O Mardi Gras é outra festa carnavalesca secular e outro cartaz mundialmente reconhecido. Nasceu em Nova Orleães e corre o Estado de Luisiana: pode ocorrer em qualquer altura do ano, mas é tradicional dar-lhe especial relevo durante o mês que culmina na "terça-feira gorda" (do francês mardi gras). O costume foi introduzido pelos franceses, os primeiros colonizadores da região no século XVII.
Entre o imenso colorido sobressaem o dourado, que significa poder, o verde, que significa fé, e o roxo, que significa justiça. Os inevitáveis cortejos são muitas vezes acompanhados pelas igualmente inevitáveis bandas de sopro características da comunidade negra.
As paradas, com muitas máscaras de gesso e todo o tipo de trajes, incluem símbolos muito específicos, como a flor-de-lis e os colares de contas. Estes, das mais diversas cores e tamanhos, atraem toda a gente, que os oferece e recebe para logo serem colocados ao pescoço.
As continhas de cores podem ter um efeito mágico: muitas vezes, quem as oferece pode ter direito a ver o peito (ou até o rabo) de quem recebe. Aconselha-se, é claro, alguma prática de avaliação prévia, porque a experiência pode ser traumática. Excepto se for pura perversidade: é Mardi Gras, ninguém leva a mal!
Eis mais um vibrante Carnaval famoso, mas ignorado por cá, neste país do Entrudo violado pelo samba tiritado ao ritmo da chuva e onde não faltam estádios prontinhos para virar sambódromos, que para mais nada têm servido…








João
O que eu gosto de ouvir o som daquelas bandas sulistas…
E aquela troca de continhas de cores por visões, abençoadas ou traumáticas, parece-me muito engraçada…
Esse som é inconfundível, Ana.
E as continhas… Ah, as continhas… Fazem milagres.
Não conhecia nada desta tradição sulista, João, por isso gostei imenso de ler-te. Da música de lá gosto muuuuuuito.
A tradição do Mardi Gras foi assentando ao longo do século XVIII (parece que o primeiro registo desta festa em Nova Orleáes data de 1699). Com o ensino superior, surgiu depois a retribuição pela oferta dos colares (mais as universitárias, mas não só): quanto mais colares recebidos, mais a roupinha se afasta para mostrar os dotes), com muita cerveja à mistura.
Quanto aos dotes da cidade, basta dizer que está entre as dez mais visitadas nos EUA: com mais de 350 hotéis e mais de dez milhões de visitantes por ano antes do tufão Katrina em 2005, parece que já recuperou mais de metade desses números. Além de duas conhecidas universidades e do National D-Day Museum (sobre a II Guerra Mundial e a invasão da Normandia), é riquíssima e variada em apelos, do Mississipi ao French Quarter (ou Vieux Carré), passando pela cozinha e pela imensa escolha de ‘arts and crafts’.
Tudo isto na cidade-berço de Louis Armstrong e dos famosos festivais e paradas de ‘jazz’ (e não só).
João,
Por acaso este ano, na 2ª feira, vi uma reportagem num dos telejornais sobre os carnavais de San Louis e de New Orleans , mas deve ter sido caso único, pois não voltou a ser repetida.
Sabes que cheguei a pensar que andavam atrás de mim? Vi um cheirinho de Veneza primeiro e de Nova Orleães depois. Timidamente, mas melhor que nada.