Custos e Proveitos


lauraramos,

Não gostei.
Não gostei da remodelação governamental que substituiu Henrique Gomes.

A mudança de equipas é um incidente normal em qualquer executivo, mas Pedro Passos Coelho comprou uma suspeita que está longe de ter dissipado com as suas parcas explicações.

Não que eu seja apologista de excessos justificativos. Pelo contrário, reconheço aos governos – aos bons governos – o direito de agilizarem a sua acção política sem terem de ceder constantemente ao circo das confissões públicas e da propaganda enviesada de intenções. Se para trabalharem precisam de mudar pessoas, mudem-nas. A transparência joga-se nos meios e na coerência face aos fins anunciados. Joga-se nos resultados. E não nas prerrogativas inquestionáveis de escolha dos seus recursos humanos.

Não pertenço, tão pouco, ao grupo dos derrotistas de Álvaro Santos Pereira. A alarvidade nacional costuma eleger vítimas de estimação: calhou-lhe a sorte em jogo. Mas ele aguenta.

Quanto a razões, estamos falados, portanto. Concedo o benefício da dúvida.

Já quanto à oportunidade, não podia ser pior. Uma autêntica via aberta para especulações legítimas. Devia ter pensado melhor, Senhor Primeiro-Ministro. Assim não. Como na ERSE, em política há custos e proveitos.

Agora, fica muito por explicar.

Ou será que Artur Trindade, o filho do cardeal Mazarino vitalício da Associação Nacional de Municípios Portugueses, vai dar-lhe razão e enfrentar a escandaleira do banquete na EDP?

Aguardemos.

10 comentários em “Custos e Proveitos”

  1. Eis uma frase lapidar do seu artigo: “Se para trabalharem precisam de mudar pessoas, mudem-nas”.

    Concordo inteiramente e tenho apenas uma questão:

    Para onde, Tóquio?

  2. Péssimo sinal, de facto. Muito mau sinal para quem queria mudar a forma como as coisas funcionam. (embora já se soubesse que iria ser insuficiente.)

  3. “A mudança de equipas é um incidente normal em qualquer executivo…”. Então são escolhidos para quê? Para ser normal serem mudados? Ou são mal escolhidos ou não sabem o que fazem ou querem promoção. Muitos deles ninguém os conhece (nós Zé povo, menos familiarizados com politica), passam a ministros, secretários de estado e são pessoas com importância a partir dessa altura. Portanto… “A mudança de equipas é um incidente normal em qualquer executivo…”. (?).

    1. Normalíssimo em qualquer executivo, em qualquer organização, em qualquer colectivo comprometido com um caderno de ideias, objectivos e resultados. Há incidentes de percurso inevitáveis que testam esse alinhamento das equipas e podem vir a evidenciar discordâncias nos métodos. Então, sair é normal. Questão de honestidade e de confiança, tanto dos que ficam como do que sai (que não fica beliscado).

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