeiros 4 anos de Sócrates. A minha percepção era a de que MFL nunca seria eleita, o próximo governo teria maioria relativa e mais tarde ou mais cedo teríamos novas eleições já com uma alternativa mais forte. E, até agora, o que tinha em mente tem-se vindo a verificar. Este é apenas um exemplo de uma motivação, penso que legítima, que poderá estar por trás da razão de votar neste ou naquele sem que seja necessariamente por uma questão de identificação imediata. E deixo outra dica ao Pedro Correia, que tanto gosta de dizer que CS se gaba de nunca ter “boicotado” nenhum diploma deste governo: segundo um estudo do André Freire, este foi a Presidente mais interventivo, no seu 1º mandato, desde o 25 de Abril… E, mesmo assim, tenho a certeza que o será muitissimo mais num 2º mandato. Quer queiram, quer não, todos quiseram fazer dois mandatos, logo, as posições controversas aparecerão muito mais num 2º mandato, e aí terão a “força” das convicções pessoais que o Pedro Correia acha que ele não tem, ou acham que não?…
11ª Razão “as reduções nos abonos de família” Diz-se que é uma competência do Governo. Uma das ‘vantagens’ do regime: semi-presidencial / híbrido / semi-nada. Sabemos do declínio populacional do País. Sabemos das dificuldades de criação das crianças e jovens, nas famílias de baixos rendimentos. Reduzir abonos de família a gente com menos de 700 euros/mês? Para que assim mais facilmente se chegue à redução da população, a bem dos bem instalados na vida? Esta, é das tais que me poderia merecer, outro tipo de redução: a da minha pensão de reforma*. Redução dos abonos de família, como estamos a assistir? Que extraordinária medida, para o moral dos casais em princípio de vida. Pois, que o PR nada tem a ver com isto. Mas como, se ele próprio, quando empossado como PR, devia ter visto canceladas as suas pensões de reforma? *Superior ao tecto das pensões da segurança social de Espanha: 3.000 euros.
Vou fazer de conta que não li esta sua série, manifestamente infeliz. A 10ª “razão” é nada mais nada menos do que o vazio (já patente nas outras 9…) em todo o seu esplendor. Prefiro lê-lo sobre cinema e apreciar o bom gosto com que selecciona canções.
O Cavaco fuma? Se fumar pode ser a décima primeira razão para não votar nele. De qualquer maneira, eu prefiro avaliar os políticos pelo nó de gravata que usam – antes era pelos brindes que ofereciam, mas acho que acabaram com isso – mas se assim não fosse, era um bom critério a usar o seu.
Entre as várias razões sobressaem o caso Dias Loureiro, a passividade e os discursos inócuos, tendo como certo que a chuva temporã da sorte e este povo abúlico lhe darão um novo mandato de mão beijada. A hora também não é de “heróis” de muca(b)va para a Argélia porque cheirava muito a pólvora. Para um povo que já foi nobre no antigamente, talvez um Nobre para Presidente!
Para quando as 1000 razões para não votar Alegre, as 2500 para não votar Nobre e as 3 milhões para não votar no candidato do PC que não me lembro do nome?
Pedro, tal como insisti consigo por diversas vezes nos inúmeros posts neste sentido (de que há 5 anos vivíamos melhor), o resto do Mundo também vivia melhor há 5 anos, antes da crise que nos abalou a todos (e abalou – e abala – a sério, não um pequeno abalozinho como disse Ferreira Leite). Sócrates em particular e este governo cometeu imensos erros e se não fosse Teixeira Dos Santos (muitos criticam-no, mas desconhecem o que se passa por detrás) isto estaria bem pior, pois é o único naquela casa que tem algum bom senso e coloca travão no querido líder. Mas também há causas exteriores que foram determinantes para a actual situação, entre elas o criminoso ataque especulativo. Compreendo que quem não saiba o que isto significa e como se procede que não lhe dê o devido valor ou o justo peso na crise, mas se não fosse o ataque especulativo, provocado por alguns gananciosos, não estaríamos tão mal. Por esta razão, é que nem um nem outro (Sócrates e Cavaco) são os únicos culpados da crise. E esta “evidência” é falaciosa. É como se eu dissesse que o Benfica e o Sporting há um ano estavam melhores. Pudera! Tinham melhores jogadores. Há cinco anos vivíamos melhor. Claro! Não estávamos na maior crise mundial dos últimos 50 anos. Não votarei em nenhum deles, mas atribuir-lhes as culpas de todos os males, esquecendo os restantes responsáveis é injusto. Abraço.
