O Banco Central Europeu aproveita os primeiros sinais de recuperação para dizer que os Estados-membros da UE devem recomeçar a assegurar rapidamente a consolidação orçamental. Ou seja: devem voltar a cuidar do equilíbrio das contas públicas sem recurso a qualquer aumento de impostos ou contribuições sociais. Ora aqui está uma notícia que nos tira da desgraça actual e que nos atira para a desgraça anterior (agravada).
Os líderes em campanha eleitoral que têm andado a justificar promessas no pressuposto de que Bruxelas irá manter vista grossa às derrapagens orçamentais vão começar a dormir mal. Desenganem-se eles e não enganem os eleitores, porque os foguetes pelo fim da recessão também têm canas. E se alguém quiser lançá-los, vai ter de apanhá-las.

Parece-me que todos já vimos este filme e já demos para este peditório. Assim, como se trata de uma ‘reprise’, já todos sabemos como é que vai ser o final e quem é que vai, mais uma vez, pagar esta factura: – nós, os suspeitos do costume, é óbvio. E já estou mesmo a ver, também, a 1ª das costumeiras medidas indispensáveis para fazer face a esta ‘nova crise’: aumentos de 0% nos ordenados durante os próximos 3 ou 4 anos… e o que mais se verá. E é assim que teremos de nos habituar a viver o resto das nossas vidas, de crise em crise. Mas olha, há uma coisa para a qual eu já não estou: para apanhar as canas, chama o Vitalino, p.f.
Não vejo outra saída que não seja realmente essa grande medida: não se aumentam os impostos, porque impossível, mas também não se aumentam os salários, porque sacrifício é preciso.
(O Vitalino manda dizer que não sabe apanhar canas. Só sabe ser apanhado. O que não tem história, porque é fácil.)
Eu ia comentar, mas como subscrevo o comentário do Luís Reis Figueira, apenas acrescento que há por aí uma senhora que propõe a redução dos salários! Pelo menos foi essa a acusação que ouvi o Jerónimo fazer e ela não disse que era mentira!
É verdade e apanha-las o quanto antes, enquanto não pegam fogo à mata!
Infelizmente, parece que a mata já está a arder há muito. Vamos ter de esperar pelo próximo bombeiro, mas vejo o futuro muito negro. Deve ser do fumo.
Acabo de ouvir a notícia de que o Papa poderá vir a Portugal no ano que vem. Quem sabe se não estará ligada a esta ilustre e augusta visita a solução divina para todos os males que nos afligem?
Divina para uns, sebastiânica para outros. O que importa é o milagre, ou o salvador. Sem esforço. Hehe…
Se não houver recuperação no emprego é escusado virem falar de consolidações. A europa arrisca-se a explodir.