«O Estado mínimo da dr.ª Ferreira Leite não é, nunca foi, nunca será o Estado total do dr. Louçã.»
(Vieira da Silva num comício do PS, em reportagem da SIC-Notícias)
«O Estado mínimo da dr.ª Ferreira Leite não é, nunca foi, nunca será o Estado total do dr. Louçã.»
(Vieira da Silva num comício do PS, em reportagem da SIC-Notícias)
Berço dos Beatles, Liverpool é uma cidade portuária que conservou através dos tempos uma imagem triste: húmida, sem vida nocturna, sem atracções, desinteressante e com um fraco comércio.
A Beatlemania acabou por sacudir a cidade, que muita gente passou a visitar em busca das memórias dos Fab Four. Elas estão lá e vieram a ser preservadas e promovidas. Ou seja: os Beatles reconverteram definitivamente Liverpool em destino turístico, onde a marca da banda pode aparecer em cada esquina. O logótipo do T-pingado foi concebido já depois dos primeiros êxitos e apareceu pela primeira vez em 1963, pintado na face do bombo da bateria.
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Em torno do porto está o único conjunto arquitectónico interessante, apoiado por uma praça que constitui o seu centro nevrálgico.

A fundação de Liverpool data de 1207. Foi Capital Europeia da Cultura nas comemorações dos seus 800 anos, em 2007.
Há minutos, no bloco noticioso das 22 horas, a SIC-Notícias fez uma ligação em directo ao comício do PS em Leiria. A reportagem foi do José Manuel Mestre, que estava no local e nos deixou ouvir algumas palavras de José Sócrates, no exacto momento em que este falava dos sucessos obtidos pelo governo no ensino superior.
A fechar o apontamento de reportagem, o jornalista assumiu-se como mais um tradutor de ideias e tentou explicar-nos o que acabávamos de ouvir, com uma nota singular da sua autoria: Mestre lembrou que se tem alimentado a expectativa de Maria de Lurdes Rodrigues vir a ser substituída, se o PS chegar a formar novo governo, mas que Sócrates estava ali a dar outro sinal, ao destacar o trabalho desenvolvido na Educação.
O repórter tem pouco de mestre na matéria, visto que o ensino superior, como se sabe, nunca esteve sob a alçada da ministra da Educação. Mais lhe valia ter-se ficado como simples tradutor de ideias, porque o ensaio como analista correu-lhe mal, mal, mal.
No sítio do costume, f. queixa-se de haver sempre alguém por aí que «se insurge contra blogues». E queixa-se mais ainda por ser o próprio «Saramago a afiançar que "se escreve muito mal nos blogues" (isto vindo de alguém que até tem um blogue) e que "cada vez se escreve mais e pior"».
Tem f. muita razão, pois o Nobel da Literatura não constitui exactamente a encarnação da língua escrita como deve ser e quem se insurge contra os blogues acha que é moda ser pacheco-pereirista. E tem mais razão ainda por ela própria conseguir escrever Saramago com inicial maiúscula.
No regresso do Prós e Contras, os líderes dos mini-partidos procuraram desesperadamente encontrar os seus espaços. Não foi fácil: de cada vez que um tentava expor a sua visão – e com raras excepções – era quase certo que declarava estar «de acordo com o que disse o dr. Garcia Pereira» (Manuel Monteiro incluído). Pode assim concluir-se que, desta vez, quem ficou sem espaço para declarar o vencedor foram os analistas de serviço, pois o vencedor foi escolhido voluntariamente pelos adversários e com o programa ainda no ar: Garcia Pereira, por evidência e exclusão de partes.
Presença curiosa foi Carmelinda Pereira, que teve algumas saídas surpreendentes. Escolho duas. Eis uma delas: «O problema é que não vai ser o POUS a formar governo, porque são sempre os partidos grandes.» Outra tirada extraordinária foi mais ou menos assim: ainda bem que o PCP e o BE já se mostraram dispostos a nacionalizar sectores fundamentais, porque até aqui ninguém tinha falado de colectivização. A figura histórica do POUS está decididamente a perder qualidades.
«A senhora vereadora corrabora com todas as nossas queixas.»
(Um pai sobre uma creche sem condições, na SIC-Notícias)
Depois daquele que mata o pai e a mãe só para dizer que é órfão e depois do senhor que daqui a dez anos já não estará cá, chegou a vez da morte por afogamento a 14 metros ou a 13 metros e meio de profundidade. À escolha desde ontem.
Isto não é um discurso – é um velório. Isto não é um partido – é um túmulo. Isto não é um programa – é um obituário. Isto não é uma candidatura – é um necrotério. Isto não é uma campanha eleitoral – é um cortejo fúnebre. Isto não é uma eleição – é um enterro.