Caro Ricardo, discordo de si. No Brasil, por exemplo, ninguém neste momento diz que há cinco anos vivia melhor. Com taxas de crescimento económico anual de 7%, a economia brasileira está pujante. Isto explica a vantagem de Dilma nas urnas, com o apoio de Lula. Como vê, não é uma fatalidade que as coisas caminhem sempre para baixo, sempre para pior.~ Abraço
Oh Pedro, até você se deve estar a rir do seu argumento… Admiro-me, assim sendo, que não utilize também os exemplos da China, da India ou mesmo da Coreia…
Estava… mesmo esperando por uma destas… para ver a catagoria do “bicho”…
– Só o “pitrolio” fazia a nossa felicidade…pagava todas as nossas dividas…e sobrava algum para emprestar aos espanhois! + Diamantes Agro-pecuária Madeiras Ouro.. etc… Qualquer Sócrates… brilhava!Mesmo com os imensos “cuecões” —
Claro que sim Pedro, tal como a China ou a Índia, apesar de menos do que nos últimos anos. Ou Angola. Todos eles países “periféricos” (a China talvez não seja assim tão periférico, mas tem um modelo económico sui generis…) Claro que há excepções, mas se olharmos para EUA e Europa, nomeadamente UE, vemos que estamos longe de sermos os únicos. E há bem piores do que nós, como os irlandeses, ou gregos ou os islandeses, que foram à falência. E não consta que Sócrates e Cavaco tenham feito alguma coisa para a crise deles… Abraço.
Presumo que o Pedro tivesse sido irónico. Bush (filho), aquele que apanhou os EUA com superavit (do mandato de Clinton) e quase estoirou com a economia norte-americana e fez disparar o défice público, esse Bush certo? Sem dúvida que seria melhor. Para estoirar de vez e para os amigos que lucraram à conta das guerras, a começar pelo braço-direito Dick Chenney e a sua empresa Haliburton. Abraço.
Claro que estava a ser irónico, caro Ricardo, enquanto pretendia desmontar a sua tese de que praticamente em parte nenhuma o pessoal vive hoje melhor do que há cinco anos. Já vimos que na China não é assim, nem no Brasil, nem na Índia, nem nos EUA – o que já perfaz a larga maioria da população do planeta. Não teria que ser assim em Portugal, portanto. Mas é.
Essa em mim não cola, pois se Cavaco pecou por omissão não tem poder executivo e suspeito que Sócrates teria feito bem pior com um Alegre à esquerda ou mesmo Soares.
Alertas ele deu e nem foram seguidos pelo povo em 2009, que preferiu o descontrolo rosa, o que contribuiu para parte da actual desgraça
Carlos: anotei o último ‘alerta’ do PR, na sessão comemorativa do 25 de Abril, há seis meses. Apontava aos portugueses os benefícios e as vantagens de nos virarmos todos para o mar. Como se o País não estivesse como está.
Sabe muito bem que houve muitos outros avisos à navegação, sempre que as coisas eram desagradáveis era porque se estava a intrometer, quando dúbias, todos se sentiam não afectados.
Não foi o presidente que gostaria que fosse, pois até sou por um regime mais presidencialista, mas pelo que li das dez razões, contabiliza que não foi hipócrita no caso Saramago (deduzo que um homem de estado deve ter), que tem curriculum (chama-lhe eucalipto, mas se criou raizes não secou nada à volta), que teve amigos corruptos (quem não os terá sem saber?), que se calou quando Klaus disse a mais pura das verdades sobre Portugal (a repetente hipocrisia), a última nem é uma razão.
Ficámos sobretudo pelo pãozinho sem sal e concordo que o caso das escutas foi infeliz.
Nada que justifique a solução de um poeta de esquerda num país falido apadrinhado por Sócrates e que entrou para a política ainda antes de CS
Tenha paciência, Carlos: não venha falar-me em hipocrisia.
Recordo-lhe que na mais entrevista deste sábado ao ‘Expresso’ o PR diz o seguinte:
“Considero-me uma das pessoas mais bem informadas sobre a situação do país. Para fazer o que estou a fazer, é fundamental estar bem informado”
E também o seguinte:
“Confesso que não esperava que estivéssemos hoje na situação em que estamos”
Esclareça-me, por favor: o PR estava a ser hipócrita na primeira ou na segunda frase?
Agradeço-lhe desde já.
