Carnaval ignorado (2)


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O Mardi Gras é outra festa carnavalesca secular e outro cartaz mundialmente reconhecido. Nasceu em Nova Orleães e corre o Estado de Luisiana: pode ocorrer em qualquer altura do ano, mas é tradicional dar-lhe especial relevo durante o mês que culmina na "terça-feira gorda" (do francês mardi gras). O costume foi introduzido pelos franceses, os primeiros colonizadores da região no século XVII.

Entre o imenso colorido sobressaem o dourado, que significa poder, o verde, que significa fé, e o roxo, que significa justiça. Os inevitáveis cortejos são muitas vezes acompanhados pelas igualmente inevitáveis bandas de sopro características da comunidade negra.

As paradas, com muitas máscaras de gesso e todo o tipo de trajes, incluem símbolos muito específicos, como a flor-de-lis e os colares de contas. Estes, das mais diversas cores e tamanhos, atraem toda a gente, que os oferece e recebe para logo serem colocados ao pescoço.

As continhas de cores podem ter um efeito mágico: muitas vezes, quem as oferece pode ter direito a ver o peito (ou até o rabo) de quem recebe. Aconselha-se, é claro, alguma prática de avaliação prévia, porque a experiência pode ser traumática. Excepto se for pura perversidade: é Mardi Gras, ninguém leva a mal!

Eis mais um vibrante Carnaval famoso, mas ignorado por cá, neste país do Entrudo violado pelo samba tiritado ao ritmo da chuva e onde não faltam estádios prontinhos para virar sambódromos, que para mais nada têm servido…

6 comentários em “Carnaval ignorado (2)”

  1. João

    O que eu gosto de ouvir o som daquelas bandas sulistas…
    E aquela troca de continhas de cores por visões, abençoadas ou traumáticas, parece-me muito engraçada…

    1. A tradição do Mardi Gras foi assentando ao longo do século XVIII (parece que o primeiro registo desta festa em Nova Orleáes data de 1699). Com o ensino superior, surgiu depois a retribuição pela oferta dos colares (mais as universitárias, mas não só): quanto mais colares recebidos, mais a roupinha se afasta para mostrar os dotes), com muita cerveja à mistura.

      Quanto aos dotes da cidade, basta dizer que está entre as dez mais visitadas nos EUA: com mais de 350 hotéis e mais de dez milhões de visitantes por ano antes do tufão Katrina em 2005, parece que já recuperou mais de metade desses números. Além de duas conhecidas universidades e do National D-Day Museum (sobre a II Guerra Mundial e a invasão da Normandia), é riquíssima e variada em apelos, do Mississipi ao French Quarter (ou Vieux Carré), passando pela cozinha e pela imensa escolha de ‘arts and crafts’.

      Tudo isto na cidade-berço de Louis Armstrong e dos famosos festivais e paradas de ‘jazz’ (e não só).

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