«O futebol deixou de ser geométrico, o futebol é dinâmica (…) e o losango deixou de ter o hibridismo do losango (…)»
(Rui Santos no Tempo Extra, SIC-Notícias)
Os tradutores de ideias – 2: os militantes voltam a atacar

Este grupo já aqui tinha sido apresentado, em tempos (v. Quem se vê na TV n.º 3). No entanto, torna-se importante voltar a ele, porque acaba de renascer um subgrupo co-relacionado. Apelo, pois, à vossa paciência para o que vou repetir na primeira parte, que apenas serve para caracterizar o grupo geral.
Não há dúvida: cada qual viu o seu filme. O TVI24, por exemplo, tem passado o dia a garantir que «o TGV foi o ponto da discórdia» no frente-a-frente de ontem e, mais ainda, que Manuela Ferreira Leite afirmou que «os espanhóis têm um interesse escondido» nessa polémica.
Sobre a discórdia, entendo: só viram um bocadinho. Já quanto ao interesse espanhol, não compreendo. Deve ter ficado mesmo escondido no filme da TVI, porque na versão a que assisti esteve bem à vista.
A campanha eleitoral arranca formalmente. Daqui a 15 dias, vamos às urnas. Aceitando que os processos judiciais não conhecem os calendários eleitorais, vamos às urnas com muitas conclusões adiadas. Mas nem tudo está confinado à justiça.
Ao fim de tanto tempo, a ERC ainda está a investigar o caso TVI? Mesmo sem ter luvas, malas pretas e outras percentagens ocultas? É que convinha, a 15 dias das eleições, saber exactamente o que se passou, por obra de quem e o que vai agora acontecer.
Claro que a gente imagina a conclusão que a ERC vai tirar. Mas, já agora, podia dizê-lo mais depressa e em tempo útil, só para justificar um bocadinho a sua existência.
«(…) Os serviços e os preços têm de ser atraentes.» Estou a citar uma frase que acabo de ouvir ao convidado do programa Falar Global, Almeida Mota, e que registo por ser a primeira vez que ouço, desde há muito tempo, o termo "atraente" em vez de "atractivo". Quase sempre errado, este, e certo, aquele.
Creio que já só me falta vir um dia a ler que alguma das ‘belles toujours‘ do Pedro, às sextas-feiras, é muito atractiva. Alguém acha atraente dizer que uma mulher é muito atractiva?
«Eu tenho uma irmã que é médica (…) Noutro dia foi lá uma senhora agradecer-lhe ela ter receitado ao marido uma mamografia à próstata (…)»
(António Costa Santos sobre a língua maltratada, na SIC-Notícias)
O Jornal do Pau publica aqui a sua própria sondagem sobre as Legislativas, comparada com a que veio hoje a público. O facto interessa, porque o João Severino esteve praticamente isolado ao acertar em tempo útil no resultado das Europeias. O facto até interessa duplamente, porque a possibilidade de haver sondagens manipuladas em benefício de quem as encomenda já deu origem a algumas controvérsias no passado recente. Se tais reservas tiverem qualquer fundamento, alguém há-de espiolhar os bastidores de certos estudos de mercado e de opinião. Basta que apareçam comadres zangadas. Por isso, parece recomendável acompanhar o assunto.
Como certos políticos que abundam por aí, daqueles que fingem ser o que não são e escondem coisas da maior importância, assim é a atleta Caster Semenya, a sul-africana que foi a Berlim: pseudo-hermafrodita com testículos ocultos.
Por que diabo temos políticos assim é que não sei. A falsidade, ainda entendo, mas com a falta de tomates que existe não vejo a vantagem: tê-los escondidos ou ficar sem eles é igual. Vendiam-nos e podiam ganhar um dinheirão sem fazer trapaças.
Lê-se hoje na imprensa que as sondagens mais recentes apontam para um empate técnico entre os dois maiores partidos. Esta moda actual de fazer passar a ideia de que os dois partidos vão ter exactamente o mesmo número de votos e que será preciso convocar novas eleições ou ir a prolongamento e desempatar a golos é uma patetice.
O empate técnico é uma definição peregrina que surgiu entre nós depois do inglês técnico e que parecia já ultrapassada pela jovem recessão técnica, mas está visto que veio para ficar. Este país entra em êxtase com tudo quanto seja técnico. Excepto com o técnico das Finanças.
O Banco Central Europeu aproveita os primeiros sinais de recuperação para dizer que os Estados-membros da UE devem recomeçar a assegurar rapidamente a consolidação orçamental. Ou seja: devem voltar a cuidar do equilíbrio das contas públicas sem recurso a qualquer aumento de impostos ou contribuições sociais. Ora aqui está uma notícia que nos tira da desgraça actual e que nos atira para a desgraça anterior (agravada).