Não li a entrevista, mas o que escreveu acima não demonstra hipocrisia, apenas que o PR não estava tão bem informado como considerava que estava e era importante estar (até porque o considera essencial)… a situação era ainda mais grave do que Klaus a disse.
Todavia, já há muito que ele lançara alertas para a situação económica do país e do monstro.
CS tem defeitos e aspectos nele que não me agradam, mas a hipocrisia na política tem-se estabelecido preferencialmente noutras moradias.
Quanto a isso nada tenho a objectar. Mas recordo-lhe que não fui eu a usar a palavra hipocrisia. Prefiro, de resto, usar outra terminologia quando faço comentários políticos.
Pedro, o melhor é votar no Sócrates. Os amigos são para as ocasiões
Se não votar no Sócrates vota no Presidente que se gaba de nunca ter vetado em cinco anos um diploma do Governo Sócrates. Acaba tudo por dar no mesmo.
Ora bem, recapitulando:
1. Efeito Eucalipto: É culpa de CS que ninguém se tenha imposto (partindo deste pressuposto falacioso, claro) na sua área eleitoral. Logo, assumindo o mesmo critério, personalidades como Mário Soares, M. Tatcher, F. Miterrand, H. Cole, entre outros, padecerão da mesma doença.
2. Cooperação estratégica: A um Governo acabado de ganhar com MA, parece lógico, não.
3. Caso Dias Loureiro: Ainda não percebi em que é que CS falhou neste caso.
4. A palavra desperdiçada: Quando não se quer ouvir, claro que se anda sempre de ouvidos tapados.
5. Escutas: Um processo muito mal conduzido por CS, e com um comportamento execrável do jornal onde o sr. Correia trabalha. Penso que a verdade virá ao de cima.
6. Saramago: Sentido de Estado não é sinónimo de hipocrisia, pessoal e política. Basta “ouvir” a mulher do Nobel.
7. O Ralhete de Klaus: Também não gostei, muito embora aconselhe a ver toda a conferência de imprensa.
8. Convicções: zero: Argumento: zero. Nem compreendo onde se quer chegar com este.
9. O árbitro que não arbitra: Sem me alongar muito, quem é mesmo o lider da “comitiva” do PSD para as negociações do Orçamento?
10. Uma evidência: Nem sei bem o que dizer de um não argumento. Olhe, acredita que se estivesse lá Alegre viveria melhor?
Espero que, a bem da campanha eleitoral, Manuel Alegre e Fernando Nobre sejam mais consequentes, construtivos e honestos na crítica que farão a CS. São ambos homens muito inteligentes e capazes de “elevar” o nível do debate. Se entrarem por esta linha de argumentação, muito ao gosto da nossa imprensa que gosta de engavetar e etiquetar os assuntos, podem começar a arrumar a trouxa.
O que eu acho interessante em todos os Daniel Oliveiras’s (sim, o do bloco, não o que poe todos a chorar) deste país, é que demonstram day after day que não conhecem o país que vota… Realmente, não conhecem…
Muito bom!
Estou a ver: Cavaco serve por não ter culpa de os outros candidatos serem ainda piores; presidiu ao desastre porque o resultado das eleições não lhe deixou outro remédio (e ele, contrariado, lá cooperou como pôde); a Constituição só o deixa cortar fitas e fazer uns discursos jesuíticos, que o comentador Pedro Ulrich e mais 12 tudólogos – 3 por canal de TV – entenderam perfeitamente; enquanto foi PM regou a plantinha do euro e a do Estado clientelar e omnipresente. E temos que o reeleger? Talvez – mas como quem bebe óleo de fígado de bacalhau sem esperanças de melhorar do fígado. Por mim, ter que votar neste pau-de-sabão calculista, estatista e desesperadoramente estreito é bem a medida do desalento.
Caro JMG,
Vocé desvaloriza o que é essencial em Democracia… a escolha. Parece-me evidente que CS está longe de ser perfeito, até mesmo, admito, para o lugar que ocupa e que pretenderá reocupar. Todavia, aquilo que a nós nos cabe, enquanto eleitores, é escolher em função das alternativas e não em função do candidato que gostaríamos que existisse. Não vale a pena deixarmo-nos enredar por falsas questões tipo “candidato eucalipto” como faz o Pedro Correia porque são absolutamente inconsequentes.
Naturalmente, não tenho a mesma visão “negra” de CS que o sr. tem, mas, que eu saiba, não “tem que” votar em quem não quer. Como em quase tudo na vida, é uma questão de opção. Se acha que CS é o mais capaz, entre os candidatos, a escolha parece-me evidente. Lembro, também, que um voto em branco beneficia em qualquer circunstância CS.
