Lê-se hoje na imprensa que as sondagens mais recentes apontam para um empate técnico entre os dois maiores partidos. Esta moda actual de fazer passar a ideia de que os dois partidos vão ter exactamente o mesmo número de votos e que será preciso convocar novas eleições ou ir a prolongamento e desempatar a golos é uma patetice.
O empate técnico é uma definição peregrina que surgiu entre nós depois do inglês técnico e que parecia já ultrapassada pela jovem recessão técnica, mas está visto que veio para ficar. Este país entra em êxtase com tudo quanto seja técnico. Excepto com o técnico das Finanças.

Por falar em técnico… se calhar a selecção estava a precisar de um novo e de alguns jogadores que não a aplicassem apenas nos clubes estrangeiros onde jogam.
Ora aí está: Portugal é muito virado ao técnico, mas é só um de cada vez. Tudo nas calmas.
Um povo extasiado
com tanta tecnicidade,
fica tudo anestesiado
com tamanha opacidade!
Em várias línguas estrangeiras
somos técnicos especialistas,
com tantas políticas brejeiras
revelamo-nos miserabilistas.
Os portugueses são especialistas em estrangeiro técnico…
Afinal com tanto “técnico” e isto tudo tal mal amanhado…será uma “questão técnica”, digo eu.
Nã-nã-nã-nã… Não há qualquer questão técnica. Só há técnica. Questão? Quem é que falou em questão?
Lembro-me sempre daquela frase que já aqui deixei uma vez:
“In science as in love a concentration on technique is quite likely to lead to impotence” Berger (1976)
Acho que se aplica novamente.
:)))
Bem alembrado… Pode até falar-se em impotência técnica.
Ó João, então não sabes que é o técnico das Finanças quem “desempata”? Num país de “empatas” é natural que ninguém goste deste.
Aaaaaahhhh!!!…
‘Recessão técnica’ é outra expressão de fugir. Também vai para o rol.
Apoiado.