Os líderes em campanha eleitoral que têm andado a justificar promessas no pressuposto de que Bruxelas irá manter vista grossa às derrapagens orçamentais vão começar a dormir mal. Desenganem-se eles e não enganem os eleitores, porque os foguetes pelo fim da recessão também têm canas. E se alguém quiser lançá-los, vai ter de apanhá-las.
A 22 de Novembro de 1968, era lançado em Inglaterra um álbum musical que se sabia de antemão destinado ao êxito. Com o nome genérico The Beatles, também conhecido por The White Album (pela capa branca com o título destacado em relevo), era duplo (coisa pouco comum e único no percurso dos Beatles), pelo que muita gente achou que aquele não era exactamente o n.º 9 da carreira do famoso quarteto, mas sim o 9 e 10. Entender-se-á melhor se dissermos que, em 1970, quando a banda se separou, deixou para trás 12 álbuns que somavam, portanto, 13 LP’s – um número aziago que estava em vias de se confirmar.
Mais adiante, iriam aparecer ainda Yellow Submarine, Abbey Road e Let It Be. Em 1968, ainda ninguém adivinhava as desavenças que já se faziam sentir entre os quatro, mas não tardou que o ano seguinte revelasse conflitos de relacionamento que se agravavam e que saltaram rapidamente das revistas habituais para a imprensa generalista. Afinal, o fim da banda estava apenas a cerca de ano e meio.
O certo é que The Beatles foi o primeiro disco lançado depois da morte do manager Brian Epstein, que tinha grande influência no grupo. Os quatro acabavam de passar uma temporada na Índia dedicada a "meditação transcendental", na Primavera de 1968, onde nasceram várias composições, mas que deu para o torto. Nem todos respeitaram as regras do guru que os orientava. Ringo fartou-se daquela apatia e desistiu, seguido por Paul pouco tempo depois.
Quando John e George regressaram a Inglaterra, também antes do tempo, Ringo chegou a separar-se da banda por um período curto e Paul teve de conciliar a bateria com a viola-baixo numa parte dos temas que estavam a preparar para o álbum. Nos estúdios da Apple, gravaram separadamente muitas vezes e os problemas agudizaram-se quando John levou até lá a nova namorada, Yoko Ono, que nunca mais os deixou sós, ao contrário do que sempre tinha acontecido.
Ainda assim, o álbum lá foi sendo gravado, de 30 de Maio a 14 de Outubro. Esteve para se chamar A Doll’s House, mas ficou sem título por já haver um nome semelhante no meio musical. A sua apresentação foi precedida pelo lançamento da composição Hey Jude, em single, gravada durante a preparação do álbum.
A ideia de unidade sugerida pelo "não-nome" The Beatles de pouco serviu, mas o duplo álbum (o primeiro lançado pela Apple Records e o único em que os quatro não aparecem na capa) saltou logo para o topo da tabela de vendas no Reino Unido: n.º 1 durante sete semanas e nos top ten 24 semanas.
Nos EUA, entrou em 11.º lugar, subiu para 2.º e foi 1.º na terceira semana, onde ficou nove semanas (foi 19 vezes disco de platina e o décimo mais vendido de todos os tempos). Já em 1997, a Music of Millennium também o considerou o décimo melhor disco de sempre e, em 2000, a revista Rolling Stone igualmente o colocou em décimo lugar.
Das 30 composições, algumas das quais gravadas em single a seguir, Ob-La-Di, Ob-La-Da foi a que mais rapidamente se popularizou, mas nenhuma sofisticação se descobre nela, que é apenas alegre (além de ter provocado sérias discussões, pela trabalheira que deu em dezenas de gravações até ficar pronta).
Porém, creio que merece especial destaque uma das mais conseguidas canções dolentes de sempre (a par de The Long And Winding Road, posteriormente) dos Beatles: While My Guitar Gently Weeps, composta por George Harrison e que inclui um solo de viola de Eric Clapton, convidado para o efeito.
The White Album tem ainda a seu favor o facto de ser o mais eclético de todos. Quem não descobrir nele uma só canção que o prenda, definitivamente não aprecia os Beatles. O que não é pecado, mas é estranho.
O ainda ministro da Agricultura mostrou-se muito preocupado com a possibilidade de vitória da direita e o regresso do CDS-PP ao poder, por achar que, dos três anos em que Paulo Portas esteve no governo, só sobraram «a compra de submarinos e 60 ou 70 mil fotocópias». Jaime Silva esqueceu-se do restante material de guerra, mas não deixa de ter razão.
Já agora, por falar em sobras, o que é que sobra de positivo dos quatro anos e meio de Jaime Silva? Não é curiosidade: é só para que póssamos lembrar-nos dele por um bom motivo.
«(…) o ambiente dentro da TVI ainda com José Eduardo Moniz e esposa (…)»
(Paulo Ferreira, no Simplex)