38 comentários em “Misoginias 1”

    1. Tem toda a razão, Teresa! É tudo uma mentira gritante, da frase ao erro crasso no autor… Mas como corrigir a informação de um palimpsesto (ainda por cima em acordês?)? Empresa difícil… Vamos a ver… tentemos então pôr mais um pauzinho a seguir ao V (um adereço altamente adequado a Henrique VIII, convenhamos … 🙂

    1. A poucos dias do 8 de Março, convém lembrar que há menos de 40 anos as mulheres não tinham capacidade negocial em Portugal, Teresa… Precisavam de autorização do marido.

          1. Não… Pelo menos no Código de Seabra não era assim. Era autorização individual, mesmo. O que cabia na chamada ‘plenitude lógica do ordenamento jurídico’…

  1. No século XII, em plena idade média, Afonso Henriques deixava muitos negócios nas mãos de sua filha predilecta. Ainda dizem que somos um país machista…

    1. Mas toda a margem de manobra feminina era obtida sob tutela e nunca por direito próprio…
      Não sei se Portugal era mais ou menos matriarcal.
      Só tenho uma certeza: nem Deus era machista, porque só se aventurou a fazer a mulher depois de ensaiar um rascunho 🙂

      1. Não foi assim com D. Teresa, nem com Mumadona Dias. A idade média ibérica foi muito mais benevolente com as mulheres do que se pensa e do que o foi posteriormente.

          1. Isso é Hollywood. Estou a lembrar-me de Dona Branca, filha de Afonso III, senhora de muitas terras e conventos, que quanto à castidade disse nada e suponho que nunca foi casada. Diz a lenda que chegou a ser raptada por um príncipe mouro, mas é só lenda, pois ao que parece seria muito bem capaz de ser ela a raptar o tal príncipe que o contrário.

          2. Acho que está a confundir duas coisas… 🙂
            A saber: estatuto de cidadania e estratégia de sobrevivência.
            Para furar o ‘blackout’ restava às mulheres mais inconformadas exercer os poderes que a inteligência lhes dava nos limites do seu reduzido espaço de manobra. Artes ocultas, diabólicas… assim eram vistas.
            Por isso mesmo- agora a sério -, o sexo feminino também carregava esse estigma semi-demoníaco.

  2. Bom, posto isto agora percebo que o enorme privilégio da democracia que me permite ter uma empresa é também um tiro no pé. Tivesse eu lido as sábias palavras do Rei não estaria com uma empresa a ver como navega. Há 15 anos que tenho uma empresa e zero dívidas, mesmo que não tenha subsídios de natal ou de férias ou mesmo ordenado. Somos sete, como no livro de aventuras, e temos um CV invejável. Dá dinheiro? Não. Dá gozo? Tem dias. Dores de cabeça? Permanentes. Terei eu menos cabeça para o negócio por me sentar na sanita em vez de ficar de pé? Não. Pelo contrário. Vejo homens à frente de empresas que são, no mínimo, hilariantes. Por outro lado, não me importa tanto ser um sucedâneo de um rascunho, as melhores coisas começam por um rascunho e, nesse sentido, Deus terá sido mais carinhoso para as mulheres:

    1. Patrícia Reis,
      Sou do tempo em que muitas mulheres trabalhavam na lavoura, sendo frequente vê-las, de pé, a “verter águas”. Na minha terra os homens, nas suas conversas vazias, diziam amiúde: “vacas e mulheres na jeira, torna-se tudo em mijeira”.
      Serve isto de pretexto para lhe dar os parabéns e para lhe desejar muitos êxitos, tanto para si, como para a sua equipe.
      Se assim entenderem, não publiquem este comentário, que em nada adianta para a discussão do tema, não passando de simples aparte.

      1. Laura, não era tanto assim: aos dias de semana, trabalhavam todos nos campos – homens, mulheres e crianças. Muito. Aos domingos, sim: os homens na tasca ou na conversa e as mulheres em casa, a cuidar das roupas e dos filhos. Uma miséria…

          1. Uma mulher da cidade (é verídica a história), numa aldeia ao pé do mar, vendo os homens na taberna e as mulheres a trabalhar na lavoura, comentou para uma porque deixavam os homens na taberna e não exigiam ajuda. A resposta foi pronta:
            “Quem os quer activos à noite não os sobrecarrega de dia.”
            Gostei dessa do rascunho.

  3. Já dizia a Bíblia: “Deus criou o homem e ao sétimo dia descansou”.

    Depois, criou a mulher; e nunca mais teve um dia de descanso…

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