Never explain, never complain


lauraramos,

 

Esta frase, atribuída a Benjamin Disraeli, é a divisa informal dos Windsor.

E ocorre-me vezes sem conta, porque sou levada a reconhecer nela a chave da conduta politicamente irrepreensível de Isabel II.

Uma verdadeira chave inglesa…

Ou, então, de como a aparente passividade pode ser poderosamente inteligente e alcançar, sem chicana, o fim último a que se propõe: a representação lealíssima do seu povo.

Há sessenta anos que ela é assim.

A monarquia, se não tiver mais defeitos, terá pelo menos este, que é o de exigir o sacrifício de uma pessoa e de uma família.

Como e porquê, aqui.

17 comentários em “Never explain, never complain”

  1. “… o sacrifício de uma pessoa…” é verdade; mas que a tornou numa das mulheres mais poderosas do planeta!

    1. O designativo “mais poderoso(a) do planeta” perde completamente, neste caso (parece-me) o lado utilitário que costuma ter. Foi e é um poder vinculado e por isso limitadíssimo, no que respeita àquilo que lhe costumamos associar.

  2. Não sabia de quem era a frase (muito aprendo eu contigo, Laura!), embora a tenha ouvido desde sempre porque era também – mas mais na vertente do “never complain” – uma espécie de lema da minha família.
    Um bom lema, aliás, que limpou a pieguice do nosso adn.

  3. Concordo totalmente: o sacrifício de uma jovem, que se prolongou, até agora, por sessenta longos anos.
    Tantos foram os acontecimentos ao longo deste tempo, que sou obrigada a considerar que ela é uma personagem única e talhada para este lugar, que gere de forma irrepreensível, quaisquer que sejam os ventos.
    Acima de tudo, de forma inteligente.
    A tal chave inglesa, apesar de considerarmos à partida a monarquia inglesa como caduca, uma mulher que soube adaptar-se a cada tempo, a cada situação. Com a maior das discrições, o que a distingue.
    Esta frase foi escrita para ela, sem dúvida, ou ela tomou-a como tal.

    1. Os mais ingénuos (e às vezes os menos ingénuos, propositadamente…) tendem a olhar apenas o lado exterior e ‘glamoroso’ das coisas, sem valorizar o peso que estas pessoas carregam em cima dos ombros e o profissionalismo que lhes é exigido, sem terem sequer a liberdade de bater a porta, como fez Eduardo VIII. Por isso gostei desta foto da Lilibeth adolescente, com 13 anos, sem sonhar o destino que a esperava.
      Não tenho a menor dúvida de que ela teria tido uma vida muito mais feliz se tivesse continuado como Princesa de York o resto dos seus dias…

      1. Claro que tinha. Os sortudos são os membros da família que têm todos os privilégios e poucas ou nenhumas obrigações. Reis e rainhas têm uma vida de escravatura, que eu não queria nem muito bem paga!

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