Gosto mais das soluções higiénicas modernas.
Mas se me der para aí a minha casa de férias vai ser assim.
E se lá forem olhá-la devolver-vos-ei a luz, a vida e a mensagem que interessa: carpe diem.
Gosto mais das soluções higiénicas modernas.
Mas se me der para aí a minha casa de férias vai ser assim.
E se lá forem olhá-la devolver-vos-ei a luz, a vida e a mensagem que interessa: carpe diem.
Não gostei.
Não gostei da remodelação governamental que substituiu Henrique Gomes.
A mudança de equipas é um incidente normal em qualquer executivo, mas Pedro Passos Coelho comprou uma suspeita que está longe de ter dissipado com as suas parcas explicações.
Não que eu seja apologista de excessos justificativos. Pelo contrário, reconheço aos governos – aos bons governos – o direito de agilizarem a sua acção política sem terem de ceder constantemente ao circo das confissões públicas e da propaganda enviesada de intenções. Se para trabalharem precisam de mudar pessoas, mudem-nas. A transparência joga-se nos meios e na coerência face aos fins anunciados. Joga-se nos resultados. E não nas prerrogativas inquestionáveis de escolha dos seus recursos humanos.
Não pertenço, tão pouco, ao grupo dos derrotistas de Álvaro Santos Pereira. A alarvidade nacional costuma eleger vítimas de estimação: calhou-lhe a sorte em jogo. Mas ele aguenta.
Quanto a razões, estamos falados, portanto. Concedo o benefício da dúvida.
Já quanto à oportunidade, não podia ser pior. Uma autêntica via aberta para especulações legítimas. Devia ter pensado melhor, Senhor Primeiro-Ministro. Assim não. Como na ERSE, em política há custos e proveitos.
Agora, fica muito por explicar.
Ou será que Artur Trindade, o filho do cardeal Mazarino vitalício da Associação Nacional de Municípios Portugueses, vai dar-lhe razão e enfrentar a escandaleira do banquete na EDP?
Aguardemos.
A Olympe de Gouges, humanista, política e mulher de letras, autora da “Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã”, que ousou tentar acordar a consciência de Maria Antonieta, Rainha de França
É quase ridículo, convenhamos, que uma efeméride de âmbito internacional tenha por objecto uma ‘entidade maioritária’ como é o caso do sexo feminino. Somos mais de metade da humanidade no planeta Terra. A que propósito, então?
Custa-me dar o braço a torcer… se custa. Mas é verdade que a batalha não está ganha. Sofisticou-se, até. E só por isso, pragmaticamente, continua a valer a pena assinalar o que parece desnecessário e anacrónico.
O machismo adquiriu manhas maquiavélicas. O feminismo pecou por excesso. O masculinismo desponta. E muitas mulheres das gerações ulteriores àquela a que pertenço conduzem-se como autênticas novas-ricas da igualdade de género. Desbaratam-na, dissipam-na, como se a sociedade lhes devesse mais do que a justiça da equidade e esperasse delas um comportamento semelhante ao da velha auctoritas masculina.
Não quero um mundo contrário ao que ainda vivi. Quero um mundo igualitário, sem desequilíbrios.
E gostaria que todas mulheres soubessem ultrapassar o estado de menoridade que as faz concorrer negativamente entre si mesmas; gostaria que deixassem de se comportar conforme os modelos ancestrais em que foram educadas, consciente ou inconscientemente, pelas suas próprias mães e pais. Gostaria de sentir solidariedade entre elas, mas uma solidariedade normal e não militante: lúcida, capaz de vencer racionalmente o instinto atávico da destruição predadora entre congéneres.
Já lá vai o tempo em que as mulheres se distinguiam e se afirmavam pelo seu homem, à sombra de quem eram alguém. Já lá vai o tempo em que se batiam por eles, resumindo a isso a sua conquista de personalidade. Portanto, haverá razão para lutarmos como se um homem, muitos homens, nos governassem? A ‘economia’ emotiva das nossas relações continua a ser isso? Eles? Teremos crescido assim tão pouco?
Há muito a fazer. E muitos Dias da Mulher por festejar…
Até que sejamos pares; até que ocupemos os postos de poder que nos competem.
Até que sejamos iguais a nós próprias.
Por mim, vou daqui festejar discretamente, relembrando o tempo em que o meu pai foi obrigado, com bonomia, a reconhecer que a vida o tinha surpreendido porque as filhas – apesar da forma e do molde e da não expectativa – tinham feito bem mais e melhor que muitos filhos. Devo dizer que, mesmo sem querer, foi a sua grande estatura que muito contribuiu para essas pequenas olimpíadas…
« Tem-se falado muito do Acordo Ortográfico e da necessidade de a língua evoluir no sentido da simplificação, eliminando letras desnecessárias e acompanhando a forma como as pessoas realmente falam. Sempre combati o dito Acordo mas, pensando bem, até começo a pensar que este peca por defeito. Acho que toda a escrita deveria ser repensada, tornando-a mais moderna, mais simples, mais fácil de aprender pelos estrangeiros.
Comecemos pelas consoantes mudas: deviam ser todas eliminadas.
É um fato que não se pronunciam. Se não se pronunciam, porque ão-de escrever-se? O que estão lá a fazer? Aliás, o qe estão lá a fazer? Defendo qe todas as letras qe não se pronunciam devem ser, pura e simplesmente, eliminadas da escrita já qe não existem na oralidade.
Outra complicação decorre da leitura igual qe se faz de letras diferentes e das leituras diferentes qe pode ter a mesma letra.
