I — Chicago e o gangster

Esta excelente fotografia data de 1 de Setembro de 1900. É uma Chicago com o seu quê de nostálgico (junto ao cruzamento da Avenida Wabash com a Rua Adams, para quem conhece).

Nessa altura, Alphonse Gabriel Capone – Al Capone – ainda andava ao colo: não tinha completado dois anos e morava com os pais na sua Brooklyn natal.
Mais tarde, já em Chicago, Al Capone viria a estabelecer o seu ‘quartel-general’ no Lexington Hotel (aqui fotografado no início dos anos 90), então mais conhecido como o "castelo de Capone". Infelizmente, o edifício foi demolido em 1995.

Al Capone foi alvo de diversos gangs rivais, um dos quais ‘limpou’ a sua tropa de guarda-costas e não acabou com ele por pouco, em 1926. Reforçada a sua segurança pessoal, Al decidiu ter um carro blindado e com vidros e pneus à prova de bala. A escolha recaiu num Cadillac 341A Town Sedan, de 1928, o qual seria penhorado pela Fazenda Pública quando ele foi preso por fuga aos impostos e diversas irregularidades, três ou quatro anos mais tarde.
Esse automóvel ia entrar para a História dos EUA.
II — Roosevelt e o Cadillac

Tinham passado cerca de dez anos e Al Capone acabava de ser transferido para Alcatraz.
No dia 7 de Dezembro de 1941, poucas horas depois do ataque a Pearl Harbor, os serviços secretos norte-americanos sentiam-se impotentes perante o sarilho em que acabavam de ser metidos: no dia seguinte, Franklin D. Roosevelt ia fazer ao Congresso o discurso de indignação perante a traiçoeira e mortal investida japonesa («a date which will live in infamy») e, embora o percurso entre a Casa Branca e o Capitólio fosse curto, os agentes não sabiam como transportar o presidente com a segurança máxima que era requerida.
A Casa Branca tinha uma limousine especialmente construída para o presidente, regularmente utilizada, mas não era à prova de bala e estava fora de alcance arranjar um carro blindado de um dia para o outro, menos ainda ao custo contido que o governo impusera para a compra das viaturas oficiais. O discurso estava marcado para o meio-dia e não restavam muitas horas. Foi quando um dos agentes teve a ideia: havia um Cadillac apreendido há uns anos que era blindado e à prova de bala, guardado num parque do Tesouro Nacional.


Pintado de verde e preto para se parecer com os carros da Polícia de Chicago à época, com uma sirene especial e luzes intermitentes escondidas no interior da grelha, levou um rádio-comunicador das forças policiais, foi todo limpo e passou a noite em testes para assegurar que tudo correria bem.
Correu tudo bem. Quando um repórter disse depois ao presidente de onde tinha saído o carro, Roosevelt comentou: «I hope Mr. Capone won’t mind.»
O histórico Cadillac de 1928 do famoso gangster continua de boa saúde e recomenda-se: foi vendido em leilão para integrar uma nova colecção ainda há menos de quatro anos.