Posso dizer-lhe, por exemplo, que votei no PSD nas últimas legislativas, não pela confiança que a direcção da altura me merecia, mas porque entendia que o maior partido da oposição necessitaria de ter mais força institucional na Assembleia para colocar um travão à verdadeira MENTIRA PÚBLICA que foram os primeiros 4 anos de Sócrates. A minha percepção era a de que MFL nunca seria eleita, o próximo governo teria maioria relativa e mais tarde ou mais cedo teríamos novas eleições já com uma alternativa mais forte. E, até agora, o que tinha em mente tem-se vindo a verificar.
Este é apenas um exemplo de uma motivação, penso que legítima, que poderá estar por trás da razão de votar neste ou naquele sem que seja necessariamente por uma questão de identificação imediata.
E deixo outra dica ao Pedro Correia, que tanto gosta de dizer que CS se gaba de nunca ter “boicotado” nenhum diploma deste governo: segundo um estudo do André Freire, este foi a Presidente mais interventivo, no seu 1º mandato, desde o 25 de Abril… E, mesmo assim, tenho a certeza que o será muitissimo mais num 2º mandato. Quer queiram, quer não, todos quiseram fazer dois mandatos, logo, as posições controversas aparecerão muito mais num 2º mandato, e aí terão a “força” das convicções pessoais que o Pedro Correia acha que ele não tem, ou acham que não?…
Por amor de deus… também não é preciso exagerar.
11ª Razão
“as reduções nos abonos de família”
Diz-se que é uma competência do Governo.
Uma das ‘vantagens’ do regime: semi-presidencial / híbrido / semi-nada.
Sabemos do declínio populacional do País.
Sabemos das dificuldades de criação das crianças e jovens, nas famílias de baixos rendimentos.
Reduzir abonos de família a gente com menos de 700 euros/mês?
Para que assim mais facilmente se chegue à redução da população, a bem dos bem instalados na vida?
Esta, é das tais que me poderia merecer, outro tipo de redução: a da minha pensão de reforma*.
Redução dos abonos de família, como estamos a assistir?
Que extraordinária medida, para o moral dos casais em princípio de vida.
Pois, que o PR nada tem a ver com isto.
Mas como, se ele próprio, quando empossado como PR, devia ter visto canceladas as suas pensões de reforma?
*Superior ao tecto das pensões da segurança social de Espanha: 3.000 euros.
Sr Pedro Correia
Apresenta -nos as suas 10 razões para não votar CS…
Que mal lhe pergunte: – Quantas ( razões) terá para não votar Alegre?
—-
Eu tenho 1 , que vale por 1.000.000: – TRAIDOR!
Vou fazer de conta que não li esta sua série, manifestamente infeliz.
A 10ª “razão” é nada mais nada menos do que o vazio (já patente nas outras 9…) em todo o seu esplendor.
Prefiro lê-lo sobre cinema e apreciar o bom gosto com que selecciona canções.
Agradeço-lhe a atenção, a paciência e o ‘fair play’.
MEGA LIKE. Nunca levaria um voto meu. Como diz o meu querido Mário Lino, JAMAIS.
De acordo. Já agora: no Mário Lino eu também não voto.
E voto em quem então?
Em alguém que não fume. É mais um incentivo para também deixar de fumar.
O Cavaco fuma? Se fumar pode ser a décima primeira razão para não votar nele.
De qualquer maneira, eu prefiro avaliar os políticos pelo nó de gravata que usam – antes era pelos brindes que ofereciam, mas acho que acabaram com isso – mas se assim não fosse, era um bom critério a usar o seu.
Eu avalio-os pela cor da gravata. Se usam gravatinha rosa choque ou azul cueca, não contam com o meu voto.
Entre as várias razões sobressaem o caso Dias Loureiro, a passividade e os discursos inócuos, tendo como certo que a chuva temporã da sorte e este povo abúlico lhe darão um
novo mandato de mão beijada.
A hora também não é de “heróis” de muca(b)va para a Argélia porque cheirava muito a pólvora.
Para um povo que já foi nobre no antigamente, talvez um Nobre para Presidente!
Para quando as 1000 razões para não votar Alegre, as 2500 para não votar Nobre e as 3 milhões para não votar no candidato do PC que não me lembro do nome?