Porqe é qe “assunção” se escreve com “ç” e “ascensão” se escreve com “s”?
Seria muito mais fácil para as nossas crianças atribuír um som único a cada letra até porqe, quando aprendem o alfabeto, lhes atribuem um único nome. Além disso, os teclados portugueses deixariam de ser diferentes se eliminássemos liminarmente o “ç”.
Por isso, proponho qe o próximo acordo ortográfico elimine o “ç” e o substitua por um simples “s” o qual passaria a ter um único som.
Como consequência, também os “ss” deixariam de ser nesesários já qe um “s” se pasará a ler sempre e apenas “s”.
Esta é uma enorme simplificasão com amplas consequências económicas, designadamente ao nível da redusão do número de carateres a uzar. Claro, “uzar”, é isso mesmo, se o “s” pasar a ter sempre o som de “s” o som “z” pasará a ser sempre reprezentado por um “z”.
Simples não é? se o som é “s”, escreve-se sempre com s. Se o som é “z” escreve-se sempre com “z”.
Quanto ao “c” (que se diz “cê” mas qe, na maior parte dos casos, tem valor de “q”) pode, com vantagem, ser substituído pelo “q”. Sou patriota e defendo a língua portugueza, não qonqordo qom a introdusão de letras estrangeiras. Nada de “k”.
Não pensem qe me esqesi do som “ch”.
O som “ch” pasa a ser reprezentado pela letra “x”. Alguém dix “csix” para dezinar o “x”? Ninguém, pois não? O “x” xama-se “xis”. Poix é iso mexmo qe fiqa.
É impresionante a quantidade de ambivalênsiax e de letras inuteix qe a língua portugesa tem! Uma língua qe tem pretensõex a ser a qinta língua maix falada do planeta, qomo pode impôr-se qom tantax qompliqasõex? Qomo pode expalhar-se pelo mundo, qomo póde tornar-se realmente impurtante se não aqompanha a evolusão natural da oralidade? »
Maria Clara Assunção, 2009, texto integral aqui
«Ask Portuguese politicians who they are these days and you will get a sharp and predictable reply: “Not Greek!”
Ask a Spaniard or an Italian and they’ll say they are neither Greek nor Portuguese.
A German will say he’s a German, a French might answer he’s a German too.
And a British prime minister may repeat that he’s not sure if he’s a European.
(Well, these days, who is?)»
Ele há blogues e blogues…
Patriotismo e patrioteirismo.
Bloguismo e blogueirismo.
O Delito de Opinião é um movimento bloguista, um exercício perigoso, só para gente adulta, aventueira. E onde cada um de nós está de bem consigo (o que não é pouco na blogosfera).
Um blogue colectivo é um saco de gatos? É… Gatos de raça, aristobloggers, no sentido da sua grandeza humana e não do certificado veterinário de paternidade registada.
Por isso, cada momento de não virtualidade é uma celebração da força da verdade. O verdadeiro teste.
Mesmo que não estejamos presentes, somos.
O que não é pouco, reparem.
– Quem disse que a blogosfera estava morta?
Os cabotinos. Apenas esses.
Desde que oficializaram o amor romântico a sociedade desintegrou-se…
Esta frase, atribuída a Benjamin Disraeli, é a divisa informal dos Windsor.
E ocorre-me vezes sem conta, porque sou levada a reconhecer nela a chave da conduta politicamente irrepreensível de Isabel II.
Uma verdadeira chave inglesa…
Ou, então, de como a aparente passividade pode ser poderosamente inteligente e alcançar, sem chicana, o fim último a que se propõe: a representação lealíssima do seu povo.
Há sessenta anos que ela é assim.
A monarquia, se não tiver mais defeitos, terá pelo menos este, que é o de exigir o sacrifício de uma pessoa e de uma família.
Como e porquê, aqui.
Sou contra o acordo ortográfico e, por feitio, gosto de causas e de afrontamento, em nome de uma ideia.
Acredito também que as reformas só são legítimas quando traduzem um sentimento dominante da sociedade, nascendo, como costuma dizer-se, de baixo para cima, onde mora um Governo que nos representa. E que, quando o sentido é inverso, de cima para baixo – onde moramos nós – essa legitimidade se resume à soberana imperatividade da lei.
No episódio CCB está em causa uma opção: a força do direito ou o direito da força. Mas não apenas isso.
Porque se nenhuma norma é um fetiche intocável, como provam os movimentos de cidadãos, tão raros em Portugal, que exercem uma quase democracia primária, podem manifestar-se organizadamente e chegam ao ponto de obrigar o Poder a alterar uma lei que ofende a maioria da comunidade civil;
E se Vasco Graça Moura (que muito aprecio) faz uso, neste caso, de uma provocação ética cujo conteúdo, confesso, muito me seduz;
Também é verdade e inquestionável que ao recusar-se deliberadamente, através de um acto público, a perfilhar o acordo ortográfico, esquece-se (?) de que não é um cidadão comum a quem cabe, no limite, uma espécie de direito à desobediência civil, como se o acordo ortográfico violasse princípios fundamentais.
Não: Vasco Graça Moura é um alto representante do Estado e enquanto seu delegado, não pode, por uma questão de deontologia política, questionar o estado-de-direito e as suas próprias manifestações de vontade.
Coerência não é aplicar no seu território público a sua convicção privada.
Coerência seria, sim, aplicar no exercício das suas funções uma lei aprovada pelo Governo de que aceitou ser mandatário (ou não aceitasse).
Lamento, mas é assim. E ele sabe.