Só sucederia daqui a cinco anos, na hipótese de qualquer deles cumprir o mandato presidencial. Falo de quem está em Belém – não de quem lá não está.
Vou deixar aqui um segredo que revelei no meu blogue
http://devaneiosaoriente.blogspot.com/20 10/10/uma-noticia-bombastica.html
Como sempre, fica aqui só entre nós os 50, está bem??
Fica combinado.
Pedro, tal como insisti consigo por diversas vezes nos inúmeros posts neste sentido (de que há 5 anos vivíamos melhor), o resto do Mundo também vivia melhor há 5 anos, antes da crise que nos abalou a todos (e abalou – e abala – a sério, não um pequeno abalozinho como disse Ferreira Leite). Sócrates em particular e este governo cometeu imensos erros e se não fosse Teixeira Dos Santos (muitos criticam-no, mas desconhecem o que se passa por detrás) isto estaria bem pior, pois é o único naquela casa que tem algum bom senso e coloca travão no querido líder. Mas também há causas exteriores que foram determinantes para a actual situação, entre elas o criminoso ataque especulativo. Compreendo que quem não saiba o que isto significa e como se procede que não lhe dê o devido valor ou o justo peso na crise, mas se não fosse o ataque especulativo, provocado por alguns gananciosos, não estaríamos tão mal.
Por esta razão, é que nem um nem outro (Sócrates e Cavaco) são os únicos culpados da crise. E esta “evidência” é falaciosa. É como se eu dissesse que o Benfica e o Sporting há um ano estavam melhores. Pudera! Tinham melhores jogadores. Há cinco anos vivíamos melhor. Claro! Não estávamos na maior crise mundial dos últimos 50 anos.
Não votarei em nenhum deles, mas atribuir-lhes as culpas de todos os males, esquecendo os restantes responsáveis é injusto.
Abraço.
Caro Ricardo, discordo de si. No Brasil, por exemplo, ninguém neste momento diz que há cinco anos vivia melhor. Com taxas de crescimento económico anual de 7%, a economia brasileira está pujante. Isto explica a vantagem de Dilma nas urnas, com o apoio de Lula.
Como vê, não é uma fatalidade que as coisas caminhem sempre para baixo, sempre para pior.~
Abraço
Oh Pedro, até você se deve estar a rir do seu argumento… Admiro-me, assim sendo, que não utilize também os exemplos da China, da India ou mesmo da Coreia…
Estava… mesmo esperando por uma destas… para ver a catagoria do “bicho”…
– Só o “pitrolio” fazia a nossa felicidade…pagava todas as nossas dividas…e sobrava algum para emprestar aos espanhois!
+
Diamantes
Agro-pecuária
Madeiras
Ouro..
etc…
Qualquer Sócrates… brilhava!Mesmo com os imensos “cuecões”
—
Isso quer dizer que votarias no Lula, Pedro? Vá, confessa.
Ó Luís, não me fales do Lula logo hoje que morreu o Paul. Morte nada digna, longe do tacho a que qualquer polvo tem direito.
Claro que sim Pedro, tal como a China ou a Índia, apesar de menos do que nos últimos anos. Ou Angola. Todos eles países “periféricos” (a China talvez não seja assim tão periférico, mas tem um modelo económico sui generis…) Claro que há excepções, mas se olharmos para EUA e Europa, nomeadamente UE, vemos que estamos longe de sermos os únicos. E há bem piores do que nós, como os irlandeses, ou gregos ou os islandeses, que foram à falência. E não consta que Sócrates e Cavaco tenham feito alguma coisa para a crise deles…
Abraço.
Hum. Não sei se os americanos estariam melhor com Bush (filho). Tenho sérias dúvidas, Ricardo.
Presumo que o Pedro tivesse sido irónico. Bush (filho), aquele que apanhou os EUA com superavit (do mandato de Clinton) e quase estoirou com a economia norte-americana e fez disparar o défice público, esse Bush certo? Sem dúvida que seria melhor. Para estoirar de vez e para os amigos que lucraram à conta das guerras, a começar pelo braço-direito Dick Chenney e a sua empresa Haliburton.
Abraço.
Claro que estava a ser irónico, caro Ricardo, enquanto pretendia desmontar a sua tese de que praticamente em parte nenhuma o pessoal vive hoje melhor do que há cinco anos. Já vimos que na China não é assim, nem no Brasil, nem na Índia, nem nos EUA – o que já perfaz a larga maioria da população do planeta. Não teria que ser assim em Portugal, portanto. Mas é.